AGRONEGÓCIO
Suspenção de novos registros de Glifosato não proíbe a comercialização nem o uso
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A suspensão, por 90 dias, de novos registros e autorizações de defensivos agrícolas à base de glifosato não impede a comercialização nem o uso dos produtos já aprovados no Brasil. Para o produtor rural, portanto, a decisão da Justiça do Trabalho não altera imediatamente o acesso ao herbicida mais utilizado nas lavouras brasileiras.
A medida foi determinada pela 7ª Vara do Trabalho de Brasília em ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF). A liminar interrompe temporariamente apenas a liberação de novos produtos enquanto órgãos federais apresentam informações sobre os possíveis impactos do glifosato sobre a saúde dos trabalhadores e o meio ambiente.
O sistema Agrofit, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), registra 181 produtos formulados à base de glifosato e de diferentes sais do ingrediente ativo. São defensivos que já passaram pelas avaliações federais e não foram alcançados pela suspensão.
O impacto imediato também tende a ser limitado porque o prazo de 90 dias é curto diante do tempo normalmente exigido para a aprovação de um novo produto. Em 2026, sete formulações à base de glifosato receberam registro. Os processos levaram entre 371 e 1.679 dias para ser concluídos, período que varia de pouco mais de um ano a mais de quatro anos e meio.
No Mapa, 58 produtos formulados, destinados diretamente ao uso nas propriedades, aguardam registro após receberem parecer de eficiência agronômica. Outros 14 produtos técnicos equivalentes estão na fila. Estes últimos são matérias-primas utilizadas pela indústria para fabricar as formulações que chegam ao campo.
No Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), há 35 produtos formulados na fila e outros cinco em análise. Esses números não devem ser somados aos do Mapa, pois um mesmo pedido precisa passar pelo ministério, pelo Ibama e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de obter o registro definitivo.
Embora não provoque desabastecimento neste momento, a paralisação pode retardar a entrada de novas marcas, formulações e produtos equivalentes. Caso a restrição seja prorrogada ou ampliada, poderá reduzir a concorrência e limitar alternativas comerciais disponíveis aos agricultores.
O glifosato é usado no controle de plantas daninhas em culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e café. Também tem papel importante no sistema de plantio direto, ao permitir a dessecação da cobertura vegetal sem a necessidade de revolvimento intenso do solo.
Dados do Ibama mostram que foram comercializadas 231,9 mil toneladas de glifosato e seus sais em 2024. O volume correspondeu a aproximadamente 28% das 825,7 mil toneladas de ingredientes ativos de defensivos vendidas no país naquele ano. Apesar da redução das vendas nos dois anos anteriores, o produto permaneceu na liderança do mercado brasileiro.
Ao conceder a liminar, o juiz Gustavo Carvalho Chehab considerou necessário impedir a ampliação da quantidade de produtos em circulação enquanto são reunidos novos elementos técnicos. O magistrado não determinou a retirada imediata do glifosato nem acolheu, nesta etapa, o pedido de proibição total apresentado pelo MPT-DF. Essa parte da ação ainda será julgada.
A Justiça determinou que a Anvisa avalie possíveis irregularidades nas bulas dos produtos existentes e informe, em 20 dias, as providências adotadas. O Ibama deverá apresentar avaliações ambientais, mapas de risco e informações sobre uma eventual reanálise, além de elaborar um relatório sobre as consequências do recolhimento, armazenamento e descarte dos produtos caso a substância venha a ser retirada do mercado.
A discussão científica permanece aberta. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos. A avaliação identifica a capacidade de uma substância causar câncer, mas não mede isoladamente o risco nas condições concretas de uso e exposição.
No Brasil, a Anvisa concluiu em 2020 uma reavaliação toxicológica iniciada sete anos antes e manteve o glifosato autorizado, com restrições e medidas para reduzir a exposição. Autoridades reguladoras dos Estados Unidos e da União Europeia chegaram a conclusões diferentes da classificação da agência internacional, embora avaliações e atualizações científicas continuem em andamento.
Até que haja nova determinação, o produtor poderá adquirir e utilizar os defensivos registrados, respeitando a receita agronômica, as doses, as culturas autorizadas, os equipamentos de proteção e as orientações constantes na bula. A principal incerteza está no andamento da ação, que ainda discutirá se as regras atuais são suficientes ou se serão necessárias novas restrições ao herbicida.
Fonte: Pensar Agro
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Congresso reúne cadeia do algodão após safra recorde de 4,14 milhões de toneladas
O Brasil chega ao 15º Congresso Brasileiro do Algodão com a maior produção de pluma de sua história e posição de liderança no comércio mundial. Entre os dias 22 e 24 de setembro, produtores, pesquisadores, consultores, exportadores e representantes da indústria estarão reunidos no Expominas, em Belo Horizonte, para discutir como transformar esse crescimento em rentabilidade, qualidade e novos mercados.
