ENTRE 144 MUNICÍPIOS
PIB per capita despenca no Marajó e região tem 14 cidades abaixo da 100ª colocação no Pará
Nenhuma cidade do Marajó aparece entre as 60 mais bem posicionadas e 14 dos 17 municípios estão abaixo da 100ª posição num universo de 144 localidades
MARAJÓ
A situação dos municípios marajoaras, que é ruim no relatório do Produto Interno Bruto (PIB) municipal do Pará com os números de 2021 sem nenhuma cidade da Região de Integração do Marajó no topo da lista, piora quando a divisão da riqueza gerada é feita por habitantes de cada localidade. O gráfico do PIB per capita, calculado Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostra que nenhuma cidade do Marajó aparece entre as 60 mais bem posicionadas e que 14 dos 17 municípios estão abaixo da 100ª posição num universo de 144 localidades.
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Ao todo, sete cidades regrediram no ranking estadual (tabela abaixo) e perderam posições, embora 16 tenham registrado crescimento no PIB por pessoa. A única que viu a riqueza diminuir foi Oeiras do Pará, que em 2020 possuía um PIB per capita de R$ 13.542 que em 2021 caiu para R$ 12.629 (os números acompanham a queda do PIB, também registrada em Oeiras).
Na comparação com 2020, Oeiras despencou 24 posições na tabela e saiu da 59ª colocação para a 83ª. Movimento semelhante foi registrado em Breves, que perdeu 10 posições ao cair da 124ª para a 134ª em 2021. A terceira maior queda, de nove colocações, foi registrada em Afuá, que estava na 86ª posição em 2020 e que caiu para a 95ª em 2021.
Importância do PIB Per Capita
O PIB per capita é o resultado da divisão do PIB de um local dividido pelo número de habitantes (o estudo é de 2021 e não leva em consideração o Censo de 2022). O PIB por pessoa representa o que cada habitante teria do total de riquezas que são produzidas no local.
O índice deveria indicar o padrão de vida de cada habitante, mas nem sempre traduz a realidade, especialmente em cidades onde há enorme concentração de renda, a exemplo dos municípios marajoaras.
Cidades menores, com menos habitantes, tendem a ter um PIB per capita mais elevado, a exemplo de Santa Cruz do Arari, menor cidade do Marajó que ocupa a 8° colocação na região. O município se caracteriza por produzir grandes riquezas em fazendas e por concentrar o valor nas mãos de poucos muito ricos. Como possui menos de 10 mil habitantes, a divisão favorece a elevação do PIB per capita. A situação é inversa em Breves, maior cidade do Marajó, que divide o seu PIB, que não é alto, por mais de 100 mil habitantes.
Consequências para o Marajó
O PIB per capita do Marajó é baixo. A título de comparação, em São Paulo, maior cidade do país, o PIB por pessoa em 2021 ficou em R$ 66,8 mil, o que coloca a metrópole na 510ª colocação no Brasil. Portel, que tem o maior índice do Marajó com R$ 14,8 mil ocupa apenas 3.812 posição entre os 5.570 municípios brasileiros. Melgaço, menor PIB per capita marajoara com R$ 7,7 mil, tem apenas duas cidades no Pará e 100 no Brasil em pior situação, ocupando a 5.470ª posição.
O economista e conselheiro Conselho Regional de Economia dos estados do Pará e Amapá (Corecon PA/AP), Nélio Bordalo Filho, explicou que a constatação de que o PIB per capita na região do Marajó é baixo sugere diversas condições econômicas e sociais que podem impactar o desenvolvimento local.
Bordalo citou como exemplo o baixo desenvolvimento econômico da região, a desigualdade de renda, a limitação de infraestrutura, acesso a serviços básicos, a falta de estrutura para produção agrícola e atividades tradicionais, problemas socioeconômicos crônicos e mau aproveitamento do potencial de desenvolvimento.
