PARÁ
Sespa reforça alerta para o combate ao mosquito transmissor da malária
PARÁ
O Dia Mundial de Luta Contra a Malária – 25 de Abril incentiva o debate voltado à conscientização sobre as melhores estratégias de prevenção. Nesse sentido, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) considera oportuno o alerta à população sobre a importância de combater os insetos transmissores da doença.
Segundo dados da Coordenação de Controle da Malária da Sespa, atualizados até 30 de março, em 2026 foram confirmados 5.286 casos da doença no Pará. Em 2025, foram 19.768 ocorrências confirmadas, uma queda de quase 20% ao registrado no ano anterior, concluído com 24.297 casos.
No decorrer de 2026, as ações desenvolvidas pelo Estado, por meio da Sespa, em conjunto com os 144 municípios, prosseguirão na vigilância constante dessa endemia e na facilitação do acesso ao diagnóstico e tratamento imediato dos casos suspeitos, além do combate ao inseto transmissor.

“A Sespa prossegue empenhada na capacitação de profissionais de saúde dos municípios para a adoção de novas tecnologias para combater a doença, incluindo o uso ampliado de testes rápidos e a adoção do antimalárico Tafenoquina, um medicamento inovador de dose única. O fármaco é indicado para a cura da malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável por mais de 80% dos casos da doença no Pará”, informou a coordenadora do Programa de Controle de Malária pela Sespa, Paoola Vieira.
Sintomas e tratamento – A malária é causada por um parasita transmitido pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, que se infecta ao picar uma pessoa doente. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre alta, calafrios, tremores e sudorese (suor intenso). Outros sintomas que podem aparecer inicialmente são náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite.
O diagnóstico pode ser feito por meio de gota espessa ou teste rápido. A gota espessa é obtida com amostra de sangue colhida diretamente por punção digital (furo na ponta do dedo).
A malária tem cura. O tratamento é eficaz, simples e gratuito. Entretanto, se não for diagnosticada e tratada de forma oportuna e adequada, pode evoluir para as formas graves. Daí a importância de a pessoa que tenha viajado, nos últimos 15 dias, para uma área endêmica de malária, procurar imediatamente o serviço de saúde assim que apresentar algum desses sintomas.
O tratamento é feito de acordo com o peso do paciente e espécie parasitária, podendo ser por P. vivax, Plasmodium falciparum ou mista. Com resultado positivo para malária, o paciente recebe os medicamentos e inicia imediatamente o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É importante que o paciente complete o tratamento mesmo já estando sem sintomas, para que alcance a cura.
As principais medidas preventivas são instalar telas em portas e janelas da casa, se possível; evitar construir casas perto de matas e igarapés, pois são locais onde o mosquito vive e se reproduz, e usar mosquiteiros e repelentes.
Insumos e capacitações – Ao longo deste ano, a Sespa continuará intensificando várias ações de forma complementar para garantir o controle e reduzir a carga da doença. Porém, é importante dar sustentabilidade a essas ações e manter a vigilância, assim como sensibilizar a gestão local.
A Sespa prossegue também com a garantia de insumos estratégicos, como inseticida, medicamentos e testes rápidos, para os 13 Centros Regionais de Saúde, além do assessoramento técnico nas ações de investigação e controle de casos, por meio de capacitações realizadas pela Secretaria, com apoio do Laboratório Central do Estado (Lacen) em diversos municípios, e dezenas de participações de técnicos da Coordenação de Malária em capacitações sobre a doença, em articulação com os demais entes federativos.
Fonte: Governo PA
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Justiça Federal autoriza retomada do abate experimental de búfalos invasores na Amazônia
A Justiça Federal autorizou a retomada do abate experimental de búfalos invasores em áreas protegidas de Rondônia, ação conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A atividade foi suspensa em março, poucos dias após seu início, por decisão judicial que atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).
O projeto piloto do ICMBio prevê a eliminação de cerca de 10% dos 5 mil búfalos invasores no Vale do Guaporé. O objetivo é testar os métodos mais eficientes e seguros de abate e avaliar os possíveis impactos ambientais, servindo de base para que o órgão possa elaborar o plano de erradicação.
No entanto, assim que o projeto foi iniciado, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma petição alegando que o abate foi iniciado sem apresentação de um plano de controle e que povos indígenas e comunidades quilombolas que são impactadas pelo manejo dos búfalos não foram consultados sobre a ação.
Na decisão que suspendeu o abate, o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk apontou que uma determinação anterior permitia ao ICMBio apenas elaborar o plano de controle da espécie, sem autorizar a execução da eliminação dos animais naquele momento.
No entanto, ao reavaliar o caso, o magistrado considerou os argumentos do ICMBio e concluiu que o projeto piloto tem caráter científico, sendo essencial para responder questões técnicas que vão subsidiar a elaboração de um plano de erradicação consistente.
Também ficou comprovado que o povo indígena Tupari, que é diretamente impactado tanto pela presença dos búfalos quanto pelas atividades de pesquisa, foi consultado previamente e manifestou apoio às ações. Já em relação às demais comunidades tradicionais da região, o entendimento foi de que, neste estágio inicial do estudo, não há impacto direto sobre seus territórios.
Outro fator decisivo foi o relato de aproximação de búfalos a áreas habitadas por indígenas, o que, segundo o juiz, representa risco concreto à vida e à integridade física, especialmente de crianças e idosos.
Condições estabelecidas
O ICMBio terá que apresentar a cada três meses um relatório com as atividades realizadas no Projeto Piloto, como a quantidade de búfalos abatidos e o resultado das análises feitas pelos pesquisadores. O instituto também deve comunicar formalmente comunidades tradicionais que possam ser impactadas.
A Funai tem 90 dias para auxiliar comunidades indígenas e quilombolas da região a elaborar e formalizar Protocolos de Consulta Prévia, Livre e Informada, caso ainda não os possuam. Além disso, a fundação precisa apresentar uma manifestação conclusiva sobre a situação territorial das comunidades indígenas afetadas, os impactos das operações de manejo sobre seus direitos e a necessidade de realização de consulta prévia.
Por que os búfalos estão sendo abatidos?
Como não são nativos do Brasil, os búfalos não possuem predadores naturais. Soltos e se reproduzindo sem controle, eles provocam graves impactos ambientais, como a extinção de espécies da fauna e da flora nativas e alteração no curso dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local.
De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate é, no momento, a única alternativa viável para resolver a questão. Como a região é isolada e de difícil acesso, não existe logística possível para retirar os animais vivos ou mortos. Além disso, como se desenvolveram sem controle sanitário, a carne não pode ser aproveitada.
Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, uma região de encontro entre três biomas: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado.
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Búfalos selvagens em Rondônia — Foto: Arte g1
As reservas biológicas são a categoria de proteção ambiental mais restritiva em Rondônia. As únicas atividades permitidas nessas áreas são a educação ambiental e pesquisas científicas. No entanto, algumas famílias ainda vivem nesses locais, pois já residiam ali antes da criação das unidades de conservação.
“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas [nativas] e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas. Algumas espécies que a gente só tem registros aqui, sejam elas residentes ou migratórias”, explica o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido.
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