AGRONEGÓCIO
Exportações de soja de Mato Grosso registram recorde para fevereiro e refletem avanço da colheita
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As exportações de soja de Mato Grosso alcançaram nível recorde para o mês de fevereiro de 2026, impulsionadas pelo avanço da colheita da safra 2025/26 e pela demanda internacional pela oleaginosa brasileira. O desempenho reforça a posição do estado como principal polo produtor e exportador de soja do país.
Além dos fatores produtivos e logísticos, o cenário macroeconômico também segue no radar do mercado. O Banco Central do Brasil acompanha o comportamento do câmbio e das condições financeiras globais, variáveis que influenciam diretamente a competitividade das commodities agrícolas brasileiras no comércio internacional.
Exportações crescem com avanço da colheita no estado
Com a intensificação da colheita da safra 2025/26, Mato Grosso ampliou significativamente o volume de soja disponível para comercialização e exportação no início do ano.
Historicamente, os embarques da oleaginosa se concentram entre janeiro e abril, período em que o Brasil passa a dominar a oferta global após o término da safra norte-americana. Nesse contexto, a produção mato-grossense tem papel estratégico no abastecimento do mercado internacional.
O avanço da colheita e a forte demanda externa contribuíram para elevar os embarques do estado, resultando em novo recorde para o mês de fevereiro.
Comercialização da safra 2025/26 já supera metade da produção
De acordo com o boletim semanal divulgado em 9 de março pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a comercialização da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso atingiu 56,58% da produção estimada até o início de março.
O percentual representa avanço em relação ao levantamento anterior, quando as vendas estavam em 49,49%, além de superar o registrado no mesmo período do ano passado, quando 54,97% da safra já havia sido negociada.
Segundo o instituto, o ritmo de comercialização tem sido sustentado pela demanda internacional e pelas oportunidades de preços no mercado futuro.
Safra 2024/25 já está totalmente comercializada
O levantamento do instituto também mostra que a safra 2024/25 de soja em Mato Grosso já está totalmente comercializada, indicando forte escoamento da produção anterior.
Além disso, o mercado já registra negócios envolvendo a próxima temporada. A safra 2026/27 possui 3,96% da produção comprometida, sinalizando movimentações antecipadas de produtores e tradings em busca de proteção de preços.
Mato Grosso segue como principal origem das exportações brasileiras
Com grande volume de produção e estrutura logística voltada ao escoamento de grãos, Mato Grosso mantém posição de destaque no comércio exterior brasileiro.
O estado responde por parcela significativa das exportações nacionais de soja, desempenho que tem sido sustentado pela expansão da área cultivada, ganhos de produtividade e investimentos em infraestrutura de transporte.
A combinação desses fatores permite que a soja mato-grossense chegue de forma competitiva aos mercados internacionais, especialmente na Ásia, principal destino da commodity brasileira.
Câmbio e cenário global seguem influenciando exportações
O desempenho das exportações também está diretamente ligado ao comportamento do câmbio. A cotação do dólar frente ao real influencia a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Nesse contexto, o Banco Central do Brasil mantém monitoramento constante das condições econômicas globais, da inflação e do fluxo de capitais, fatores que impactam o mercado cambial e, consequentemente, as exportações de commodities agrícolas.
Demanda internacional e logística devem sustentar embarques
Com a colheita avançando em Mato Grosso e o Brasil assumindo protagonismo na oferta global de soja neste período do ano, a expectativa do mercado é de manutenção de volumes elevados de exportação ao longo dos próximos meses.
A combinação entre produção robusta, demanda externa consistente e logística voltada ao escoamento da safra tende a manter a oleaginosa brasileira em posição estratégica no comércio mundial de grãos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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