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MEC participa de homenagem da UFABC a Pepe Mujica

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O Ministério da Educação (MEC) participou, nesta quinta-feira, 19 de março, da cerimônia de homenagem que a Universidade Federal do ABC (UFABC) presta ao ex-presidente do Uruguai, José Alberto “Pepe” Mujica, com a concessão do título de Doutor Honoris Causa, in memoriam. A cerimônia contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que será o padrinho da homenagem; do ministro da Educação, Camilo Santana; da ex-vice-presidente do Uruguai e companheira de vida e trajetória política de Mujica, Lucía Topolansky; e do reitor da universidade, Dácio Roberto Matheus. A solenidade ocorreu no auditório do Centro de Formação dos Profissionais da Educação (Cenforpe), em São Bernardo do Campo (SP).  

A homenagem reconhece a trajetória de Mujica como uma liderança internacional marcada pela defesa da democracia, da diversidade, da educação, da ética e da integração regional. O ex-presidente uruguaio faleceu em 13 de maio de 2025, aos 89 anos, em Montevidéu. Ainda em vida, Mujica foi informado sobre a concessão do título e manifestou o desejo de que o presidente Lula participasse da cerimônia de entrega da honraria.  

Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou o legado político e humano de Pepe Mujica e a permanência de suas ideias para além de sua vida. “O Pepe Mujica não morreu, porque as ideias que ele transmitia, ao longo do tempo em que o conheci, devem permanecer, não apenas para o conhecimento da juventude do Uruguai, mas para a juventude do mundo inteiro. Essa homenagem da UFABC é um reconhecimento de que poucas vezes tivemos, neste século, pessoas com a grandeza de Pepe Mujica”. 

Lula também leu um trecho de uma carta enviada por Mujica a ele, na qual o ex-presidente uruguaio refletia sobre a responsabilidade de liderar nações em contextos desafiadores e defendia a cooperação entre os países da região como caminho para o desenvolvimento, acima de divisões ideológicas. Mujica destacou que governar implicava assumir o peso de decisões que devem priorizar o apoio mútuo entre as nações, não a partir de disputas entre direita, esquerda ou centro, mas com foco na superação das desigualdades e na construção de países mais desenvolvidos. 

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O reitor da UFABC, Dácio Roberto Matheus, destacou o significado histórico da homenagem e resgatou o momento em que a honraria começou a ser construída. “Essa história teve início neste palco, em agosto de 2015, quando o presidente Lula, na presença do então senador Pepe Mujica, disse que estávamos diante de um cidadão merecedor do título honoris causa pela UFABC, disse. “Hoje, é com orgulho que nós recebemos Pepe Mujica no hall de doutores honoris causa pela UFABC, que é a mais alta distinção acadêmica concedida a pessoas que se destacam nas artes, nas ciências, na educação, na política, na cultura e nas causas humanitárias”, continuou o reitor.  

Representando o companheiro falecido, a também ex-vice-presidente do Uruguai, Lucía Topolansky, destacou o valor simbólico da homenagem. Em tradução livre para o português, afirmou: “para mim, isto tem um valor enorme, porque a educação deve chegar e abrir suas portas, universalmente, para toda a população. Creio que Pepe estaria muito contente de poder, de algum modo, ser parte deste conglomerado. Eu vou contar aos meus conterrâneos e companheiros sobre essa homenagem, porque creio que o título honoris causa também é para eles”. 

Em 2023, Camilo Santana e sua equipe receberam Pepe Mujica para tratarem da mobilidade estudantil regional da América Latina e do Caribe, com o objetivo de aproximar e integrar o Brasil à América Latina e fomentar essa parceria por meio da educação.   

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A iniciativa de conceder o título partiu da Associação dos Docentes da UFABC (ADUFABC) e do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais do ABC (SINTUFABC), com a ratificação da reitoria da universidade. A honraria foi aprovada pelo Conselho Universitário da UFABC em junho de 2024. 

Outras universidades federais brasileiras também já concederam o título de Doutor Honoris Causa a Mujica. A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) foi a primeira a fazê-lo, em 2017, tornando-o o primeiro homenageado com a honraria da instituição — cujo campus em Bagé abriga, desde 2022, uma estátua do ex-presidente uruguaio. Mujica também recebeu o título da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 2024, e teve a honraria aprovada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2025, in memoriam

UFABC – A Universidade Federal do ABC foi criada em 2005, com o objetivo de atender a uma grande demanda de vagas na educação superior na região. Com dois campi, em Santo André e São Bernardo do Campo, oferta 25 cursos de graduação, entre bacharelados interdisciplinares em ciência e tecnologia (BC&T) e em ciências e humanidades (BC&H), além de licenciaturas interdisciplinares. A universidade mantém, ainda, 19 cursos de pós-graduação. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu)

Fonte: Ministério da Educação

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Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência

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A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026

A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782. 

No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas. 

A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios. 

Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso. 

Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade. 

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Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”. 

Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações. 

A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais. 

A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade. 

“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”. 

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Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência. 

A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção. 

No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades. 

A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão. 

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 Assista ao vídeo:

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) 

Fonte: Ministério da Educação

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