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AVANÇA PARÁ

Banco Mundial aprova R$ 1,4 bilhões para o Estado investir no Marajó

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MARAJÓ

Foto: Arquivo/Agência Pará

O Programa Avança Pará, do governo do Estado, que prevê ações em assistência social, combate à fome, aceleração da aprendizagem e redução do desmatamento, priorizando a região do Arquipélago do Marajó, mas que recebe críticas de parte dos marajoaras, teve recursos de US$ 280 milhões (R$ 1,4 bilhão na cotação atual) aprovados pelo Conselho de Administração do Banco Mundial, sediado em Washington, D.C., nos Estados Unidos.

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As ações do Programa, que serão executadas pelas secretarias de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), de Educação (Seduc) e de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), visam à redução de famílias em estado de insegurança alimentar e do percentual de crianças não alfabetizadas, e ainda intensificar a proteção da floresta amazônica.

“Estamos profundamente gratos e animados com a aprovação do investimento de 280 milhões de dólares pelo Banco Mundial para o Programa Avança Pará, uma iniciativa transformadora. Este projeto multissetorial não apenas fortalecerá nossos programas sociais, ampliando o acesso à educação de qualidade e à segurança alimentar, mas também reforçará o compromisso com a proteção ambiental e a sustentabilidade em uma das regiões mais vitais do planeta. É um passo significativo em direção ao desenvolvimento humano sustentável, que respeita e preserva a rica diversidade cultural e natural, fomentando uma economia mais inclusiva e resiliente em todo o Pará”, disse o governador do Pará, Helder Barbalho.

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Na frente ambiental, o Programa apoiará o “Bolsa Floresta”, nova estratégia de transferência de renda que pretende beneficiar 12 mil famílias moradoras de territórios coletivos no Estado, como áreas protegidas, assentamentos da reforma agrária agroecológica e comunidades tradicionais, incluindo as quilombolas.

Inclusão produtiva

A iniciativa ajudará a desenvolver um sistema de gestão estadual para monitorar e promover a segurança alimentar e apoiar o Programa Renda Marajó, de transferência de renda, além de iniciativas de inclusão produtiva voltadas aos mais vulneráveis.

Na educação, o “Avança Pará” expandirá o “Alfabetiza Pará”, programa de alfabetização infantil; implementará políticas de aceleração da aprendizagem no ensino médio, inclusive na educação ambiental, e apoiará a construção e reforma de escolas. Além disso, proporcionará capacitação para microempreendedores, especialmente aqueles que se dedicam à preservação florestal.

O Programa também promoverá a conectividade digital para ajudar as comunidades a acessar a internet, impulsionar negócios da bioeconomia em áreas rurais e modernizar os sistemas para combater o desmatamento local, além de financiar atividades relacionadas à COP 30, conferência mundial sobre mudanças climáticas, que ocorrerá em novembro de 2025, em Belém, para aumentar o envolvimento das comunidades locais com o evento.

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“Ao aumentar a produtividade, reduzir as vulnerabilidades e aumentar os retornos da conservação da floresta, este projeto ajudará a colocar o Pará em uma trajetória de desenvolvimento mais sustentável”, frisou Johannes Zutt, diretor do Banco Mundial para o Brasil.

Desenvolvimento sustentável

Mauro O’de Almeida, secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, afirmou que as ações do “Avança Pará” têm como objetivo, sobretudo, contribuir com o desenvolvimento social sustentável. “Este programa vem para que possamos fortalecer a presença do Estado, sobretudo no Marajó, mas em todas as regiões, contribuindo com a melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Para isso, seremos estratégicos ao fomentar a bioeconomia, levar internet, fazer transferência de renda através do Bolsa Floresta, associando diferentes estratégias para atingir esse objetivo”, enfatizou.

Sobre a aprovação, o titular da Semas celebrou o avanço e informou que as negociações continuam. “Este é um avanço nas negociações para o financiamento dos recursos e, agora, as tratativas seguirão junto ao Governo Federal e ao Banco Mundial para que possamos concluir esse processo”, informou.

