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Brasil e Estados Unidos reforçam negociações comerciais após imposição de tarifas e sanções — foco em acordo rápido e diálogo estratégico

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Nos últimos meses, a administração do Donald Trump impôs tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, justificando-se por desequilíbrios comerciais e questões jurídicas envolvendo autoridades brasileiras. Em abril de 2025, foi assinada a ordem conhecida como tarifas do Dia da Libertação, que instituiu tarifas recíprocas e declara emergência nacional para justificar medidas tarifárias amplas.

O governo brasileiro respondeu criticando a base técnica dessas tarifas, argumentando que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil e utilizando instrumentos legais internacionais, como reclamações junto à World Trade Organization (OMC).

Reunião bilateral entre Lula e Trump na Malásia

Em 26 de outubro de 2025, o Luiz Inácio Lula da Silva encontrou-se com Trump em Kuala Lumpur, durante cúpula da Association of Southeast Asian Nations (ASEAN). O encontro foi descrito pelo presidente brasileiro como “franco e construtivo”, com destaque para o início de negociações urgentes entre as equipes dos dois países.

Representantes brasileiros, incluindo o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, relataram que discutiram tarifas e sanções, pedindo suspensão das medidas por um período de negociação. As reuniões envolveram representantes americanos como o secretário do Tesouro Scott Bessent e o representante comercial Jamieson Greer.

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Segundo os brasileiros, Trump demonstrou disposição em revisar as tarifas e afirmou conhecer bem o contexto político brasileiro, inclusive mencionando a carreira de Lula. Houve tom mais amistoso, com elogios públicos à trajetória do presidente brasileiro.

Cronograma de negociações e expectativas para acordo

Embora o encontro tenha sinalizado abertura, não houve suspensão imediata das tarifas e das sanções. No dia seguinte (27), o chanceler Mauro Vieira informou que os países concordaram com um cronograma formal de negociações nas próximas semanas, mas sem compromisso de pausa automática nas tarifas.

As negociações seguirão com equipes técnicas de alto nível, com deslocamento de representantes brasileiros para Washington, conforme previsto. A expectativa é que se aprofunde o diálogo técnico e políticas para setores específicos afetados pela tributação.

Posicionamento da Casa Branca e desdobramentos recentes

Fontes da Casa Branca reforçam que as medidas tarifárias recentes foram motivadas por preocupações com déficits comerciais persistentes e práticas consideradas desleais. A administração americana defende que as tarifas recíprocas visam equilibrar práticas de comércio e proteger indústrias domésticas.

Contudo, o governo brasileiro sustenta que a aplicação de sanções, incluindo através da Lei conhecida como Magnitsky, atingiu autoridades brasileiras sem base jurídica adequada. A interlocução diplomática agora tenta reconstruir confiança e remover barreiras tarifárias e políticas.

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Impactos no agronegócio e no comércio internacional

As tarifas americanas atingem fortemente setores agrícolas e de commodities exportadas pelo Brasil — como açúcar, etanol e outros produtos agrícolas que formam parte da pauta de exportação. Em março de 2025, autoridades brasileiras já projetavam negociações prolongadas envolvendo açúcar e etanol, em reação às tarifas impostas.

A retomada do diálogo é vista como essencial para evitar repercussões negativas sobre produtores brasileiros, cadeias agrícolas e mercado internacional de commodities. A expectativa é que, se um acordo for alcançado rapidamente, possa amenizar incertezas e preservar o fluxo exportador do agronegócio.

Conclusão

O recente encontro entre Brasil e Estados Unidos marca uma virada nas relações comerciais: de medidas tarifárias e tensões políticas para um caminho de negociação intensa. O governo brasileiro busca reverter tarifas e sanções, enquanto a administração americana mantém justificativas econômicas para as medidas. As próximas semanas serão decisivas para determinar se o diálogo técnico se converterá em um acordo formal que favoreça os interesses de ambos os países.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Egito e África do Sul dominam mercado global de laranja de mesa e ampliam pressão sobre concorrentes

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O mercado global de laranja de mesa passa por uma profunda transformação. Impulsionados pelo crescimento da produção, ganhos de competitividade e expansão das exportações, Egito e África do Sul consolidaram sua liderança no comércio internacional da fruta fresca e devem responder por quase 69% das exportações mundiais em 2026.

Levantamento da CitrusBR, com base nos relatórios anuais Citrus: World Markets and Trade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostra que os dois países adicionaram cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos ao mercado global entre 2010 e 2026.

