VERÃO SEVERO
Pará cria plano de combate a seca e queimadas, aumenta efetivo, mas precisa do Governo Federal
Efetivo militar subiu de 108 para 180, 24 viaturas estão em campo e 15 frentes de trabalho estão em atuação, no entanto, Estado depende da logística federal
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Após decretar situação de emergência no estado, ontem (17) o governador do Pará, Helder Barbalho, anunciou o aumento do efetivo de militares de 108 para 180, um incremento de 66%, destinados ao combate a incêndios. Além disso, o governador destacou que atualmente há 24 viaturas em campo, além de 15 frentes de combate em atuação. No entanto, o chefe de Executivo estadual revelou que vai precisar de ajuda federal com logística e aeronaves para o deslocamento de tropas para todas as áreas demandadas.
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O anúncio foi feito durante a assinatura do Plano Estadual de Ações de Combate à Estiagem, Queimadas e Incêndios Florestais (PAEINF 2024), que tem o objetivo de promover medidas para o socorro, resgate e salvamento, combate a incêndios, recuperação de serviços essenciais, assistência e logística humanitária, entre outras medidas para reduzir danos e prejuízos, além de reduzir o tempo de resposta do Corpo de Bombeiros Militar e Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cedec) a essas ocorrências.
Criado diante do cenário de seca severa e crescimento das queimadas no estado, incluindo o Arquipélago do Marajó que já registra falta de água e morte de animais, o plano reforça o papel e o trabalho pré-desastre das duas entidades, voltado para a diminuição do número de eventos com potencial de desastres no Pará ou suas consequências, bem como o trabalho de resposta e reconstrução pós-desastre, visando restaurar a normalidade social.
O plano tem como base o Decreto Estadual 3.629/2023, que cria o Comitê Integrado de Resposta à Estiagem e Incêndios Florestais no Pará (CIREIF), e como foco os municípios das regiões mais afetadas, entre elas, Araguaia, Baixo Amazonas, Carajás, Guajará, Guamá, Lago de Tucuruí, Marajó, Rio Caeté, Rio Capim, Tapajós, Tocantins e Xingu.
Entre os objetivos estabelecidos no plano estão a identificação das áreas com risco de estiagem, queimadas e incêndios florestais, a proposição de ações de prevenção, redução e preparação, a estruturar ações de resposta e recuperação e o fortalecimento do sistema estadual de proteção e defesa civil no Pará, além da intensificação das ações integradas de defesa civil com os órgãos integrantes permanentes.
“Nossa estratégia emergencial será apresentada ao sistema nacional de Defesa Civil, com o intuito de reduzir os impactos e fortalecer as ações do governo estadual. O aumento dos focos de queimadas é alarmante, com um crescimento de 110% em comparação a 2023, passando de 3.599 para 7.565 áreas afetadas. Estamos mobilizando 24 viaturas, 180 bombeiros e 15 frentes de combate, além de helicópteros e caminhões-tanque para enfrentar essa situação”, afirmou Helder Barbalho.
Apoio federal
O governador também anunciou uma reunião em Brasília, nesta quinta-feira (19), com o governo federal e outros governadores para discutir estratégias conjuntas.
“Defenderemos a importância de um maior apoio federal, especialmente em áreas críticas, como a terra indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, que tem sido um dos principais focos de incêndio”, destacou.
“Com recursos federais poderíamos deslocar a nossa tropa para as áreas do estado, e desta forma, com esta regulação da estratégia de enfrentamento e apoio das forças nacionais. Solicitaremos apoio com aeronaves, seja com aviões e helicópteros, apoio logístico e de custeio para ampliação da tropa e formação de brigadistas”, adiantou o chefe do Executivo estadual.
O plano
O PAIENF-2024, requisitado pelo Ministério Público Federal, foi elaborado a partir da análise de mapeamentos e cenários de risco identificados como prováveis e relevantes, caracterizados como hipóteses para eventos extremos de estiagem e incêndios florestais.
Entre as ações que serão desenvolvidas estão:
- Implantação da Sala de Monitoramentos de Informações de Desastres (SIMD);
- Implantação e Estruturação do Boletim de Informações Queimadas e Incêndio florestal (BolMeQ);
- Mapeamento de Área de Focos de Calor;
- Vistorias em áreas de Focos de queimadas;
- Assessoramento municipal em Situação de Emergência por estiagem e incêndio florestal;
- Acompanhamento das decretações de Situações de Emergência ou Estado de Calamidade Pública no Sistema Informação de Desastres do Pará (SiD-Pará);
- Mobilização do SEPDEC em Situação de Emergência e Calamidade Pública;
- Operação Fênix 2024;
- Curso de Combate a Incêndio Florestal na Amazônia CCIFA 2024;
- e a Instrução de Nivelamento de Conhecimento (INC) Florestal.
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio Romão, listou os municípios que apresentam as maiores áreas recobertas por cicatrizes de fogo e apresentou o cenário meteorológico.
“Os municípios com as maiores áreas recobertas por cicatrizes de fogo São Félix do Xingu, Altamira, Novo Progresso, Ourilândia do Norte, Cumaru do Norte, Itaituba, Parauapebas, Santana do Araguaia, Bannach e Santarém. Destacamos também as áreas federais atingidas, onde o corpo de bombeiros também está atuando. Temos, neste mês de setembro, uma anomalia, com chuvas abaixo do esperado. No mês de outubro, isso se manterá, predominantemente, e em novembro as chuvas devem retornar inclusive um pouco acima da média. A anormalidade é um indicativo forte das mudanças climáticas que a gente vem observando”, afirmou o secretário.