A Companhia Nacional de Abastecimento estima que a safra 2025/26 alcance 4,14 milhões de toneladas de pluma, alta de 1,5% sobre o ciclo anterior. O recorde foi obtido mesmo com redução de 3,2% na área cultivada, resultado do aumento de 4,9% na produtividade média das lavouras.
Os números mostram que a cotonicultura conseguiu produzir mais em uma área menor, mas o avanço físico não elimina os desafios econômicos. Custos elevados, preços internacionais pressionados, necessidade de controle fitossanitário, qualidade da fibra, logística e exigências de rastreabilidade continuam influenciando a margem dos produtores.
É nesse ambiente que o congresso deverá concentrar as discussões. A programação inclui manejo de pragas e doenças, biotecnologia, melhoramento genético, fertilidade do solo, agricultura de precisão, inteligência artificial, colheita, beneficiamento, qualidade da pluma e destruição da soqueira.
Também serão debatidos cenários de mercado, sustentabilidade, demanda da indústria têxtil e estratégias para ampliar a presença brasileira no exterior. A programação foi organizada em plenárias técnicas, painéis estratégicos, núcleos temáticos, minicursos e atividades práticas.
O evento ocorre em um momento no qual o Brasil precisa preservar a competitividade conquistada. O país ampliou a produção, profissionalizou a classificação da fibra e avançou na rastreabilidade, fatores que ajudaram o algodão brasileiro a ganhar espaço entre compradores internacionais.
O desempenho das exportações também aumentou a responsabilidade do setor. O produto precisa chegar ao mercado externo com regularidade, qualidade homogênea e documentação capaz de comprovar sua origem e as práticas empregadas na produção.
Para o produtor, isso significa que produtividade já não é o único indicador relevante. Comprimento, resistência, uniformidade, índice de fibras curtas, contaminação e condições de beneficiamento podem interferir no preço obtido e na aceitação dos lotes pela indústria.
O manejo fitossanitário será outro ponto importante. O algodão possui ciclo longo e exige acompanhamento constante contra pragas como o bicudo-do-algodoeiro, a mosca-branca, lagartas e percevejos. Falhas no controle dentro de uma propriedade podem elevar a pressão sobre áreas vizinhas e aumentar o custo de toda a região produtora.
A destruição correta da soqueira e das plantas voluntárias reduz a disponibilidade de alimento e abrigo para o bicudo durante a entressafra. O cumprimento do vazio sanitário, associado ao monitoramento das lavouras e ao uso racional de defensivos, é considerado essencial para evitar o crescimento das populações resistentes.
Os debates sobre nematoides, doenças e plantas daninhas também ganham importância diante da sucessão entre soja, milho e algodão. Sem diagnóstico adequado, o produtor pode repetir culturas hospedeiras, aumentar a população de organismos presentes no solo e enfrentar perdas nas safras seguintes.
Na área de tecnologia, o congresso deverá apresentar aplicações de sensores, imagens, máquinas conectadas, inteligência artificial e sistemas de agricultura de precisão. Essas ferramentas podem melhorar a distribuição de sementes e fertilizantes, orientar aplicações localizadas e identificar falhas antes que elas comprometam parcelas maiores da lavoura.
O desafio é fazer com que a inovação produza retorno econômico. Em períodos de margem apertada, a adoção de uma tecnologia precisa considerar o custo por hectare, a capacidade da equipe, a compatibilidade entre equipamentos e o ganho efetivo de produtividade ou eficiência.
A programação científica contempla pesquisas em produção vegetal, nutrição, fisiologia, agricultura digital, controle de pragas, fitopatologia, nematologia, melhoramento genético, biotecnologia, colheita, beneficiamento e qualidade da fibra. Os trabalhos serão apresentados em formato digital, com espaço para reconhecimento de pesquisas desenvolvidas por estudantes, professores e profissionais do setor.
O encontro também aproxima o campo da indústria têxtil. Essa integração permite que o produtor compreenda quais características são valorizadas na fabricação de fios e tecidos e ajuda a indústria a acompanhar as condições enfrentadas nas lavouras.
O tema desta edição será “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. A proposta está relacionada à necessidade de diferenciar o produto brasileiro em um mercado no qual fibras naturais disputam espaço com materiais sintéticos e compradores cobram informações sobre origem, impactos ambientais e condições de produção.
Realizado a cada dois anos pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o congresso tornou-se o principal encontro técnico e comercial da cotonicultura nacional. A edição anterior, realizada em Fortaleza, reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países, 114 palestrantes, 62 patrocinadores e 288 trabalhos científicos.
Ao reunir pesquisa, produção, beneficiamento, exportação e indústria, o encontro em Belo Horizonte deverá mostrar que o próximo avanço da cotonicultura dependerá menos da simples expansão da área e mais da capacidade de produzir com eficiência, controlar custos, preservar a qualidade e atender às exigências dos compradores.
O 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado de 22 a 24 de setembro, no Expominas, localizado na Avenida Amazonas, 6.200, no bairro Gameleira, em Belo Horizonte. A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site oficial do evento.
Fonte: Pensar Agro
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