Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Fenômeno climático

Mais calor e menos chuva: El Niño coloca agropecuária do Pará em alerta

Publicados

HOME

Foto: Divulgação

O avanço do fenômeno conhecido mundialmente como El Niño coloca a agropecuária paraense diante de um cenário que exige planejamento. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, ele altera a circulação atmosférica e pode reduzir as chuvas em partes da Amazônia.

Para o Pará, a combinação entre menor precipitação, temperaturas mais elevadas e períodos de estiagem mais prolongados pode afetar tanto as lavouras quanto a criação de animais.

As previsões mais recentes reforçam o sinal de atenção. Em boletim divulgado em 1º de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em conjunto com outros órgãos federais, informou que há mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria de “muito forte” entre setembro e novembro. Para o Pará, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) projeta chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal.

A agência norte-americana NOAA também aponta o fortalecimento do fenômeno. O Centro de Previsão Climática (CPC) estima mais de 90% de chance de um El Niño muito forte no outono e inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte. Para o trimestre outubro-dezembro, existe ainda uma probabilidade de 69% de que o episódio alcance intensidade histórica, segundo o índice utilizado pela agência.

Apesar das projeções, o meteorologista José Raimundo Abreu, do INMET, ressalta que a intensidade e os impactos regionais ainda precisam ser acompanhados. “O produtor tem que acompanhar e ter um especialista, para, desde ao comprar a semente, consultar o meteorologista e, assim, ter a melhor data para realizar o plantio”, afirma.

Chuva irregular desafia calendário agrícola

Para o professor doutor Edivaldo Serrão, da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), o principal efeito do El Niño no Estado tende a ser a redução das chuvas.

“O El Niño, que corresponde à fase quente do fenômeno ENSO (El Niño-Oscilação Sul), tende a reduzir as chuvas em grande parte do estado do Pará”, explica. Segundo o pesquisador, a circulação atmosférica associada ao fenômeno dificulta a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, contribuindo para menos nebulosidade, maior incidência de radiação solar e elevação das temperaturas.

O resultado é uma combinação especialmente delicada para o campo: mais calor e menos água disponível no solo. “A combinação entre temperaturas mais elevadas e déficit de precipitação aumenta o estresse hídrico das plantas, reduzindo a disponibilidade de água no solo e podendo comprometer o desenvolvimento das culturas”, afirma Serrão.

Leia Também:  Governo do Pará e Banco do Brasil firmam acordo para alavancar negócios comunitários da bioeconomia e de inovação

O INMET prevê, para setembro, volumes de chuva abaixo da média em grande parte do Pará, embora algumas áreas específicas, como o noroeste paraense, possam apresentar precipitações próximas ou acima da média.

Isso significa que o impacto não necessariamente será uniforme em todo o território. A distribuição espacial e temporal das chuvas será um dos principais fatores para definir o risco de cada propriedade.

Milho, soja, feijão e hortaliças entre as culturas vulneráveis

As culturas agrícolas mais sensíveis ao calor e à falta de água podem sofrer redução de produtividade, principalmente quando o déficit hídrico coincide com fases críticas do desenvolvimento.

“Culturas como milho e soja, por exemplo, podem sofrer perdas caso essas condições coincidam com seus períodos mais críticos de desenvolvimento”, explica Serrão.

O meteorologista José Raimundo acrescenta que hortaliças, além das culturas de feijão e arroz, também estão entre as que podem sentir os efeitos da irregularidade das chuvas. Segundo ele, períodos prolongados de estiagem e redução da precipitação exigem mudanças no planejamento das propriedades.

Um dos momentos mais delicados é o início do ciclo agrícola. “As altas temperaturas causam estresse animal e a ausência de chuva nos primeiros dias de plantio queima a semente, causando quebra da safra, por vezes, de até 60%”, afirma o meteorologista.

Para Serrão, a resposta varia conforme a cultura, a variedade utilizada e o sistema de produção. Por isso, decisões baseadas em previsões climáticas e acompanhamento técnico podem fazer diferença entre uma safra bem-sucedida e perdas significativas.

Pecuária também entra na zona de atenção

Na pecuária, o problema não se restringe à disponibilidade de pastagem. A água para matar a sede dos animais pode se tornar um dos principais pontos críticos durante períodos de seca e temperaturas elevadas.

“Na pecuária, um dos principais desafios é garantir a disponibilidade de água para dessedentação dos animais, especialmente durante períodos de temperaturas elevadas e redução das chuvas”, alerta Serrão.

