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DISPUTA TERRITORIAL

STF coloca frente a frente Pará e Mato Grosso em tentativa de acordo histórico

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Uma disputa territorial que atravessa mais de um século, envolve uma área de cerca de 22 mil quilômetros quadrados e movimenta interesses bilionários ligados ao agronegócio, à mineração e ao setor energético volta ao centro das atenções nacionais nesta quarta, 10, em Brasília. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, conduz uma audiência de conciliação entre os governos do Pará e de Mato Grosso na tentativa de encerrar definitivamente um dos mais antigos conflitos federativos do país.

A reunião está marcada para às 9h, na sede da Suprema Corte, em Brasília, e poderá representar o último esforço para uma solução consensual antes de um novo julgamento de mérito. Embora o STF já tenha decidido a controvérsia em favor do Pará em 2020, Mato Grosso voltou a questionar a delimitação territorial por meio de uma ação rescisória apresentada em 2023.

O caso mobiliza governadores, parlamentares, produtores rurais, prefeitos e órgãos federais, uma vez que qualquer alteração nos limites estaduais pode provocar impactos econômicos, fundiários e administrativos de grandes proporções. A governadora Hana Ghassan estará presente, em defesa do Estado do Pará.

A governadora já manifestou que  o Estado do Pará “não cederá um palmo das terras paraenses e que a audiência de conciliação serve para discutir efeitos práticos da decisão, não para rever os limites territoriais”.

Na comitiva que acompanha a governadora nesta quarta, está prevista a participação do presidente da Assembléia Legislativa do Pará, deputado Chicão entre outros parlamentares estaduais e federais.

Entenda a origem da disputa

A origem do impasse remonta ao início do século passado. Em 1900, Pará e Mato Grosso firmaram a chamada Convenção de Limites, homologada posteriormente pelo governo federal, estabelecendo o chamado Salto das Sete Quedas como marco geográfico extremo oeste da divisa entre os dois estados.

O problema surgiu em 1922, quando o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro — instituição que mais tarde daria origem aos levantamentos cartográficos oficiais incorporados pelo IBGE — elaborou a Primeira Coleção de Cartas Internacionais do Mundo utilizando como referência a Cachoeira das Sete Quedas.

Mato Grosso sustenta que houve um erro histórico de localização geográfica, o que teria deslocado a linha divisória e reduzido seu território. Já o Pará argumenta que Salto das Sete Quedas e Cachoeira das Sete Quedas são apenas denominações diferentes para o mesmo acidente geográfico.

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Decisão do STF e nova ação

STF tenta acordo em disputa centenária entre Pará e Mato Grosso sobre área de 22 mil km² Foto: Antonio Augusto/STF

A controvérsia foi levada ao Supremo em 2004, quando Mato Grosso ingressou com a Ação Cível Originária (ACO) 714. Durante a tramitação, uma liminar chegou a suspender novas regularizações fundiárias na faixa em disputa. A primeira decisão do Supremo Tribunal Federal favorável ao Pará na disputa territorial contra o Mato Grosso ocorreu em 28 de maio de 2020.

Na ocasião, o plenário virtual da Corte decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a ação movida pelo estado mato-grossense, e manteve a linha de fronteira fixada oficialmente em 1922. Mas o Estado do Mato Grosso voltou à carga em maio de 2023 com nova ação e sustenta que parte desse território teria sido incorporada indevidamente ao Pará durante a elaboração dos mapas oficiais do país em 1922, ou seja, há 104 anos. O centro da disputa está na identificação do marco geográfico conhecido como Salto das Sete Quedas, definido em convênio firmado entre os dois estados em 1900 como referência para a delimitação da fronteira.

O relator, ministro Marco Aurélio Mello, concluiu que as provas demonstravam não ter havido mudança de marco geográfico, mas apenas alteração de nomenclatura. Segundo a decisão, o acidente geográfico utilizado como referência na Convenção de 1900 era o mesmo que passou a ser identificado nos mapas modernos, a partir da década de 1950, como Cachoeira das Sete Quedas.

Com isso, o STF manteve a linha divisória historicamente reconhecida em favor do Pará, revogou a liminar que restringia a regularização fundiária na região e condenou Mato Grosso ao pagamento de honorários advocatícios de R$ 100 mil.

O que será discutido na audiência de conciliação

Apesar da decisão anterior, Mato Grosso voltou à Corte em 2023 por meio de uma ação rescisória. Diante da relevância econômica e social do tema, Flávio Dino convocou uma audiência de conciliação para ouvir os envolvidos e avaliar a possibilidade de um acordo.

