AGRONEGÓCIO
Tecnologia embarcada fortalece agricultura e ajuda produtores a enfrentar mudanças climáticas
AGRONEGÓCIO
As mudanças climáticas vêm impondo novos desafios ao agronegócio brasileiro. Fenômenos como secas prolongadas, chuvas intensas concentradas em curtos períodos e oscilações bruscas de temperatura têm impactado diretamente a produtividade das lavouras e exigido maior capacidade de adaptação dos produtores rurais.
Nesse cenário, a tecnologia embarcada nas máquinas agrícolas tem se consolidado como uma importante ferramenta para aumentar a eficiência das operações e fortalecer a resiliência das propriedades rurais. Soluções baseadas em agricultura de precisão, automação e conectividade permitem uma gestão mais estratégica dos recursos, contribuindo para minimizar os efeitos das adversidades climáticas.
Entre os principais recursos disponíveis estão os sistemas de piloto automático, telemetria, monitoramento remoto, controle de seções e aplicação em taxa variável. Essas tecnologias possibilitam que cada operação seja realizada de forma mais precisa, considerando as características específicas de cada área da propriedade.
Com isso, os produtores conseguem reduzir sobreposições, evitar falhas operacionais e otimizar o uso de insumos, promovendo ganhos tanto em produtividade quanto em rentabilidade.
Eficiência no uso de recursos e sustentabilidade
Além dos benefícios econômicos, a adoção de tecnologias embarcadas também contribui para uma agricultura mais sustentável. A aplicação precisa de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas reduz desperdícios e favorece o uso racional dos recursos naturais, fator cada vez mais relevante diante da crescente pressão por sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.
A integração entre máquinas e plataformas digitais permite ainda o monitoramento contínuo das operações, gerando informações valiosas para a tomada de decisões e o planejamento das próximas safras.
Os dados coletados em campo ajudam os agricultores a identificar oportunidades de melhoria, corrigir gargalos operacionais e antecipar estratégias de manejo, ampliando a capacidade de resposta diante de condições climáticas adversas.
Inteligência de dados ganha protagonismo no campo
De acordo com Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, a tecnologia desempenha papel fundamental na adaptação da agricultura aos desafios climáticos atuais.
Segundo ele, as ferramentas digitais transformam informações operacionais em inteligência estratégica, permitindo maior controle sobre as atividades agrícolas.
“As tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas permitem transformar dados em inteligência, ajudando a otimizar recursos, aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos ao longo de todo o ciclo produtivo”, destaca.
O executivo ressalta que recursos como aplicação em taxa variável, piloto automático e monitoramento remoto se tornaram elementos estratégicos para aumentar a sustentabilidade e a competitividade das propriedades rurais.
“Quando utilizamos essas tecnologias, conseguimos produzir de forma mais eficiente, reduzir desperdícios e aproveitar melhor cada janela operacional. Isso gera benefícios econômicos ao produtor e fortalece a capacidade de adaptação da atividade agrícola diante das mudanças climáticas”, afirma.
Soluções conectadas ampliam capacidade de adaptação
A Massey Ferguson tem ampliado seus investimentos em soluções digitais voltadas à gestão agrícola. A integração entre máquinas, plataformas de monitoramento e ferramentas de agricultura de precisão oferece aos produtores uma visão mais completa da operação, facilitando decisões rápidas e estratégicas.
Para o setor, a tendência é que a transformação digital continue ganhando espaço como uma das principais aliadas da produção agrícola moderna.
“Quanto mais informações o produtor tiver sobre sua operação, maior será sua capacidade de se adaptar às condições climáticas, preservar recursos e manter elevados níveis de produtividade”, conclui Zanetti.
Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, especialistas apontam que a combinação entre tecnologia, conectividade e análise de dados será cada vez mais determinante para garantir competitividade, sustentabilidade e segurança produtiva no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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