AGRONEGÓCIO
Sylvamo registra prejuízo no 1º trimestre de 2026, mas mantém investimentos estratégicos e aposta em recuperação global
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A Sylvamo divulgou os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 3 milhões e EBITDA ajustado de US$ 29 milhões, equivalente a uma margem de 4%. Apesar do desempenho pressionado por custos operacionais, restrições logísticas e desafios industriais, a companhia reforçou sua estratégia de investimentos de longo prazo e manteve perspectivas positivas para os próximos anos.
Segundo o CEO John Sims, 2026 segue sendo um ano de transição para a companhia, principalmente em função das mudanças na estrutura industrial da América do Norte, do encerramento do acordo de fornecimento da unidade de Riverdale e das paradas programadas na fábrica de Eastover, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos.
Investimentos industriais avançam dentro do cronograma
A empresa destacou que seus principais projetos estratégicos continuam avançando conforme o planejado. Entre eles, está o projeto de otimização da máquina de papel da fábrica de Eastover, cuja conclusão está prevista para o quarto trimestre deste ano.
Além disso, a nova cortadeira de papel em formato padronizado deverá ser instalada no terceiro trimestre, com aumento da produção previsto para os últimos meses de 2026.
Outro destaque é o projeto de modernização do pátio de madeira, cuja linha de hardwood já entrou em operação e vem apresentando melhora na qualidade dos cavacos e no rendimento industrial. A operação da linha de softwood está prevista para começar no primeiro trimestre de 2027.
Tarifas dos EUA alteram estratégia logística da empresa
A Sylvamo também informou que revisou sua estratégia de abastecimento após mudanças nas tarifas globais dos Estados Unidos implementadas no fim de fevereiro.
Inicialmente, a companhia vinha importando produtos de suas operações na Europa para atender clientes norte-americanos. No entanto, com o novo cenário tarifário, a empresa passou a ampliar o envio de produtos originados no Brasil, reduzindo gradualmente as importações europeias.
Segundo a companhia, a alteração deve reduzir em aproximadamente US$ 20 milhões os custos de transição industrial da operação norte-americana ao longo de 2026.
Custos elevados pressionam resultado operacional
O desempenho financeiro do trimestre foi impactado pelo aumento de custos com energia, produtos químicos, diesel e frete marítimo, consequência direta das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Além disso, problemas de confiabilidade operacional em unidades da Europa e da América Latina também afetaram os resultados. A empresa afirmou que a maior parte das causas já foi corrigida ou será solucionada durante as próximas paradas programadas de manutenção.
O fluxo de caixa livre da companhia ficou negativo em US$ 59 milhões no trimestre, reflexo de menores lucros, formação de estoques, pagamentos concentrados no período e desembolso de incentivos anuais.
Mesmo assim, a empresa ressaltou que historicamente concentra a maior geração de caixa no segundo semestre e espera repetir esse comportamento em 2026.
Mercado de papel apresenta cenários distintos entre regiões
Na Europa, a companhia afirmou que a dinâmica de oferta e demanda segue desafiadora, embora os preços da celulose tenham melhorado ao longo do trimestre. A empresa também anunciou um segundo reajuste de preços do papel, válido a partir de maio.
Na América Latina, a demanda apresentou desaceleração sazonal no primeiro trimestre após um quarto trimestre mais aquecido. Ainda assim, a expectativa é de recuperação gradual ao longo do ano.
A companhia informou que os reajustes de preços já começaram a produzir efeitos no Brasil, em mercados de exportação da América Latina, além de países do Oriente Médio e África.
Na América do Norte, a Sylvamo avalia que o equilíbrio entre oferta e demanda melhorou após a retirada de aproximadamente 7% da oferta anual de papel não revestido, consequência da conversão da fábrica de Riverdale.
A empresa também observou queda significativa das importações para o mercado norte-americano e expectativa de ganhos adicionais com reajustes de preços ao longo do segundo trimestre.