O cronograma prevê manifestações dos Executivos e Legislativos dos dois estados, além de espaço para esclarecimentos técnicos e parecer final da Procuradoria-Geral da República.

Em despacho, o ministro Flávio Dino deixou claro que a audiência não servirá para rediscutir os fundamentos jurídicos já analisados pelo Supremo, mas para avaliar aspectos práticos e buscar uma solução negociada.Municípios paraenses podem ser afetados

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Impactos para os municípios paraenses

A área contestada equivale aproximadamente ao território do estado de Sergipe e alcança uma das regiões mais estratégicas da Amazônia Legal. Do lado paraense, seis municípios podem ser diretamente impactados por uma eventual alteração da divisa: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia

A preocupação das autoridades locais vai além da questão territorial. A região abriga importantes áreas de produção de soja, milho e pecuária, além de corredores logísticos e recursos naturais estratégicos. Uma eventual mudança nos limites estaduais poderia provocar perda de arrecadação de impostos, royalties e transferências constitucionais para os municípios paraenses.

Também existe preocupação com a situação de milhares de propriedades rurais, títulos fundiários e licenças ambientais emitidos sob a jurisdição do Pará ao longo das últimas décadas. Especialistas apontam que uma redefinição territorial poderia gerar um cenário de insegurança jurídica para produtores rurais, investidores e moradores da região.

Outro ponto sensível envolve o potencial energético da área, cortada por importantes bacias hidrográficas da Amazônia e próxima de empreendimentos hidrelétricos estratégicos para o sistema elétrico nacional.Clima político de tensão

Cenário político e alternativas

Nos últimos meses, o debate ganhou contornos políticos mais intensos. Autoridades paraenses afirmam que o território já foi reconhecido judicialmente pelo STF e defendem a manutenção integral da área sob administração do estado.

Por outro lado, representantes de Mato Grosso alegam que o estado presta assistência em saúde, educação e infraestrutura para parte das comunidades localizadas na região contestada e defendem a revisão dos limites.

Entre as alternativas apresentadas está a proposta de realização de um plebiscito com os moradores da área em disputa, ideia defendida por lideranças políticas mato-grossenses como forma de solucionar o impasse fora do campo judicial.

Caso haja consenso, o acordo poderá ser homologado pelo STF, encerrando definitivamente uma disputa iniciada há mais de 120 anos. Se não houver entendimento, caberá novamente ao Supremo dar a palavra final sobre os limites entre os dois estados e sobre o futuro de uma das regiões economicamente mais valiosas da Amazônia brasileira.

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Três homens são presos com cocaína e dinheiro durante abordagem policial no Marajó

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Foto: Reprodução

Três homens foram presos neste sábado (10), pela Polícia Militar, em Muaná, no Arquipélago do Marajó, suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Com o trio, os agentes apreenderam porções de cocaína, além de dinheiro em espécie, aparelhos celulares e outros objetos.

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De acordo com a Polícia MIlitar, a abordagem ocorreu durante rondas ostensivas na estrada do Mocajatuba, nas proximidades da entrada da rodagem. Segundo informações da ocorrência, os policiais observaram os três homens em atitude suspeita no interior de um bar e decidiram realizar a abordagem.

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Durante a revista pessoal, os agentes encontraram com um dos suspeitos aproximadamente 13 gramas de uma substância semelhante à cocaína. De acordo com informações preliminares, o material poderia ser fracionado em cerca de 20 porções, com valor estimado de comercialização de R$ 1.300.

Também foram apreendidos R$ 175 em dinheiro, um aparelho celular e outros objetos. Com os outros dois abordados, os policiais encontraram dois aparelhos celulares, um cordão do tipo bijuteria e uma motocicleta de cor preta.

Ainda conforme o registro policial, um dos suspeitos já havia sido abordado pela mesma guarnição na madrugada do dia 9 de outubro, na estrada Pedro Ferreira, quando foram encontradas cinco porções de substância análoga à cocaína, totalizando aproximadamente quatro gramas. Na ocasião, ele foi conduzido à Delegacia de Polícia para os procedimentos cabíveis.

Após a nova abordagem, os três homens foram encaminhados à Delegacia de Polícia, juntamente com o material apreendido, para apresentação à autoridade policial e adoção das medidas legais.

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O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes.

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