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CRIANÇA E ADOLESCENTE

MDHC realiza entrega de embarcações a Conselhos Tutelares do Marajó e o lança Campanha de Enfrentamento ao Escalpelamento

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Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) realizou, nesta quarta-feira (24), em Belém (PA), uma cerimônia para a entrega de 12 embarcações a Conselhos Tutelares do arquipélago do Marajó e para o lançamento da Campanha de Enfrentamento ao Escalpelamento. O evento, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA), contou com a presença da ministra Janine Mello, de representantes do estado, da sociedade civil e de outras autoridades.

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A entrega das embarcações fortalece a segurança e a eficiência dos órgãos de defesa dos direitos de crianças e adolescentes na região, ao melhorar a mobilidade e o acesso aos serviços em uma área na qual o transporte depende, quase que exclusivamente, dos rios e canais que cortam o território. Além disso, a campanha promove a segurança dos usuários do transporte fluvial ao conscientizar passageiros, condutores e proprietários de embarcações sobre a importância da cobertura dos eixos dos motores.

Durante sua fala, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, reforçou que, para além de contar com profissionais competentes integrando os Conselhos Tutelares, é necessário garantir instrumentos que assegurem o pleno exercício da função.

“A gente precisa não só valorizar e reconhecer o trabalho de conselheiros e conselheiras tutelares, mas garantir que essas pessoas tenham condições de exercer o seu trabalho e de continuar realizando esse atendimento”, destacou.

A ministra também comemorou a entrega: “Quando a rua é rio, o que a gente precisa é de barco, não é de carro. Precisamos de entrega e política pública. Precisamos fazer com que as conselheiras e os conselheiros tutelares estejam equipados para conseguirem fazer o atendimento de crianças e adolescentes no Marajó. Esse momento representa o compromisso do nosso governo, o compromisso do nosso Ministério e do presidente Lula com os nossos jovens”.

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A presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Deila Martins, afirmou que a entrega é um exemplo concreto de que, quando recursos do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FDCA), utilizados para financiar a ação, são direcionados para as políticas voltadas à infância e à adolescência, eles transformam vidas.

“Essas embarcações que estão sendo entregues hoje, com investimento do fundo, foram resultados de uma decisão do Conanda, em 2023, para atender a região do Marajó com dignidade, garantindo que não existam barreiras ao acesso aos direitos. Que os rios sejam, de fato, caminhos para a garantia de direitos”, afirmou.

Representando o Ministério, também participaram da cerimônia a secretária-executiva, Caroline Dias; a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Pilar Lacerda; e a secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Tassiana Carvalho.

As embarcações

As 12 embarcações entregues aos Conselhos Tutelares do arquipélago do Marajó marcam um novo avanço na proteção de crianças e adolescentes da região. A iniciativa foi viabilizada por meio do Termo de Execução Descentralizada (TED) n.º 18/2024, firmado entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), com investimento de quase R$ 5,5 milhões do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FDCA), gerido pelo Conanda.

Os municípios de Bagre, Breves, Cachoeira do Arari, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Oeiras do Pará, Portel, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure foram contemplados com as embarcações. O MDHC informou que segue trabalhando para garantir o equipamento aos outros municípios do arquipélago que ainda não receberam embarcações.

Desenvolvidas pela Faculdade de Engenharia Naval da UFPA, sob coordenação do professor Emmanuel Loureiro, as embarcações foram projetadas a partir de pesquisas de campo realizadas nos 17 municípios marajoaras. Com 7,4 metros de comprimento, os veículos foram concebidos para atender às necessidades específicas da atuação dos Conselhos Tutelares na região amazônica.

Entre os diferenciais, estão recursos de acessibilidade física, cognitiva e sensorial, além de soluções voltadas ao acolhimento das vítimas e ao suporte dos conselheiros tutelares. As embarcações contam com plataforma de embarque com corrimão, espaço para cadeirantes, kit de acessibilidade cognitiva e sensorial, assentos ergonômicos que podem ser transformados em leito, banheiro a bordo e conexão à internet via satélite.

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Segundo Emmanuel Loureiro, a conectividade representa um avanço importante para a segurança das equipes durante os deslocamentos. “Agora, as embarcações possuem internet via satélite, facilitando a comunicação em emergências e durante os atendimentos”, destacou.

utro diferencial é o sistema de lona retrátil, desenvolvido para preservar a identidade das vítimas durante os atendimentos e evitar a revitimização. O recurso integra o Manual de Operação e Boas Práticas elaborado especialmente para o modelo.

Durante a cerimônia, a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Pilar Lacerda, ressaltou a importância da parceria com a universidade pública. Segundo ela, o projeto já desperta interesse de outras localidades e demonstra a capacidade das instituições federais de desenvolver soluções inovadoras para a garantia de direitos.

A campanha

Elaborada a partir de diálogo entre o Fórum Permanente da Sociedade Civil do Marajó e a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, a campanha busca dar visibilidade ao enfrentamento do escalpelamento e fortalecer ações inteministeriais articuladas de prevenção desse grave acidente, que afeta historicamente populações ribeirinhas, quilombolas, indígenas e demais comunidades das águas da Amazônia.

