AGRONEGÓCIO
Agricultor familiar de Alto Jequitibá bate recorde e vence o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais
AGRONEGÓCIO
O agricultor familiar João Pedro Emerick Ramos, do município de Alto Jequitibá, na região das Matas de Minas, fez história ao conquistar o título de Grande Campeão Estadual do 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, promovido pela Emater-MG.
O café produzido por João Pedro atingiu 93,2 pontos, a maior pontuação já registrada desde a criação do concurso, que segue os critérios da Specialty Coffee Association (SCA) — referência mundial em cafés especiais. O resultado foi anunciado nesta quinta-feira (11/12), durante cerimônia na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte.
Jovem produtor e a força da agricultura familiar
Aos 24 anos, João Pedro cultiva café em uma área de 20 hectares, com assistência técnica da Emater-MG. O grão premiado leva a marca João Miguel, em homenagem ao filho do produtor.
“Desde 2019 começamos a investir em café especial. Lá é tudo agricultura familiar — eu, meus pais e minha irmã. Trabalhamos juntos com dedicação, amor e carinho. É preciso fazer tudo com excelência”, declarou o campeão.
Reconhecimento e premiações
Por alcançar o título máximo da competição, João Pedro recebeu R$ 10 mil em prêmios e foi reconhecido como Produtor Destaque do programa Certifica Minas Café, considerado o maior programa público de certificação cafeeira do país.
A edição de 2025 também marcou recorde de participação, com 1.857 amostras inscritas, vindas de 162 municípios mineiros, e mais de 10 mil xícaras provadas nas diferentes etapas da avaliação.
Categorias e avaliação técnica
O concurso avaliou cafés das quatro principais regiões produtoras do estado — Sul de Minas, Cerrado, Matas de Minas e Chapada — nas categorias Café Natural e Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado, todas com grãos da espécie Arábica da safra 2025.
As amostras passaram por análises físicas e sensoriais criteriosas, realizadas por provadores especializados e seguindo os protocolos internacionais da SCA.
A importância do concurso para o setor cafeeiro
Segundo o presidente da Emater-MG, Otávio Maia, o concurso é uma das principais ações da empresa para incentivar a melhoria contínua da qualidade dos cafés mineiros.
“O concurso é uma estratégia de assistência técnica e extensão rural que estimula a excelência na produção. Ele integra a política de apoio ao setor da cafeicultura, especialmente voltada à agricultura familiar, que tem papel fundamental na produção de café em Minas Gerais”, destacou.
Mulher destaque e comercialização dos cafés premiados
Além do título estadual, a competição também premiou os vencedores regionais e a Mulher Destaque em Qualidade. O reconhecimento foi concedido a Beatriz Aparecida de Souza Guimarães, de Serra do Salitre (Cerrado Mineiro), que alcançou 91 pontos e foi a cafeicultora mais bem avaliada entre as participantes do Certifica Minas Café.
Os cafés premiados terão compra garantida pelo Supermercado Verdemar, que oferecerá até R$ 6 mil por saca. Os produtos chegarão às gôndolas no próximo ano, em uma linha especial voltada ao consumidor final.
Já os dois melhores colocados receberam prêmios em dinheiro oferecidos pelo Sicoob Crediminas.
Café, o ouro do agronegócio mineiro
Durante o evento, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, destacou a importância do café para o agronegócio estadual.
“As exportações do agro mineiro atingiram US$ 18,1 bilhões de janeiro a novembro, superando novamente a mineração. Hoje, 44% de tudo que o estado exporta vem do agronegócio, e 52% disso é café”, ressaltou o secretário.
Organização e parcerias
O 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é uma realização da Emater-MG, em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Universidade Federal de Lavras (Ufla), a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe) e o Conselho Nacional do Café (CNC).
A competição conta com o patrocínio do Sistema Sicoob Crediminas e dos Supermercados Verdemar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar
A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.
Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.
A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.
Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.
Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.
Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.
A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.
O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.
Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.
A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.
A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.
A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.
Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.
Fonte: Pensar Agro
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