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AÇÃO NA JUSTIÇA

MPF pede anulação do contrato bilionário de créditos de carbono do Pará e multa de R$ 200 milhões

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COP 30

Foto: Giaccomo Voccio/g1

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça Federal, nesta terça-feira (3), pedindo a suspensão imediata e a anulação do contrato internacional de compra e venda de créditos de carbono firmado entre o estado do Pará e uma coalizão de governos estrangeiros e multinacionais.

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O órgão também solicita que o Pará seja temporariamente impedido de receber pagamentos do mercado de carbono até que o sistema estadual de comercialização seja aprovado conforme a legislação brasileira.

A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido de liminar. Em nota, a Companhia de Ativos Ambientais e Participações do Pará (CAAP) emitiu nota afirmando que “o contrato firmado é um pré-acordo que define condições comerciais futuras, sem realizar transação efetiva ou gerar obrigação de compra”.

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Já o Governo disse que “vem construindo o Sistema Jurisdicional de REDD+ com transparência e participação social. – (veja os posicionamentos completos ao final da reportagem).

Venda antecipada e falta de consulta

Segundo o MPF, o contrato representa uma venda antecipada de créditos de carbono, prática proibida pela lei que regula o mercado de carbono no Brasil.

Outro ponto destacado na ação é a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos e comunidades tradicionais antes da assinatura e da definição de preços dos créditos.

Para o MPF, essa falta de diálogo viola direitos garantidos por convenções internacionais e pela legislação nacional.

A ação foi movida contra a União, o Estado do Pará e a Companhia de Ativos Ambientais e Participações do Pará (Caapp).

O MPF também pede que a União seja impedida de autorizar o Pará a atuar diretamente com certificadoras internacionais até que o sistema estadual esteja adequado às exigências legais.

Danos morais coletivos

O MPF solicita ainda que o estado do Pará seja condenado a pagar R$ 200 milhões por danos morais à sociedade.

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O valor, segundo o órgão, se justifica pela comercialização antecipada de recursos ambientais provenientes de territórios de povos e comunidades tradicionais, sem a realização da consulta obrigatória.

O contrato também prevê ressarcimento à instituição coordenadora da coalizão internacional em caso de questionamentos legais, o que, para o MPF, agrava a situação.

Pressão antes da COP 30

Na ação, o MPF alerta para a pressa do governo do Pará em aprovar o sistema estadual de mercado de carbono antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), prevista para ocorrer em Belém.

Segundo o órgão, essa urgência tem gerado pressão sobre indígenas e comunidades tradicionais, que ainda não compreendem totalmente a proposta e o funcionamento do mecanismo.

O MPF argumenta que as consultas estão sendo realizadas de forma apressada e sob pressão, o que pode causar prejuízos concretos, como divisões internas e desrespeito à autonomia das comunidades.

Para os procuradores, o início das consultas sem as devidas cautelas e sob um contrato considerado nulo perpetua o dano moral.

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COP 30

Pará discute cadeia produtiva, inovação e mercado global do cacau na COP 30

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A produção do ‘Cacau amazônico: inovação, conservação e mercado global’ foi tema de um painel que reuniu representantes de órgãos ligados à agricultura do Pará, Acre e Amapá, no estande do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém, na quinta-feira (20).

O diretor de Comunidades Tradicionais e Comercialização da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf), Anderson Serra, representou o Pará na discussão e destacou que o estado já tem cerca de 150 fábricas de chocolate da agricultura familiar e que muitas famílias descobriram como produzir amêndoas de alta qualidade, inclusive, algumas já são reconhecidas, com prêmios nacionais e internacionais.

Anderson frisou iniciativas paraenses que devem servir de inspiração e ampliadas, por serem boas experiências de sistemas agroflorestais que impactam além da questão econômica, com benefícios sociais e ambientais.

“Assim, a cacauicultura vai continuar colaborando com o incremento de renda, com paisagens mais diversificadas, com a recuperação de áreas degradadas, em agrofloresta, consolidando a conservação da biodiversidade e capturando carbono”, pontuou o diretor.

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Legislação para proteger a lavoura
Marta Silva, coordenadora da Fundação Viver, Produzir e Preservar que atua no apoio a agricultores familiares na região da Transamazônica, também participou do painel e afirmou que a economia criativa tomou força e o cacau tem sido escolhido como estratégia de produção com muitas possibilidades.

“O cacau possibilita a economia circular, ele possibilita uma estratégia organizativa das pessoas que, para além do individual, é uma cultura que traz a interação com outras culturas”, disse Marta Silva. Ela defendeu o reconhecimento do cacau como economia circular e a proteção da lavoura pela legislação, em caso de perda total em situações de desastre.

Também participaram da discussão Marcelo Carin, pesquisador do Instituto de Pesquisas Científicas do Amapá (IEPA) e da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR); José Raul dos Santos Guimarães, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac); e Marcos Rocha, chefe da Divisão de Produção Familiar e coordenador do Programa Estadual do Cacau da Secretaria de Agricultura do Acre, com o debate mediado pelo secretário Executivo do Consórcio Amazônia Legal (CAL), Marcello Brito.

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Marcelo Carin, disse que o cacau tem nichos específicos espalhados pela Amazônia. “Nós adotamos isso como estratégia mercadológica. Nós temos cooperativas que estão funcionando”, comentou Carin, que ressaltou a importância do cacau para o PIB amazônico.

Maior produtor
O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e é referência mundial no cultivo em sistema agroflorestal (SAF). Medicilândia, no sudoeste do Estado, é o município com a maior produção de amêndoas de cacau do país.

Fonte: Governo PA

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