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Industrialização da soja deve receber R$ 5,76 bilhões em investimentos

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As indústrias de óleo de soja no Brasil vão investir R$ 5,76 bilhões nos próximos 12 meses para expandir e construir novas plantas industriais, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Apesar de uma ligeira queda em relação aos R$ 6 bilhões investidos no último ano, os novos aportes buscam ampliar a capacidade produtiva e atender à demanda crescente por biodiesel e farelo de soja para rações animais, além de se preparar para uma possível safra recorde no ciclo 2024/25.

Nos últimos 12 meses, a capacidade instalada das indústrias de soja cresceu 4,5%, passando para 72,3 milhões de toneladas por ano. A expectativa é que, com a construção de cinco novas plantas e a ampliação de outras cinco, a capacidade de processamento aumente para 238,4 mil toneladas por dia, resultando em 78,7 milhões de toneladas por ano, um acréscimo de 8,8%.

Esse crescimento tem como pano de fundo o aumento na produção de biodiesel, com estimativas da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) apontando que a produção do biocombustível pode alcançar 10,1 bilhões de litros em 2025. No mesmo ano, a mistura obrigatória de biodiesel no diesel passará de 14% para 15%, impulsionando ainda mais a demanda.

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Entre os projetos de expansão, estão a instalação de novas plantas em estados como Goiás e Paraná, e a ampliação de unidades já existentes em locais como Ipameri (GO) e Maringá (PR). A Abiove destaca que, embora o volume de investimentos seja um pouco menor do que no último ano, o valor é significativamente superior ao registrado no triênio de 2020 a 2022, quando os aportes somaram R$ 2,5 bilhões.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Brasil consolida liderança global no agro, mas infraestrutura limita avanço do setor

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O Brasil consolidou nos últimos anos uma posição estratégica no abastecimento mundial de alimentos. O país lidera exportações globais de soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina, além de ocupar posições centrais nos mercados de milho, algodão, celulose e proteína animal. Em 2025, o agronegócio respondeu por cerca de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e garantiu superávit superior a R$ 750 bilhões na balança comercial.

A força do setor aparece principalmente na capacidade de produção. A safra brasileira de grãos 2025/26 deve ultrapassar 348 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), puxada principalmente pela soja, que caminha para novo recorde acima de 174 milhões de toneladas. O país também ampliou sua presença no mercado global de energia renovável, com produção projetada de mais de 41 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27.

Esse avanço transformou o Brasil em peça-chave no equilíbrio global de oferta de alimentos, principalmente em momentos de quebra de safra em outros países, guerras comerciais ou crises climáticas. Hoje, praticamente um em cada três navios de soja descarregados na China sai de portos brasileiros. O mesmo ocorre em mercados estratégicos de carnes, açúcar e café.

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Mas, apesar da força produtiva, especialistas avaliam que o país ainda falha em converter parte dessa potência agrícola em desenvolvimento econômico proporcional. A deficiência logística segue como um dos principais entraves. O custo do transporte interno, a dependência do modal rodoviário, os gargalos portuários e a baixa capacidade de armazenagem reduzem competitividade e comprimem margens do produtor.

O Brasil produz mais grãos do que consegue armazenar adequadamente. Estimativas do setor apontam déficit superior a 120 milhões de toneladas em capacidade estática de armazenagem, obrigando produtores a vender parte da safra em momentos desfavoráveis ou depender de estruturas improvisadas.

Ao mesmo tempo, grande parte da produção nacional continua deixando o país na forma de matéria-prima, enquanto mercados concorrentes capturam mais valor com industrialização e processamento.

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), afirma que o Brasil atingiu um nível de eficiência dentro da porteira comparável às maiores potências agrícolas do mundo, mas ainda enfrenta dificuldades estruturais para transformar produção em riqueza de longo prazo.

“O produtor brasileiro aprendeu a produzir com tecnologia, gestão, precisão e produtividade elevada. Hoje o agro nacional compete globalmente em eficiência. O problema começa quando essa produção precisa circular, ser armazenada, industrializada e chegar aos mercados consumidores”, afirma.

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Segundo Isan, o avanço tecnológico ocorrido nas propriedades rurais brasileiras mudou completamente o perfil do setor nas últimas décadas. Máquinas conectadas, agricultura de precisão, monitoramento climático e manejo biológico passaram a fazer parte da rotina de grandes e médios produtores.

“O agro brasileiro deixou de ser visto apenas como atividade primária. Hoje existe uso intensivo de tecnologia, inteligência de mercado, análise de dados e planejamento financeiro no campo. Em muitas propriedades, a gestão já funciona no padrão de grandes empresas internacionais”, diz.

Para o presidente do IA, o próximo salto do agronegócio brasileiro dependerá menos da expansão territorial e mais da capacidade de o país resolver problemas históricos ligados à infraestrutura e agregação de valor.

“O Brasil já provou que consegue alimentar parte importante do planeta. Agora precisa transformar essa potência produtiva em desenvolvimento econômico mais amplo, com industrialização, logística eficiente, segurança jurídica e geração de renda ao longo da cadeia. O agro sozinho sustenta a balança comercial há anos, mas ainda carrega custos estruturais que reduzem a competitividade nacional”, afirma.

Fonte: Pensar Agro

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