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ANÁLISE

Pará corre risco com suspensão da carne brasileira pela União Europeia? Setor explica

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A suspensão das exportações de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia, que passou a valer nesta quinta-feira, 3, não deve provocar impacto direto na cadeia da carne bovina do Pará. A avaliação é de Daniel Freire, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado do Pará (Sindicarne).

Em entrevista ao DIÁRIO, Freire destacou que o Pará não possui habilitação para exportar carne bovina ao mercado europeu. Por isso, apesar da repercussão nacional da decisão, o bloqueio imposto pela União Europeia não atinge diretamente os frigoríficos paraenses que atuam no comércio internacional.

China é o principal destino da carne bovina paraense

Segundo ele, a China continua sendo o principal destino da carne bovina produzida no Pará. “O Pará não é habilitado para exportar carne bovina para a UE. Nosso maior destino é a China. Aliás, nós também não somos habilitados para exportar carne para os Estados Unidos, Chile e México”, afirmou Daniel Freire.

O presidente do Sindicarne também ressaltou que, mesmo no cenário nacional, a participação da União Europeia nas exportações brasileiras de carne bovina é relativamente pequena. “Do Brasil, a União Europeia é destino de menos de 6% do total de carne exportada”, tranquilizou.

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Exigências sanitárias e competitividade

A suspensão das exportações brasileiras para o bloco europeu envolve uma série de produtos de origem animal, como carne bovina, frango, carne suína, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.

A medida está relacionada às exigências sanitárias da legislação europeia, especialmente sobre o controle do uso de determinados antimicrobianos na produção animal.

Daniel Freire explicou que o debate não envolve, necessariamente, a identificação de irregularidades específicas na produção brasileira. Segundo ele, a União Europeia exige garantias adicionais do governo brasileiro sobre substâncias proibidas pelo bloco.

“Na realidade, a UE está pedindo que o Brasil prove que não usa certos produtos que promovam o crescimento e alguns antibióticos, que são proibidos pela legislação. Mas eles querem garantias do governo de que isso não é utilizado”, afirmou.

Sobre a situação do Pará, Freire defendeu que a pecuária paraense possui características que colocam o estado em posição competitiva no mercado internacional.

“A pecuária do Pará e do Brasil é exemplo para o mundo. Produzimos o ‘boi de capim’, orgânico e sem utilização de drogas que são permitidas em outros países, como os Estados Unidos e até em outras proteínas”, declarou.

O presidente do Sindicarne também associou a produção pecuária do estado às práticas de sustentabilidade e governança socioambiental.

“O Pará também lidera os índices de governança socioambiental. Produzimos em menos de 16% de nosso território”, acrescentou.

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Independência de mercados e vantagens do Brasil

A suspensão europeia também levantou dúvidas sobre uma possível repercussão em outros mercados consumidores da carne brasileira. Para Daniel Freire, no entanto, não há motivo para relacionar a decisão da União Europeia com as exportações do Pará para a China.

“São acordos totalmente independentes. Percebe-se que, nesse caso, isso é talvez um preciosismo da UE, que muitas vezes pode até ser entendido como uma espécie de protecionismo”, avaliou.

Freire afirmou ainda que o Brasil mantém vantagens competitivas importantes na produção de proteína animal.

“De novo, o Brasil produz muito, com muita qualidade e bem mais barato que o resto do mundo”, disse.

A União Europeia importou, em 2025, cerca de US$ 1,8 bilhão em produtos de origem animal do Brasil, volume equivalente a aproximadamente 368,1 mil toneladas, segundo dados do comércio exterior do agronegócio brasileiro.

No caso específico da carne bovina, dados do setor mostram que a China concentra uma parcela muito superior das exportações brasileiras em comparação com o mercado europeu.

Para o Pará, que aparece entre os principais estados exportadores de carne bovina do país, o cenário reforça a importância da diversificação dos mercados e, principalmente, da relação comercial com países asiáticos.

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Embarcação com 60 búfalos naufraga em Soure e animais morrem afogados

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Foto: TV Liberal

Uma embarcação que transportava 60 búfalos naufragou em Soure, no arquipélago do Marajó, no Pará. Segundo boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, todos os animais morreram no acidente.

A carga seria levada para Belém. Dois homens que estavam no barco conseguiram se salvar.

O naufrágio ocorreu na quinta-feira (3) e a Polícia Civil informou nesta sexta-feira (4) que a Delegacia de Soure investiga o que aconteceu. A ocorrência foi comunicada à Capitania dos Portos, que também deve apurar o caso.

Os animais eram transportados até Belém, onde seriam entregues a uma cooperativa da indústria pecuária. O transporte era feito pela embarcação denominada “Arca da Aliança”, segundo o registro policial.

De acordo com o boletim de ocorrência, os 60 búfalos foram inicialmente embarcados no cais da Fazenda São Lourenço, em Soure, por volta das 14h17. O documento informa que 40 animais pertenciam à Fazenda São Lourenço e outros 20 ao homem que registrou a ocorrência. A carga foi avaliada em R$ 250.750.

Ainda segundo o registro policial, após essa etapa do transporte, os animais seguiram em direção à Fazenda São Sebastião. Parte do trajeto foi feita a nado e outra parte por terra.

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Ao chegar à região do Igarapé São Sebastião, os búfalos foram colocados na embarcação “Arca da Aliança”, contratada para realizar o transporte fluvial. Segundo o boletim, o barco começou a afundar após o embarque dos animais, por causas ainda desconhecidas.

Os dois tripulantes que estavam na embarcação conseguiram retornar à Fazenda São Sebastião, de acordo com o relato registrado na delegacia. O boletim informa que os 60 búfalos morreram e que houve perda total da carga.

Representantes dos proprietários da carga também encaminharam uma comunicação formal à autoridade marítima pedindo a apuração do acidente, preservação da embarcação e realização de inspeção e perícia. No documento, eles relatam ainda a permanência das carcaças dos animais junto à embarcação e pedem providências diante de possíveis riscos ambientais, sanitários e à segurança da navegação.

Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre o que provocou o naufrágio. A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação.

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