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Artesanato do Marajó vira coleção de calçados e estreia na Semana de Moda de Milão

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Foto: Divulgação

Os tradicionais grafismos marajoaras, uma das expressões artísticas e culturais mais antigas da Amazônia, vão ganhar as passarelas internacionais. Uma coleção inédita de calçados, cocriada por artesãos da Ilha do Marajó (PA), será lançada oficialmente em Milão, na Itália, durante a prestigiada Semana de Moda de Milão.

O evento de apresentação está marcado para o dia 23 de setembro de 2026, no Consulado-Geral do Brasil em Milão.

A iniciativa faz parte de uma missão internacional que ocorre entre os dias 20 e 30 de setembro, unindo a marca de calçados sustentáveis DOTZ, o Instituto Costurando Sonhos Brasil, o Instituto Tucunaré e o G10 Favelas.

Da cerâmica arqueológica ao design de calçados

Os grafismos marajoaras utilizados na coleção são inspirados nos desenhos complexos das cerâmicas decoradas por povos indígenas que habitaram a região do Marajó antes da colonização.

Para a nova linha de calçados, essa herança arqueológica foi reinterpretada, unindo a ancestralidade ao design contemporâneo.

Calçado com estética marajoara — Foto: Divulgação

Calçado com estética marajoara — Foto: Divulgação

O projeto conta com a participação ativa de produtores locais, como Miqueias Caldas, artesão de Cachoeira do Arari e integrante do Instituto Tucunaré.

Ele atua na aplicação dessas referências culturais em novas superfícies por meio de técnicas de desenho, pintura e carimbos.

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“Mais do que uma coleção de calçados, estamos falando de uma colaboração que conecta cultura, design e oportunidades”, destaca Rodrigo Doxandabarat, fundador da DOTZ.

Conexão entre a Amazônia, Paraisópolis e a Europa

A produção da coleção estabelece uma ponte sólida de economia criativa e impacto social entre diferentes territórios brasileiros:

  • Ilha do Marajó (PA): Onde reside a sabedoria ancestral dos artesãos locais.
  • São Paulo (SP): Onde o Instituto Costurando Sonhos Brasil, liderado pela marajoara Suéli Feio, atua na formação profissional, costura e inclusão produtiva de mulheres da periferia.
  • G10 Favelas: Bloco de líderes de favelas que apoia o projeto, ampliando o potencial de empreendedorismo periférico e conexões globais.

“Essa iniciativa permite que diferentes territórios contribuam com aquilo que possuem de mais potente, preservando suas identidades enquanto constroem novas oportunidades”, afirma Suéli Feio, que trabalha há mais de 20 anos na capital paulista promovendo o desenvolvimento de sua terra natal.

Para Gilson Rodrigues, fundador do G10 Favelas, a internacionalização do projeto consolida a capacidade de aproximar os talentos das comunidades brasileiras do mercado de luxo global.

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O elo histórico entre o Marajó e a Itália

A escolha da Itália como destino da coleção carrega também um forte simbolismo histórico.

O país europeu era a terra natal do Padre Giovanni Gallo, sacerdote e pesquisador que dedicou sua vida à preservação do patrimônio arqueológico e cultural do Marajó, sendo o fundador do famoso Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari.

Levar os calçados com grafismos marajoaras a Milão é visto pelos organizadores como um reencontro poético entre a história do Marajó e as origens do missionário italiano.

Campanha de arrecadação

A comitiva brasileira que viaja à Itália planeja ações de grande visibilidade para promover a cultura nacional.

Entre as atividades previstas, estão rodadas de negócios, encontros com a indústria da moda italiana e reuniões institucionais.

O grupo também planeja realizar a entrega de um par de sapatos exclusivo ao Papa Leão XIV, simbolizando a união entre fé, artesanato e inclusão social.

Além disso, a delegação pretende convidar formalmente a cantora italiana Laura Pausini para ser a madrinha da iniciativa.

Para viabilizar os custos de transporte e hospedagem da delegação de artesãos e costureiras na Itália, o Instituto Costurando Sonhos Brasil abriu uma campanha de financiamento coletivo.

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