O avanço evidencia uma mudança estrutural no setor citrícola mundial, com novos protagonistas ocupando espaços historicamente dominados por grandes exportadores tradicionais.

Participação global cresce de 48% para quase 69%

Em 2010, o comércio internacional de laranja de mesa movimentava aproximadamente 97,9 milhões de caixas. Naquele período, Egito e África do Sul exportavam juntos 47,6 milhões de caixas, o equivalente a 48,6% do mercado global.

Para 2026, a expectativa é que as exportações mundiais alcancem 121,1 milhões de caixas, crescimento de 23,6% em relação a 2010. Desse total, os dois países africanos deverão embarcar 83,3 milhões de caixas, ampliando sua participação para quase 69% do comércio global.

Enquanto isso, o chamado “Resto do Mundo” perdeu espaço. O grupo formado por exportadores tradicionais, incluindo Estados Unidos, países europeus, Turquia e Marrocos, deverá reduzir suas exportações de 50,3 milhões para 37,8 milhões de caixas no mesmo período.

Greening e clima reduzem competitividade dos Estados Unidos

A retração dos concorrentes foi determinante para o crescimento dos países africanos.

Nos Estados Unidos, a disseminação do greening nos pomares da Flórida e os eventos climáticos adversos na Califórnia provocaram forte queda na produção e nas exportações. Os embarques americanos, que somavam 18,3 milhões de caixas em 2010, devem recuar para apenas 8 milhões de caixas em 2026, uma redução de 56%.

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A Europa também enfrenta desafios significativos. Secas prolongadas, restrições hídricas e doenças nos pomares contribuíram para uma redução de quase 14 milhões de caixas na produção ao longo dos últimos anos.

Com menor disponibilidade de fruta para exportação, os produtores europeus perderam competitividade no mercado internacional, abrindo espaço para novos fornecedores.

África do Sul amplia produção e conquista novos mercados

A África do Sul foi uma das maiores beneficiadas pela reorganização do comércio mundial de laranjas.

Segundo o USDA, a produção sul-africana avançou de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas entre 2010 e 2026, crescimento de aproximadamente 33%.

As exportações apresentaram desempenho ainda mais expressivo, saltando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas, avanço de 60%.

Além da União Europeia, tradicional destino da fruta sul-africana, mercados como China, Rússia e Estados Unidos passaram a desempenhar papel estratégico para o setor exportador do país.

Egito fortalece competitividade e acelera expansão internacional

O Egito também consolidou sua ascensão como potência exportadora de laranja de mesa, especialmente a partir de 2016.

A expansão foi impulsionada por fatores como desvalorização cambial, acordos comerciais com tarifas preferenciais, custos de produção mais competitivos, incentivos governamentais e linhas de financiamento apoiadas por parceiros europeus.

Esse conjunto de medidas permitiu ao país ampliar rapidamente sua participação nos mercados internacionais e fortalecer sua posição entre os maiores exportadores globais de frutas frescas.

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Avanço africano também impacta mercado de suco de laranja

Embora o Brasil permaneça como líder absoluto na produção e exportação de suco de laranja, o crescimento de Egito e África do Sul acende um alerta para a cadeia citrícola global.

Segundo análise da CitrusBR, enquanto os dois países ampliaram sua presença no segmento de fruta fresca, o Brasil deixou de exportar aproximadamente 570 milhões de caixas de laranja na forma de suco ao longo do período analisado.

De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a expansão egípcia merece atenção especial por envolver não apenas a exportação de fruta in natura, mas também o aumento da capacidade de processamento.

“Enquanto a África do Sul concentrou seus esforços no mercado de fruta fresca, o Egito ampliou sua presença tanto nas exportações de laranja de mesa quanto no processamento industrial, tornando-se um concorrente cada vez mais relevante, especialmente no mercado europeu”, destaca.

Mercado acompanha crescimento da indústria egípcia

As projeções do USDA indicam que o Egito deverá processar cerca de 22 milhões de caixas de laranja nesta temporada, volume próximo ao total de fruta fresca exportada pelo país em 2010.

Caso as estimativas se confirmem, o mercado internacional poderá receber aproximadamente 78 mil toneladas equivalentes de suco de laranja provenientes do país africano.

O aumento da oferta ocorre em um momento de desaceleração da demanda global, cenário que reforça a competição entre os principais exportadores e amplia os desafios para a indústria citrícola mundial nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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