O escalpelamento é um acidente provocado pelo contato dos cabelos com o eixo descoberto do motor de embarcações, ocasionando lesões graves, permanentes e de profundo impacto na vida das vítimas e de suas famílias.

A ouvidora nacional de Direitos Humanos, Denise de Paulo, destaca que, para além de impactos físicos e estéticos, o escalpelamento afeta toda a vida social e profissional da vítima e de sua família: “A campanha foi pensada a partir das reuniões do Fórum Permanente da Sociedade Civil do Marajó, com o apoio da sociedade civil. Com ela, queremos dar visibilidade à temática que tem as moradoras do Marajó como suas maiores vítimas”.

Como parte dessa mobilização, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania promove a divulgação de conteúdos informativos em seus canais oficiais e disponibiliza materiais educativos, como cartazes e panfletos, para apoiar ações de sensibilização e prevenção nos territórios.

A Marinha do Brasil realiza, gratuitamente, a instalação da cobertura de proteção do eixo dos motores de embarcações durante campanhas específicas. A disponibilidade do serviço pode ser consultada junto à unidade da Marinha mais próxima.

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Água potável chega a escola e comunidade no Marajó com tecnologia da Funasa

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Foto: Divulgação

O acesso à água de qualidade para consumo humano passa a ser realidade no município de Soure, no Arquipélago do Marajó, com a inauguração, nesta quinta-feira (25), de uma unidade da Solução Alternativa de Tratamento de Água com Zeólita (Salta-Z) na Escola Municipal de Educação Infantil Dom Alquílio Alvarez Diez. A iniciativa beneficiará diretamente cerca de 280 estudantes e também permitirá o fornecimento gratuito de água tratada para moradores da comunidade do entorno.

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A unidade instalada em Soure é a primeira de um projeto-piloto que prevê a implantação de até 15 sistemas Salta-Z em municípios do arquipélago do Marajó com baixos indicadores sociais e dificuldades históricas de acesso à água potável. A ação é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e organizações da sociedade civil que atuam na região.

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Antes da implantação do sistema, a escola era abastecida por água proveniente de um poço particular com elevados níveis de ferro e manganês. Com a nova estrutura, a instituição passa a contar com um poço próprio e um sistema de tratamento capaz de fornecer água mais segura para consumo, preparo de alimentos e demais atividades escolares. Com a Salta-Z, a escola poderá colocar em funcionamento estruturas que estavam sem uso, como a piscina destinada às atividades recreativas e pedagógicas dos estudantes.

Além de atender os estudantes, a unidade contará com quatro torneiras instaladas na área externa da escola, permitindo que moradores da comunidade tenham acesso gratuito à água tratada em horários determinados.

“A entrega desta unidade representa muito mais do que a instalação de um equipamento. Estamos levando uma solução concreta para melhorar a saúde, a qualidade de vida e a dignidade das pessoas. Garantir água segura é um passo fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer o desenvolvimento das comunidades do Marajó”, afirma o presidente da Funasa, Lenildo Morais.

Mais qualidade de vida

Desenvolvida por técnicos da Funasa no Pará, a tecnologia Salta-Z foi criada para atender localidades que enfrentam desafios de abastecimento e qualidade da água. O sistema utiliza zeólita em seu processo de filtração, contribuindo para a redução da turbidez e a remoção de elementos como ferro e manganês, tornando a água mais adequada ao consumo humano.

Para o diretor de Administração da Funasa, Jacy Braga Rodrigues, a inauguração marca o início de uma iniciativa com potencial de transformar a realidade de diversas comunidades da região. “Esta é a primeira unidade de um projeto-piloto que poderá chegar a 15 localidades do Marajó. Estamos começando por uma escola que atende quase 300 alunos e que agora passa a contar com água tratada para consumo e alimentação, além de disponibilizar água gratuitamente para a comunidade”, destaca.

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A implantação das novas unidades priorizará localidades em situação de maior vulnerabilidade social. Entre os municípios previstos para receber a tecnologia está Melgaço, que registra um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.

Mais do que ampliar o acesso à água potável, a iniciativa busca fortalecer a saúde ambiental e reduzir riscos associados ao consumo de água de baixa qualidade, especialmente entre crianças e populações vulneráveis. A expectativa é que o projeto contribua para melhorar as condições sanitárias e promover mais qualidade de vida em comunidades que convivem diariamente com limitações de infraestrutura básica.

Como funciona a Salta-Z

A Solução Alternativa de Tratamento de Água com Zeólita (Salta-Z) é uma tecnologia social desenvolvida pela Funasa para atender comunidades sem acesso a sistemas convencionais de abastecimento. O sistema utiliza processos de filtração e desinfecção para melhorar a qualidade da água captada em poços ou outras fontes locais, contribuindo para a remoção de contaminantes e para a oferta de água mais segura à população.

Além da instalação dos equipamentos, a Funasa promove capacitação de operadores locais e apoio técnico contínuo, garantindo a sustentabilidade da operação e o fortalecimento da gestão comunitária dos sistemas.

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