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Café: clima favorável no Brasil e safra asiática trazem alívio ao mercado, aponta Itaú BBA

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Mercado global de café reage a mudanças climáticas e comerciais

O Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresentou uma análise detalhada sobre o mercado global de café. Segundo o documento, o setor vive um momento de ajuste e alívio, influenciado por condições climáticas mais favoráveis no Brasil, avanço da colheita na Ásia e retirada das tarifas americanas sobre o café verde brasileiro.

Apesar disso, as exportações seguem limitadas pela menor produção de arábica. Os preços dessa variedade tiveram uma leve alta, enquanto o robusta apresentou queda, pressionado pelo aumento da oferta no Vietnã — principal produtor mundial da espécie.

Exportações brasileiras seguem abaixo do esperado

Mesmo com o fim das tarifas dos Estados Unidos sobre o café verde brasileiro, válido desde a segunda quinzena de novembro, o mês encerrou com embarques de 3,58 milhões de sacas, volume 27% inferior ao de novembro de 2024.

De acordo com o Itaú BBA, a oferta disponível para exportação até o fim do atual ano-safra (junho de 2025) deve se manter em torno de 3,5 milhões de sacas por mês, volume mais baixo que o registrado no ciclo anterior devido à menor produção de arábica 2025/26.

Ainda assim, o banco espera melhora gradual na demanda americana, impulsionada pelos baixos estoques de passagem.

Arábica sobe levemente, enquanto robusta recua

Entre o início de novembro e 12 de dezembro, os preços do arábica tiveram alta de 1,3%, com o vencimento de março de 2026 cotado a US$ 3,7 por libra-peso e o dezembro de 2027 a US$ 3/lp.

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No mercado internacional, o robusta negociado em Londres caiu 8,9%, reflexo da safra mais volumosa no Vietnã, onde, apesar das fortes chuvas, não houve registro de perdas significativas.

Chuvas irregulares, mas promissoras para a próxima safra

No Brasil, as chuvas nas regiões cafeeiras foram irregulares, mas o cenário geral é considerado positivo para o desenvolvimento das lavouras. No Cerrado, houve melhora significativa entre novembro e dezembro; já no Sul de Minas, o início de dezembro foi mais seco, embora o pegamento das floradas tenha sido satisfatório.

As previsões indicam chuvas consistentes em todas as regiões produtoras na segunda quinzena de dezembro, o que pode favorecer o enchimento dos grãos e garantir bom desempenho produtivo em 2026.

EUDR adiada e clima favorável trazem alívio ao setor

Os últimos 40 dias trouxeram um cenário de alívio para o mercado de café, segundo o Itaú BBA. O conjunto de fatores positivos inclui:

  • Condições climáticas favoráveis no Brasil e no Vietnã;
  • Retirada das tarifas americanas para o café verde;
  • Maior oferta de robusta na Ásia;
  • Prorrogação das exigências da EUDR (Regulamento Europeu de Desmatamento Zero) por mais um ano.
Perspectivas para o arábica e robusta em 2026/27

A consultoria projeta que, mantido o clima favorável, a produção brasileira de arábica deve se recuperar no próximo ciclo, ampliando o superávit global entre produção e consumo em cerca de 7 milhões de sacas até 2026/27.

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O adido do USDA no Brasil revisou suas projeções para a safra 2025/26, reduzindo o arábica de 40,9 para 38 milhões de sacas, e elevando o robusta de 24,1 para 25 milhões, totalizando 63 milhões de sacas — número próximo à estimativa do Itaú BBA, de 38,7 milhões de arábica e 24,1 milhões de robusta.

Para 2026, o banco espera forte recuperação do arábica e estabilidade a leve queda no robusta, o que deve aliviar o cenário de oferta limitada e permitir maior volume de exportações a partir do segundo semestre de 2026.

Projeções climáticas indicam boas condições

Os modelos climáticos norte-americanos apontam que o primeiro trimestre de 2026 deve registrar chuvas próximas à média histórica nas regiões cafeeiras, com anomalias ligeiramente negativas. Caso o cenário se confirme, o período garantirá condições adequadas para o enchimento dos grãos e consolidação da recuperação produtiva do arábica.

Oportunidades no mercado futuro

Apesar do formato invertido da curva de preços futuros, o Itaú BBA destaca boas oportunidades de fixação de contratos, inclusive nos vencimentos mais longos.

Combinados ao carrego positivo da curva de câmbio, os valores futuros seguem acima dos custos de produção, representando alternativas atrativas de hedge e rentabilidade para produtores e exportadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita do café chega a 84% apesar do atraso provocado pelo clima

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A colheita da safra brasileira de café chegou a 84% da produção estimada, mas está atrasada em relação aos anos anteriores. Em igual período de 2025, 94% do volume já havia sido retirado das lavouras. A média dos últimos cinco anos para esta época é de 90%. O avanço foi de seis pontos porcentuais em uma semana, favorecido pelo retorno do tempo seco às principais regiões produtoras.

O atraso está concentrado no café arábica, que representa a maior parte da produção de Minas Gerais. A colheita da variedade alcançou 77%, ante 91% no mesmo período do ano passado e média histórica de 85%.

No caso do canéfora, grupo que reúne conilon e robusta, os trabalhos estão praticamente concluídos. A colheita atingiu 99%, resultado semelhante ao de 2025 e ligeiramente superior à média de 98% dos últimos cinco anos.

Minas Gerais concentra a maior parte da produção brasileira de arábica e deverá colher 33,4 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa praticamente metade das 66,7 milhões de sacas previstas para o País.

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A estimativa mineira é 29,8% superior à da temporada anterior. O aumento foi favorecido pelo ciclo de bienalidade positiva dos cafezais e pelas condições climáticas registradas antes da floração e durante a formação dos grãos.

As chuvas fora de época, porém, prejudicaram a retirada do café das lavouras e a secagem nos terreiros. O excesso de umidade também aumentou a queda de frutos no solo, o que pode comprometer a qualidade de parte dos lotes e reduzir a disponibilidade de cafés de melhor bebida.

O problema atingiu principalmente áreas do Sul de Minas, maior região produtora de arábica do País. O tempo seco dos últimos dias permitiu a retomada dos trabalhos, mas não eliminou o atraso acumulado.

A entrada mais lenta do café novo mantém o mercado atento à oferta brasileira. Os estoques certificados na Bolsa de Nova York permanecem baixos, o que aumenta a reação das cotações a qualquer problema climático ou sinal de perda de qualidade.

A Conab estima que o Brasil produza 45,8 milhões de sacas de arábica em 2026, crescimento de 28% sobre o ano anterior. Para o canéfora, a previsão é de 20,9 milhões de sacas, alta de 0,8%.

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Nas próximas semanas, o produtor deverá concentrar esforços na conclusão da colheita e na secagem dos grãos. Em Minas Gerais, a qualidade dos lotes será decisiva para determinar quanto da safra maior conseguirá alcançar os mercados que pagam mais pelo café.

Fonte: Pensar Agro

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