Educação
PNLD EJA volta às escolas em 2026
Educação
O reencontro com o livro didático marca, para milhares de estudantes da educação de jovens e adultos (EJA), a retomada de trajetórias interrompidas e o fortalecimento de novos projetos de vida. Após mais de dez anos sem chegar de forma sistemática às escolas públicas, o Programa Nacional do Livro e do Material Didático voltado à EJA (PNLD EJA) foi retomado e, neste ano, já beneficia 13.914 escolas em todo o Brasil.
Executado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o PNLD EJA assegura a avaliação pedagógica, a aquisição e a distribuição de materiais didáticos e literários específicos para a modalidade. As obras foram selecionadas com base em critérios técnicos e pedagógicos, orientadas pelas diretrizes curriculares da EJA.
A iniciativa representa a reconstrução de uma política pública essencial para a garantia do direito à educação de jovens, adultos e idosos. Além de contribuir para a melhoria da aprendizagem, a retomada fortalece a autoestima dos estudantes e reafirma o direito à escolarização ao longo da vida. De acordo com dados do Relatório do Status de Escolha – Edital PNLD EJA 2026–2029, 13.914 escolas finalizaram o cadastro no Censo Escolar, etapa necessária para o recebimento das obras didáticas. O número evidencia o alcance nacional da política, que não era executada plenamente desde 2014.
Para as redes de ensino, a retomada do programa representa um ganho pedagógico significativo. Com materiais atualizados e adequados às trajetórias dos estudantes da EJA, as escolas fortalecem o planejamento pedagógico, ampliam as possibilidades de aprendizagem e contribuem para a permanência dos educandos, muitos deles trabalhadores que retornam à sala de aula após longos períodos de afastamento.
Na prática, o impacto já é percebido por professores. A coordenadora pedagógica Tayanne Freitas, do Centro Educacional 2 de Taguatinga (DF), destaca a importância do material para o cotidiano escolar. “Hoje eu vejo o quanto essa política pública é significativa para nós, professores da EJA. Muitas vezes, precisamos investir muito tempo registrando conteúdos no quadro branco e lidando com diferentes ritmos de cópia por parte dos estudantes. O material impresso qualificado contribui significativamente para a organização do tempo pedagógico: a aula flui melhor, conseguimos propor mais atividades, acompanhar mais de perto as dificuldades e avançar nas discussões”, afirma.
Segundo ela, a retomada representa também um reconhecimento histórico da modalidade. “Vejo essa retomada como um avanço muito importante. É uma política que garante acesso ao material, fortalece a EJA e demonstra um cuidado maior com essa modalidade, que por muito tempo ficou em segundo plano. Para nós, é um passo significativo na valorização do ensino e dos nossos estudantes”, ressalta.
Entre os diferenciais das novas obras, a coordenadora aponta aspectos que dialogam diretamente com o perfil dos estudantes. “No livro de Alfabetização e Matemática – Volume 2, que vai atender o 1º segmento, Etapas 3 e 4, eu destaco a fonte maior, que facilita bastante a leitura. Isso faz diferença, principalmente para quem está retomando os estudos depois de muito tempo”, observa.
Além de apoiar o trabalho docente, os materiais do PNLD EJA contribuem para a redução das desigualdades educacionais e para a valorização da diversidade dos sujeitos da modalidade, respeitando contextos territoriais, culturais e sociais distintos. A política também se articula a outras ações estruturantes do Ministério da Educação voltadas à alfabetização e à elevação da escolaridade.
Mais do que a entrega de livros, a volta do PNLD EJA às escolas simboliza a retomada de uma política pública estratégica, voltada à qualidade do ensino, à valorização dos educadores e à garantia do direito à educação de milhões de brasileiros que tiveram seu percurso escolar interrompido.
PNLD – O Programa Nacional do Livro e do Material Didático compreende um conjunto de ações voltadas à distribuição de obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre outros materiais de apoio à prática educativa, para alunos e professores de escolas públicas de educação básica do país. As escolas participantes do PNLD recebem materiais de forma sistemática, regular e gratuita.
As obras são produzidas por editoras, e os critérios obrigatórios das produções são publicados em edital. Os materiais de cada etapa de ensino se renovam a cada quatro anos (a cada ano, é uma etapa diferente que muda). Especialistas da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC avaliam e aprovam ou não as obras de acordo com as características exigidas e os critérios de qualidade. Em seguida, a lista fica disponível para escolha dos profissionais nas escolas.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
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