O subcomandante geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Helton Moraes, destacou que “o cenário dos incêndios florestais no Pará está 200% mais grave em relação aos anos anteriores, em especial, o ano de 2023. Então, nesse cenário crítico, com a maioria dos municípios queimando, é necessário um esforço extra, além do usual, para fazer o enfrentamento qualificado. Nesse sentido, o governador Helder Barbalho, através de um decreto, criou um comitê integrado de respostas à estiagem e aos incêndios florestais e esse comitê, capitaneado pelo corpo de bombeiros, mas composto também pela Semas, e diversas outras secretarias do estado, criou o Plano de Ações de combate à Estiagem e para o enfrentamento aos incêndios e queimadas”.
As ações do plano envolvem diversas secretarias do estado, incluindo Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Infraestrutura e Logística (Seinfra), Agricultura Familiar (Seaf), Desenvolvimento Agropecuário e Pesca (Sedap), Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e Saúde Pública (Sespa), além da Polícia Militar.
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Marajó ganha reforço histórico na saúde com novos investimentos e barcos-hospitais integrados ao programa federal
Durante agenda em Belém (PA), sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 30), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (12) a integração dos barcos-hospitais Papa Francisco e São João XXIII ao programa Agora Tem Especialistas – Rios de Especialistas. A ação amplia o atendimento especializado fluvial na Amazônia e fortalece o acesso à saúde na região. Além disso, R$ 240 milhões serão investidos para ampliar a rede de média e alta complexidade no Pará.
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“Essa é uma novidade do programa Agora Tem Especialistas. O Ministério da Saúde passa a apoiar barcos-hospitais que até hoje contavam apenas com recursos das secretarias de Saúde do Pará e do Amazonas. Só aqui na COP 30, em uma semana, foram realizados mais de 10 mil atendimentos, entre consultas odontológicas e cirurgias, inclusive procedimentos complexos. Com o apoio do ministério, a meta é garantir funcionamento permanente e ampliar em até 9 mil o número de cirurgias na Amazônia Legal”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A integração dos barcos-hospitais ao programa garante mais acesso a consultas, exames e cirurgias para populações ribeirinhas e indígenas em áreas isoladas, além de fortalecer a qualificação das equipes multiprofissionais locais e contribuir para a melhoria dos indicadores de saúde e equidade. A expectativa é chegar a 9 mil cirurgias, com foco nas especialidades de urologia e ginecologia.
O Barco Hospital Papa Francisco, em operação desde 2019, atende 17 municípios da Calha Norte do Pará, alcançando mais de um milhão de pessoas. Em seis anos, já realizou 591 mil atendimentos, incluindo consultas médicas e odontológicas, exames, cirurgias e ações de farmácia e enfermagem. O projeto conta com 32 profissionais fixos e o apoio de mais de 7,5 mil voluntários.
O Barco Hospital São João XXIII, do projeto Na Providência de Deus, atua em 19 municípios do Amazonas e beneficia cerca de um milhão de habitantes. Somente em 2025, foram 17 expedições e 128 mil atendimentos, entre cirurgias e internações. A embarcação é referência em cirurgias oftalmológicas e em procedimentos de média complexidade realizados a bordo.
Investimentos priorizam o Marajó
Dos R$ 240 milhões anunciados, parte importante será destinada ao fortalecimento da rede de saúde no arquipélago do Marajó, região com histórico de dificuldades de acesso a serviços médicos. O pacote inclui 20 ambulanchas, sendo 18 destinadas ao Marajó, uma ao Xingu e uma ao Tapajós.
Essas embarcações vão reforçar o transporte sanitário fluvial, levando atendimento médico e suporte emergencial às comunidades ribeirinhas e insulares, que muitas vezes dependem exclusivamente dos rios para se deslocar.
Entre os serviços contemplados também estão 3 UPAs (Belém, Breves e São Félix do Xingu), 3 CAPS (Belém, Bom Jesus do Tocantins e Santa Bárbara do Pará), além de 45 novos leitos, sendo 23 de UTI no Hospital Barros Barreto, e o fortalecimento do Serviço de Atendimento Domiciliar.
Legados para a região
As iniciativas fazem parte dos legados permanentes do Ministério da Saúde para o Pará, que busca garantir melhorias estruturais e reduzir o tempo de espera por atendimento. Desde 2023, o estado recebeu R$ 4,7 bilhões em investimentos federais, dos quais R$ 1,6 bilhão foram destinados a Belém, fortalecendo a atenção primária e especializada, a vigilância e a realização de cirurgias.
Entre os avanços estão a construção de novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a ampliação de leitos e a contratação de 554 agentes comunitários de saúde, ampliando a presença do SUS nos territórios.
Coordenação durante a COP 30
Durante a agenda, o ministro Padilha também visitou o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), responsável por coordenar as ações de saúde durante a COP 30. A estrutura reúne profissionais das três esferas do SUS e utiliza tecnologia de monitoramento em tempo real, inspirada em grandes eventos como o Círio de Nazaré, Olimpíadas e Copa do Mundo.
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