PARÁ
Reciclagem fortalece sustentabilidade e ressocializa mulheres privadas de liberdade
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A Coostafe, uma cooperativa de mulheres privadas de liberdade, transforma resíduos e materiais descartados em moda sustentável e oportunidades de reinserção social por meio do trabalho e da economia circular.
A reciclagem e o reaproveitamento de materiais desempenham um papel essencial na preservação do meio ambiente, ao reduzirem a geração de resíduos, diminuírem o descarte inadequado e incentivarem formas mais conscientes de produção e consumo. Além do impacto ambiental, essas práticas também fortalecem iniciativas que transformam materiais descartados em novos produtos, unindo sustentabilidade, geração de renda e inclusão social.
Nesse contexto, a Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), coordenada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), desenvolve um trabalho dentro do sistema prisional feminino voltado à moda sustentável, à capacitação profissional e à ressocialização de mulheres privadas de liberdade. A cooperativa reúne mulheres em atividades de produção artesanal, costura, pintura e criação de peças feitas a partir do reaproveitamento de materiais.
A Coostafe recebe doações de diversos tipos de materiais que se tornam matéria-prima para as produções. Entre eles estão tecidos novos e retalhos têxteis descartados por confecções, além de cortinas, tapetes e sobras de produção de empresas parceiras. Também são recebidos banners, lonas e estruturas utilizadas em eventos institucionais e corporativos, que seriam descartados após o uso.
Parcerias – Esses materiais chegam à cooperativa por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, incluindo grandes parceiros da iniciativa privada, como planos de saúde da capital paraense, além de organizações e eventos realizados no estado. Todo o processo de recebimento e organização das doações é articulado pela Diretoria de Trabalho e Produção (DTP) da Seap, responsável pela interlocução entre os parceiros e as cooperadas.
As doações são entregues diretamente na unidade prisional, mediante contato prévio com a equipe responsável, garantindo que materiais que seriam descartados sejam reinseridos em um ciclo produtivo sustentável.
Segundo a coordenadora da Diretoria de Trabalho e Produção (DTP) da Seap, Raquel Lima, a base do trabalho desenvolvido é a economia circular, que transforma resíduos em novos produtos com valor social e econômico.
“Uma das coisas que a Coostafe prioriza é essa economia circular, transformar aquilo que era lixo, aquilo que seria descartado, em um produto novo, em algo que outra pessoa vai utilizar de forma produtiva e útil”, destacou.
Além dos materiais têxteis e estruturais, a cooperativa também incorpora elementos naturais da Amazônia às suas produções, como sementes, fibras vegetais, caroços de açaí e fibras como o tururi, extraído de palmeiras da região. Esses materiais são trabalhados manualmente e aplicados em peças de vestuário e acessórios, valorizando a identidade cultural amazônica.
Outro destaque do processo produtivo é o reaproveitamento integral dos materiais. Pequenos retalhos são reutilizados na criação de novos itens e até as embalagens utilizadas na entrega dos produtos são confeccionadas pelas próprias cooperadas, em formato de ecobags feitas com materiais reciclados, reduzindo o uso de plástico e reforçando a sustentabilidade em todas as etapas.
Transformação – De acordo com Raquel Lima, essa lógica de produção também impacta diretamente no custo e no valor agregado das peças.
“A reciclagem para elas também significa redução de custo, maximização de lucros e traz algo muito importante: a ideia de que é possível transformar aquilo em algo novo”, afirmou.
As produções da Coostafe também carregam identidade, história e expressão cultural, resultado do trabalho coletivo das cooperadas, que participam de todas as etapas de criação e desenvolvimento das peças.
As criações serão apresentadas em dois desfiles nos próximos dias. No dia 17 de maio, a Coostafe realizará um desfile na própria sede da cooperativa, em parceria com instituições religiosas de Belém, apresentando peças desenvolvidas com foco na sustentabilidade e na economia circular. Já no dia 19 de maio, a cooperativa participará do 1º Encontro Regional de Educação em Prisões das regiões Norte e Centro-Oeste, promovido pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Durante o encontro, será apresentada a coleção “Ya temi xoa”, expressão indígena Yanomami que significa “eu ainda estou vivo”, simbolizando a reconstrução de trajetórias e novas possibilidades de vida para as mulheres privadas de liberdade.
Segundo a cooperada Cleodiane Moura de Santos, o trabalho desenvolvido na Coostafe tem impacto direto na forma como ela enxerga o próprio futuro dentro e fora do sistema prisional.
Percepção – “Hoje eu consigo me ver de uma forma diferente. A Coostafe me mostra que eu posso aprender, produzir e reconstruir minha vida com dignidade. Aqui eu entendi que ainda existe um futuro possível para mim”, afirmou.
Cleodiane destaca ainda que o processo de produção é coletivo e envolve diferentes mãos e habilidades. “É uma peça que possui um processo produtivo onde várias mãos e várias habilidades compõem o resultado final”, explicou.
Mais do que sustentabilidade ambiental, o trabalho da Coostafe tem impacto direto na ressocialização das mulheres participantes. A cooperativa atua como espaço de formação, autonomia e reconstrução de perspectivas de vida, contribuindo para o fortalecimento da autoestima e para a ampliação de oportunidades após o cumprimento de suas trajetórias no sistema prisional.
Nesse sentido, iniciativas como a Coostafe demonstram que o reaproveitamento de materiais vai além da preservação ambiental: ele se torna uma ferramenta concreta de transformação social, geração de renda e reinserção, abrindo caminhos reais para novas possibilidades de futuro dentro e fora do sistema prisional.
Interessados em realizar doações de materiais, estabelecer parcerias ou adquirir produtos podem entrar em contato com a cooperativa pelo e-mail [email protected]. As doações são recebidas diretamente na unidade prisional, mediante articulação prévia com a equipe responsável.
Texto: Kaila Fonseca – Ascom Seap
Fonte: Governo PA
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Marajó recebe reforço na reciclagem com equipamentos para fortalecer economia circular em Salvaterra
Além da experiência da ReciclAssu e da visibilidade alcançada durante a COP30, a Semas ampliou as ações de economia circular em territórios turísticos do Pará, com destaque para o arquipélago do Marajó, onde o aumento do fluxo de visitantes também amplia os desafios relacionados à geração e destinação correta de resíduos sólidos.
Em Salvaterra, no Marajó, a Semas entregou à Cooperativa Cata Salvaterra uma estrutura completa para fortalecer a cadeia da reciclagem no município. Entre os equipamentos entregues estão uma prensa hidráulica de 35 toneladas, triturador de vidro, empilhadeira, esteira separadora de 10 metros, dois carrinhos carregadores de resíduos, um tuk-tuk e 50 Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
A iniciativa busca ampliar a capacidade de coleta, triagem, armazenamento, transporte e destinação correta dos materiais recicláveis na região, fortalecendo o trabalho dos catadores e impulsionando a economia circular em um dos principais destinos turísticos do Pará.
Além de Salvaterra, a Semas também desenvolve ações em outros territórios turísticos, como a APA Algodoal-Maiandeua, na ilha de Maiandeua, em Maracanã, onde foram entregues dois trituradores de vidro e 105 bombonas para apoiar a destinação correta de resíduos sólidos nas vilas de Fortalezinha, Mocooca, Nazaré, Camboinha e Algodoal.
Segundo a Semas, os investimentos em cooperativas e infraestrutura de reciclagem ajudam a transformar resíduos em oportunidade de renda, inclusão social e preservação ambiental, especialmente em regiões turísticas e ambientalmente estratégicas como o Marajó.
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