“Um PIB per capita baixo indica que a produção econômica na região é relativamente modesta quando comparada ao número de habitantes. Isso pode ser reflexo de atividades econômicas limitadas, falta de diversificação ou baixa produtividade em setores-chave. A baixa média de renda per capita pode indicar uma distribuição desigual de recursos e renda na região. Enquanto alguns podem estar em situação econômica favorável, outros podem enfrentar dificuldades financeiras, contribuindo para a desigualdade social”, exemplificou o economista.
Na opinião de Bordalo, a situação pode ser amenizada melhorando a infraestrutura, como estradas, energia, telecomunicações e outros serviços que podem atrair investimento para a região aumentando a oferta de empregos, de crédito e de qualidade de vida para o marajoara.
“Entender as razões por trás do baixo PIB per capita no Marajó é crucial para orientar políticas públicas e iniciativas que visem melhorar as condições econômicas e sociais na região, buscando promover o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população local”, enfatizou Bordalo.
Ranking do PIB per capita no Marajó em 2021 *
| Ranking Marajó | Cidade | PIB per capita R$ | Ranking Pará 2021 | Ranking Pará 2020 |
| 1° | Portel | 14.816,20 | 63° ↓7 | 56° |
| 2° | Oeiras do Pará | 12.629,63 | 83° ↓24 | 59° |
| 3° | Afuá | 11.130,94 | 95° ↓9 | 86° |
| 4° | Cachoeira do Arari | 10.504,21 | 103° — | 103° |
| 5° | Chaves | 10.269,71 | 104° ↑6 | 110° |
| 6° | Gurupá | 9.795,38 | 113° ↑1 | 114° |
| 7° | Soure | 9.389,68 | 118° — | 118° |
| 8° | Santa Cruz do Arari | 9.150,41 | 122° ↑8 | 130° |
| 9° | São Sebastião da Boa Vista | 8.974,71 | 126° ↓7 | 119° |
| 10° | Salvaterra | 8.624,59 | 130° ↓1 | 129° |
| 11° | Anajás | 8.607,88 | 132°↑4 | 136° |
| 12° | Ponta de Pedras | 8.599,05 | 133° — | 133° |
| 13° | Breves | 8.572,43 | 134° ↓10 | 124° |
| 14° | Muaná | 8.172,04 | 137° ↓5 | 132° |
| 15° | Curralinho | 7.951,38 | 138° ↑1 | 139° |
| 16° | Bagre | 7.837,69 | 139° ↑1 | 140° |
| 17° | Melgaço | 7.711,49 | 142° — | 142° |
Fonte: IBGE e Fapespa.
Elaboração:Fapespa,2023.
*Dados sujeitos a revisão.
Veja o ranking do PIB marajoara em 2021 *
| Posição Marajó | Cidade | Posição Pará | Valor em R$ 2021 |
| 1° | Portel | 39° ↓7 | 945.733 milhões ↑ |
| 2° | Breves | 42° ↓7 | 893.933 milhões ↑ |
| 3° ↑1 | Afuá | 75° ↓5 | 444.236 milhões ↑ |
| 4° ↓1 | Oeiras do Pará | 79° ↓10 | 419.077 milhões ↓ |
| 5° | Muaná | 90° ↓13 | 338.764 milhões ↑ |
| 6° | Gurupá | 91° ↑2 | 334.287 milhões ↑ |
| 7° | Curralinho | 100° ↓3 | 282.512 milhões ↑ |
| 8° | Ponta de Pedras | 103° — | 275.230 milhões ↑ |
| 9° ↑2 | Anajás | 106° ↑1 | 259.020 milhões ↑ |
| 10° ↓1 | Cachoeira do Arari | 107° ↓1 | 255.830 milhões ↑ |
| 11° ↓2 | Bagre | 108° ↓3 | 250.548 milhões ↑ |
| 12° ↑1 | Chaves | 109° ↑1 | 248.270 milhões ↑ |
| 13° ↓1 | São Sebastião da Boa Vista | 111° ↓3 | 245.028 milhões ↑ |
| 14° | Soure | 113° ↓2 | 241.803 milhões ↑ |
| 15° | Melgaço | 117° ↓1 | 216.855 milhões ↑ |
| 16° | Salvaterra | 118° — | 210.371 milhões ↑ |
| 17° | Santa Cruz do Arari | 139° — | 96.043 milhões ↑ |
Fonte: IBGE e Fapespa.