O calor também provoca estresse térmico e pode comprometer o desempenho produtivo dos rebanhos. Entre as medidas recomendadas estão a oferta de sombra e a redução da exposição dos animais ao sol nos horários de maior radiação.

Leia Também:  Apoiadores de Bolsonaro fazem ato em Belém com presença da ex-primeira-dama Michelle e lideranças do PL

As pastagens também podem perder capacidade de crescimento com a combinação de pouca chuva e altas temperaturas, reduzindo a oferta de alimento.

Fogo aumenta preocupação no campo

Outro efeito associado ao período mais seco é o aumento da vulnerabilidade da vegetação às queimadas. Segundo José Raimundo, o sul do Pará merece atenção especial entre os meses de junho e setembro, quando a umidade relativa pode ficar muito baixa.

“O prolongamento das estiagens é mais favorável a incêndios por qualquer centelha”, afirma.

Propriedades rurais também podem ser afetadas pela perda de pastagens, danos às lavouras, cercas e instalações, além da fumaça e dos riscos à saúde dos trabalhadores e dos animais.

Planejamento vira ferramenta de proteção

Diante do cenário, especialistas recomendam que produtores evitem decisões baseadas apenas na expectativa de chuva. Ajustes no calendário de plantio, acompanhamento da umidade do solo, uso racional da irrigação e escolha de cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico estão entre as estratégias possíveis.

“Planejamento é a principal ferramenta para reduzir perdas”, resume Serrão.

Pequenas propriedades

Para pequenos produtores, o pesquisador recomenda atenção especial ao uso racional da água, à escolha dos horários de irrigação, preferencialmente quando a evaporação é menor e, quando possível, à antecipação da colheita de culturas mais sensíveis ao calor.

Produtores de maior porte podem recorrer a ferramentas como irrigação de precisão, sem esquecer o monitoramento da umidade do solo, além da assistência de equipes técnicas.

“O produtor deve acompanhar os boletins climáticos ou contratar meteorologista para evitar grandes prejuízos”, reforça José Raimundo.

Ciência para antecipar decisões

Para Edivaldo Serrão, a integração entre produtores, assistência técnica, universidades e instituições de pesquisa é fundamental. Órgãos como INMET, INPE, Embrapa e Emater produzem dados que podem auxiliar desde a definição da época de plantio até o manejo da água. Por isso, é importante acompanhar as informações divulgadas por essas instituições.

A necessidade de acompanhamento é ainda maior porque previsões sazonais apresentam incertezas e os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões.

Propaganda

HOME

Homem é baleado no pé pelo ex-companheiro da mãe em Bagre, no Marajó

Publicados

em

Foto: Reprodução

Um homem foi baleado no pé pelo ex-companheiro da mãe. O crime foi registrado na noite deste domingo (21), em Bagre, no Arquipélago do Marajó. O suspeito ainda não foi localizado.

NOTÍCIAS EM TEMPO REAL: participe do grupo do Notícia Marajó no WhatsApp e acompanhe tudo em primeira mão. Inscreva-se aqui no Grupo 1aqui no Grupo 2aqui no Grupo 3, aqui no Grupo 4, aqui no Grupo 5aqui no Grupo 6aqui no Grupo 7 aqui no Grupo 8aqui no grupo 9, aqui no grupo 1, aqui no grupo 11 ou aqui no grupo 12. Ainda temos o Grupo 1 de Discussão e o Grupo 2 de Discussão. Nas redes sociais, siga-nos no Instagram, no Facebook e no Youtube.

Segundo a Polícia Militar, a vítima deu entrada no Hospital Municipal de Bagre após ser atingida por um disparo de arma de fogo. Aos policiais, o homem relatou que o suspeito teria ido até a residência da mãe dele para conversar com ela. Os dois mantinham um relacionamento, mas estavam separados.

Leia Também:  Apoiadores de Bolsonaro fazem ato em Belém com presença da ex-primeira-dama Michelle e lideranças do PL

Ainda conforme o relato da vítima, houve um desentendimento no local depois que ela pediu para que o suspeito deixasse a residência. Durante a discussão, o homem teria sacado uma arma de fogo e efetuado um disparo, atingindo o pé da vítima.

Após o crime, o suspeito fugiu do local e não havia sido localizado até o momento. Durante a operação Tolerância Zero, policiais militares realizaram diligências e buscas na região para tentar encontrar o autor do disparo, mas não obtiveram êxito.

A vítima recebeu atendimento médico no Hospital Municipal de Bagre. O caso deverá ser investigado pelas autoridades competentes.

Continue lendo

CIDADES

PARÁ

POLÍTICA

VARIEDADES

MAIS LIDAS DA SEMANA