VIGILÂNCIA SANITÁRIA
Ação integrada fiscaliza batedeiras de açaí em Ponta de Pedras e reforça medidas de prevenção à doença de Chagas
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A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) participou, nesta semana, de uma ação integrada de fiscalização e orientação voltada às boas práticas na cadeia produtiva do açaí, no município de Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó. A iniciativa reuniu representantes da Adepará, Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), Vigilância Sanitária estadual e municipal, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e demais instituições parceiras.
A programação incluiu fiscalizações em batedeiras de açaí localizadas ao longo da rodovia Mangabeira, além de palestras e capacitações voltadas a produtores, batedores de açaí e agentes comunitários de saúde. O objetivo foi fortalecer as ações de prevenção à doença de Chagas e garantir mais segurança alimentar à população.
De acordo com levantamento da Vigilância Sanitária municipal, Ponta de Pedras possui atualmente 166 batedeiras de açaí em funcionamento, e nenhuma delas possui licença sanitária. De acordo com a vigilância sanitária estadual, o município registrou 14 casos confirmados da doença em 2025 e 05 casos até agora em 2026.
Durante a fiscalização, equipes identificaram irregularidades estruturais e falhas no processo de higienização e branqueamento do fruto. Seis estabelecimentos foram interditados. Também foi constatado o uso de produto químico irregular: uma água sanitária com selo de inspeção federal falsificado.
Segundo o coordenador da Sedap, Marivaldo Ferreira, os equipamentos adequados são fundamentais para garantir a segurança no processamento do fruto.
“Em uma das primeiras batedeiras fiscalizadas, identificamos falhas importantes no processo de higienização. O estabelecimento não possuía tanque adequado para completar a terceira lavagem do fruto e o equipamento de branqueamento estava danificado. Esses itens são indispensáveis para garantir todas as etapas do processamento e oferecer um produto seguro ao consumidor”, explicou.
Além da fiscalização, a programação também incluiu palestras educativas sobre prevenção à doença de Chagas e orientações sobre legislação sanitária e rastreabilidade do fruto através da Guia de Trânsito Vegetal (GTV), documento emitido pela Adepará.
A promotora de Justiça Érica Almeida de Sousa, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nucon), vinculado ao Centro de Apoio Operacional Cível, Processual e do Cidadão (CAO Cidadão), destacou a atuação do grupo de trabalho de segurança alimentar, formado há três anos e que já realizou visita técnica em 20 municípios paraenses.
“O grupo foi criado a partir da necessidade de ampliar as estratégias de enfrentamento à doença de Chagas associada ao consumo do açaí. Inicialmente as ações estavam concentradas nos pontos de venda, mas ampliamos esse trabalho e hoje atuamos desde a colheita até o processamento do fruto, fortalecendo toda a cadeia produtiva”, ressaltou a promotora.
Érica Almeida também chamou atenção para o cenário epidemiológico no município e a importância do trabalho permanente de orientação e monitoramento.
“No ano passado foram registrados 14 casos no município. A partir do fortalecimento das ações, as equipes passaram a receber capacitação para diagnóstico e notificação. Com a investigação adequada, conseguimos identificar outros casos e agir com mais rapidez para prevenir novas ocorrências”, afirmou.
Durante a programação, o coordenador estadual do Controle da Doença de Chagas da Sespa, Éder Monteiro, apresentou os índices da doença nos municípios paraenses, principais sintomas da doença e orientou sobre a importância do diagnóstico precoce.
A fiscal estadual agropecuária da Adepará, Karen Neves, destacou o papel da Guia de Trânsito Vegetal (GTV) no controle e rastreabilidade do açaí. Além da orientação aos batedores, os fiscais da agência também realizaram ações educativas na feira do açaí do município, onde o fruto chega de barco vindo de Muaná, São Sebastião da Boa Vista e outros municípios produtores.