Elaboração:Fapespa,2023.
*Dados sujeitos a revisão.
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Projeto de Extensão leva educação para o trânsito a escolas no Marajó
Um projeto de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), no Campus Universitário do Marajó-Soure, promove ações de educação para o trânsito com crianças e jovens do município. Iniciado em agosto de 2025, em parceria com o Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran/Ciretran B), a Secretaria de Educação Municipal e a Prefeitura de Soure, o projeto “Juventude em Movimento: Educação para um Trânsito Seguro em Soure” busca estimular a cidadania e a segurança no trânsito entre estudantes, considerando as características da mobilidade urbana local.
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“A mobilidade urbana de Soure é marcada pela presença significativa de pedestres, ciclistas e motociclistas, além dos desafios relacionados à sinalização, às condutas de risco e à ausência de dados sistematizados sobre a realidade do trânsito no município”, explica Rodrigo Ribeiro, servidor técnico-administrativo da UFPA e coordenador do projeto.
A iniciativa promove campanhas e blitz educativas, orientações a pedestres, ciclistas e condutores, rodas de conversa, oficinas temáticas, quizzes interativos, intervenções lúdicas e atividades educativas em escolas e outros espaços públicos. Também estão previstas ações em locais estratégicos do município, como o mercado municipal, as agências.
Formação de agentes multiplicadores – O público-alvo do projeto são estudantes de escolas públicas de Soure, com idade entre 14 e 17 anos, selecionados para atuar como agentes multiplicadores das ações de educação para o trânsito. A iniciativa também conta com a participação de 20 discentes voluntários da UFPA – Campus do Marajó-Soure.
“Essa formação contribui para que os jovens reconheçam situações de risco, reflitam sobre suas próprias condutas e se tornem agentes de transformação em seus espaços de convivência”, destaca Rodrigo Ribeiro. “Quando crianças e jovens têm contato com esses conhecimentos, desde cedo, passam a compreender que o trânsito é um espaço de convivência coletiva e que as escolhas de cada pessoa podem afetar a segurança e a vida de outras”.
Em setembro, o projeto esteve na Creche Alegria do Sossego, em Soure, a convite da instituição, para uma ação de conscientização com o tema “Trânsito seguro começa em casa”. A atividade aproximou a discussão sobre segurança no trânsito do cotidiano das famílias e envolveu crianças, pais e responsáveis.
“A atividade buscou aproximar a discussão sobre segurança no trânsito do cotidiano das famílias, mostrando que atitudes responsáveis, respeito e cuidado podem e devem ser aprendidos e praticados desde cedo”, afirma o coordenador.
Segundo Rodrigo Ribeiro, a proposta é envolver os jovens não apenas como participantes, mas também como agentes multiplicadores dos conhecimentos adquiridos. “A ideia é que eles possam levar essas reflexões para suas escolas, famílias e para a comunidade”, acrescenta.
Próximas ações – Em outubro, será realizada uma nova etapa de formação e capacitação dos jovens participantes. A oficina metodológica será ministrada pela pedagoga Elizabeth Carvalho, coordenadora das Ações de Educação para o Trânsito do Detran-PA e apoiadora do projeto.
Já em novembro, durante o Seminário Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), o Campus Universitário do Marajó-Soure sediará, entre outras atividades acadêmicas, uma roda de conversa sobre educação e segurança no trânsito, aberta às comunidades acadêmica e externa. A atividade será destinada ao compartilhamento das experiências desenvolvidas pelo projeto, à discussão dos desafios relacionados ao trânsito em Soure e à reflexão sobre a continuidade das ações.
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