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Trabalho escravo

Volkswagen volta à Justiça por caso de trabalho escravo no Pará; veja o que está em jogo

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Foto: Divulgação

A Volkswagen do Brasil volta aos tribunais nesta quinta-feira, 8 de outubro, em um processo que envolve uma das denúncias de trabalho escravo mais emblemáticas da história recente do sul do Pará. O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) vai analisar o recurso apresentado pela empresa contra a decisão da Vara do Trabalho de Redenção.

A primeira instância condenou a Volkswagen a pagar R$ 2 milhões a cada um dos quatro trabalhadores que denunciaram as condições encontradas na Fazenda Vale do Rio Cristalino. O empreendimento esteve ligado à montadora durante as décadas de 1970 e 1980.

O julgamento de quinta-feira ocorre na 1ª Turma do TRT-8, em Belém, e terá como foco o recurso apresentado pela empresa no processo movido por Pedro Valdo Pereira Vasconcelos. Outros três trabalhadores também obtiveram decisões favoráveis na primeira instância e aguardam a análise dos respectivos recursos.

Na decisão de Redenção, a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais e existenciais a Pedro Valdo. Além disso, reconheceu a responsabilidade direta da Volkswagen pela exploração e considerou imprescritível a prática de trabalho escravo discutida no processo.

Responsabilidade por violações de direitos humanos

Agora, a segunda instância terá de analisar questões que vão além da indenização individual. O processo coloca em debate a possibilidade de responsabilizar uma empresa por graves violações de direitos humanos ocorridas décadas atrás e a obrigação de reparar trabalhadores submetidos a condições extremas de exploração.

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A Comissão Pastoral da Terra, CPT, acompanha o caso como amicus curiae. Para a entidade, o julgamento também representa uma discussão sobre memória, justiça e responsabilização por violações ocorridas durante a expansão de grandes empreendimentos agropecuários na Amazônia.

“Este julgamento não diz respeito apenas à reparação de um trabalhador. Ele também diz respeito à memória de tantos trabalhadores e trabalhadoras que foram submetidos à escravidão no sul e sudeste do Pará. É fundamental que o Judiciário reconheça que violações tão graves não podem ser apagadas pelo simples passar do tempo e que a responsabilidade por essas violações precisa ser enfrentada”, afirma Jamyla Carvalho, advogada da CPT Pará.

Histórico do caso e imprescritibilidade

A história do processo remonta às décadas de 1970 e 1980, quando a Fazenda Vale do Rio Cristalino foi implantada pela Volkswagen no sul do Pará, durante um período de expansão de grandes projetos agropecuários na Amazônia.

Segundo os relatos e as decisões judiciais que fundamentam os processos, trabalhadores contratados para atuar no empreendimento foram submetidos a condições que configuraram exploração de trabalho em condições análogas à escravidão.

As denúncias ganharam repercussão ainda durante o período de exploração. Com o passar das décadas, o caso passou a integrar a memória das denúncias de trabalho escravo contemporâneo na região amazônica.

Os processos apresentados posteriormente pelos trabalhadores levaram novamente a discussão à Justiça do Trabalho. Entre os principais pontos está a imprescritibilidade das violações, ou seja, a possibilidade de responsabilização mesmo após décadas dos fatos.

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“O tempo é capaz de apagar a responsabilidade por uma grave violação de direitos humanos? Para a CPT, a resposta é negativa”, destaca a Comissão Pastoral da Terra.

A entidade defende que o reconhecimento judicial das violações e a reparação financeira possuem significado que ultrapassa os processos individuais. A avaliação é de que decisões sobre o caso também podem contribuir para preservar a memória de trabalhadores submetidos à escravidão contemporânea e reafirmar a importância da dignidade humana.

A expectativa é que organizações da sociedade civil, movimentos sociais, sindicatos, universidades e entidades de direitos humanos acompanhem a sessão no TRT-8 e manifestem solidariedade às vítimas.

O julgamento também integra uma discussão mais ampla sobre a responsabilização por violações de direitos humanos na Amazônia e sobre os limites temporais para a reparação de danos relacionados ao trabalho escravo.

Para a CPT, memória, justiça, responsabilização e reparação estão diretamente ligadas. Por isso, a sessão de quinta-feira representa mais uma etapa de uma história iniciada há décadas, mas que continua produzindo consequências no presente.

Próximo julgamento

O processo de Pedro Valdo será o primeiro dessa sequência a chegar à análise do TRT-8. Outro caso relacionado às violações na Fazenda Vale do Rio Cristalino será julgado em 14 de outubro, dando continuidade à série de processos que chegaram ao tribunal.

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Comitiva com 34 veículos sai de Portel rumo a Belém para acompanhar o Círio de Nazaré

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Foto: Reprodução

Uma comitiva formada por moradores de Portel, no Marajó, seguiu nesta quinta-feira (8) rumo a Belém para acompanhar de perto a programação do Círio. Neste ano, cerca de 34 veículos participam da viagem, que reúne fé, amizade e o desejo de viver uma experiência diferente pela estrada.

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A viagem tem pouco mais de 400 quilômetros e inclui trechos de estrada pavimentada (PA – 368), chão batido e travessia de balsa. Entre os participantes, há pessoas que fazem o percurso pela primeira vez e outras que já conhecem o trajeto.

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Para Alessandro Gomes, que participa pela primeira vez, a expectativa é grande. “É a primeira vez que eu vou enfrentar essa viagem até Belém, em direção ao Círio. A expectativa está maravilhosa. É muito bom poder acompanhar essa equipe pela estrada”, contou.

Segundo Daniel Guimarães, organizador da comitiva, a viagem começou há cerca de cinco anos com um pequeno grupo de amigos e foi crescendo ao longo do tempo. Hoje, reúne dezenas de pessoas com diferentes histórias e motivos para participar.

“Eu sei que hoje está em 34 veículos, cara. É muita gente. E o que é importante aqui, e até diferente, é que hoje no grupo existe uma miscigenação de pessoas católicas e evangélicas. Então, hoje muitos vão pela fé, muitos pela aventura”, explicou.

Para quem participa pela primeira vez, a viagem também representa um momento de agradecimento e fortalecimento da fé. Um dos integrantes, o professo Adailton Santa, conta que vem se preparando há algum tempo para enfrentar o percurso.

“É um sonho de realização também, da compra do carro, agradecer também, fortalecer a fé. Então, a gente está ansioso pela viagem, pelo momento, completar o trajeto”, afirmou.

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Quem já conhece o caminho lembra que a viagem nem sempre foi fácil. Um dos romeiros mais experientes conta que, em anos anteriores, havia trechos em condições difíceis, com veículos precisando enfrentar áreas de lama e desníveis na estrada.

“Tinha um lado que o carro andava de banda. Um pneu ia no camalhão, outro ia na vala. E hoje a gente percebe que o movimento está maior, o fluxo. Os carros estão aumentando”, relembrou Alaim Marzo.

Apesar dos desafios, a expectativa para a viagem continua sendo marcada pela emoção e pela fé. Segundo o romeiro, a ansiedade aumenta à medida que a partida se aproxima.

“Faz dias que eu não durmo direito. Eu acordo de madrugada pra ver se já chegou o dia. Então, graças a Deus, já é amanhã. Chegou o momento de a gente sair, pedir as bênçãos de Nossa Senhora”, disse.

A expectativa é que os romeiros cheguem a Belém nesta quinta-feira. Depois de percorrer mais de 400 quilômetros, o grupo deve acompanhar de perto a programação do Círio na capital paraense.

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