“A Guia de Trânsito Vegetal é uma ferramenta essencial para garantir a origem do fruto e fortalecer o controle sanitário ao longo da cadeia produtiva. A rastreabilidade contribui diretamente para a segurança alimentar e para a prevenção de riscos à saúde pública”, explicou.
Os fiscais sanitários, o médico veterinário Milton Santos e a nutricionista Dorilea Pantoja, do Departamento Estadual de Vigilância Sanitária, reforçaram sobre a legislação que determina o branqueamento obrigatório do fruto como medida de prevenção à contaminação.
Já a médica veterinária Maria do Carmo Farias, que atua junto ao Ministério Público do Estado, apresentou as principais irregularidades verificadas durante a fiscalização e alertou para os riscos do uso de produtos químicos irregulares no processamento do açaí. Segundo ela, as batedeiras interditadas não possuíam licença da vigilância sanitária do município, carteira de saúde e nem certificado de manipulador de alimentos.
A programação também contou com cursos de formação voltados a agentes comunitários de saúde, que atuarão como multiplicadores das informações nas comunidades urbanas e rurais do município.
A ação integrada reforça o trabalho contínuo desenvolvido pelas instituições parceiras para garantir a qualidade sanitária do açaí, proteger a saúde da população e fortalecer uma das cadeias produtivas mais importantes do Pará, que ocupa liderança na produção do fruto no Brasil.
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Dois meses depois, sumiço de bebê no Pará continua cercado de mistério
Dois meses após o desaparecimento de José Arthur, o caso continua sem resposta e mantém aberta uma investigação cercada por sigilo, angústia e cobranças por esclarecimento. O menino, que tinha 1 ano e 6 meses, desapareceu na noite de 26 de março, na Vila Peruana, próximo ao Assentamento Lourival Santana, na zona rural de Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, município localizado a cerca de 650 quilômetros de Belém.
Segundo a Polícia Civil, José Arthur estava brincando na área externa da residência onde morava com a família, ao lado da irmã, de uma prima e de uma amiga, quando desapareceu. Desde então, nenhum vestígio da criança foi encontrado.
O cenário onde o menino sumiu reúne áreas de vegetação, rio e a passagem de uma rodovia federal, o que ampliou a complexidade das buscas realizadas logo nos primeiros dias. Para tentar localizar a criança, uma força-tarefa reuniu equipes do Corpo de Bombeiros, moradores da região, cães farejadores, drones e mergulhadores. Apesar da mobilização e das varreduras feitas em diferentes pontos da área rural, as buscas não chegaram a uma resposta concreta.
Família busca apoio jurídico e cobra respostas
A falta de respostas prolonga a dor da família. Dois meses depois do desaparecimento, a mãe de José Arthur, Geiciara Souza Gonçalves, afirmou ao site Bebê Mamãe, do portal R7, continuar sem informações sobre o paradeiro do filho e relata que a espera tem sido marcada pela ansiedade e pela incerteza.
Geiciara também afirmou que a rotina da família mudou desde o desaparecimento. Segundo ela, o sofrimento afeta não apenas a mãe, mas também os irmãos da criança.
“Tem dias que eu não consigo dormir, dias que não consigo comer porque eu penso nele, sem saber onde ele está, com quem possa estar. Meu filho de 8 anos também sofre com a falta dele”, relatou.
Em meio à falta de respostas e diante da demora por novidades na investigação, a família decidiu reforçar a busca por esclarecimentos. Recentemente, Geiciara anunciou a contratação do advogado criminalista Elisson Araújo, que passa a acompanhar o caso e cobrar informações sobre o andamento das investigações.
Segundo o advogado, o trabalho será voltado para buscar esclarecimentos junto às instituições responsáveis e garantir apoio à família na busca por respostas.
A Polícia Civil reforça que qualquer informação que possa ajudar nas investigações pode ser repassada de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181. Enquanto isso, o caso José Arthur permanece sem desfecho público, mantendo viva a mobilização em Eldorado do Carajás e aumentando a pressão por respostas sobre um desaparecimento que segue sem solução dois meses depois.
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