Empresa reforça estratégia lean e metas de longo prazo
A Sylvamo destacou ainda que está acelerando sua transformação operacional baseada na filosofia lean, modelo focado em eficiência, redução de desperdícios e melhoria contínua.
O processo começou na América Latina durante o primeiro trimestre e deverá avançar para a América do Norte ao longo do segundo trimestre.
Como meta de longo prazo, a companhia projeta potencial para gerar anualmente cerca de US$ 300 milhões em fluxo de caixa livre e atingir retorno de 15% sobre o capital investido, à medida que os investimentos industriais forem concluídos e as condições do mercado global se estabilizarem.
Conselho mantém distribuição de dividendos
Mesmo diante do cenário desafiador, o conselho de administração da companhia aprovou o pagamento de dividendo trimestral de US$ 0,45 por ação, distribuído em 28 de abril.
A empresa também anunciou o refinanciamento de uma dívida com vencimento em 2027, ampliando seu perfil de vencimentos e fortalecendo a flexibilidade financeira em meio ao ambiente global de incertezas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Acordo Mercosul-União Europeia deve ampliar concorrência e acelerar mercado de vinhos no Brasil
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia promete remodelar o mercado de vinhos na América do Sul e ampliar a competitividade entre produtores dos dois blocos. Com entrada em vigor prevista para 1º de maio, o tratado prevê a redução gradual das tarifas de importação sobre vinhos europeus, movimento que deve impactar preços, ampliar a oferta de rótulos e acelerar a disputa por espaço no mercado brasileiro.
A expectativa do setor é de que a medida favoreça tanto o acesso do consumidor a produtos importados quanto a expansão comercial de produtores sul-americanos no mercado europeu.
Segundo o CEO da Ideal BI Consulting, Felipe Galtaroça, o acordo representa uma mudança estrutural para o setor vitivinícola brasileiro.
“A ratificação do acordo UE-Mercosul promete redesenhar as forças do setor vitivinícola no Brasil. A queda gradual dos impostos tende a ampliar a presença de vinhos europeus e aumentar a pressão competitiva sobre mercados já consolidados”, afirma.
Vinhos portugueses ampliam presença no mercado brasileiro
Entre os países europeus, Portugal aparece como um dos mais atentos às oportunidades abertas pelo novo cenário comercial.
De acordo com o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, a eliminação gradual das tarifas deve criar condições mais equilibradas de concorrência e ampliar o alcance dos vinhos europeus no Brasil.
“No contexto brasileiro, trata-se de um mercado estratégico para os Vinhos de Portugal, que atualmente detêm cerca de 16% de participação de mercado. A redução das tarifas poderá ampliar o acesso dos consumidores e permitir maior competitividade em diferentes faixas de preço”, destaca.
Falcão ressalta ainda que o acordo também beneficia produtores do Mercosul, que passam a contar com melhores condições de acesso ao mercado europeu.
Além da disputa entre origens, o executivo avalia que o principal impacto será a expansão do consumo da bebida.
“A maior oportunidade está na democratização do consumo de vinho, tornando o produto mais acessível ao consumidor e fortalecendo o crescimento do mercado como um todo”, afirma.
Alemanha amplia foco na América do Sul
A Alemanha também começa a direcionar atenção estratégica para a América do Sul diante da redução das barreiras comerciais.
O Instituto Alemão do Vinho (Deutsches Weininstitut) participará pela primeira vez da ProWine São Paulo em 2026, enxergando o Brasil como mercado de alto potencial de crescimento.
Atualmente, o país ocupa apenas a 38ª posição entre os destinos dos vinhos alemães, mas o setor avalia que fatores como expansão da classe média, dimensão do mercado consumidor e mudanças nos hábitos de consumo podem acelerar esse avanço.
Além do aspecto econômico, produtores alemães identificam afinidade entre os vinhos brancos do país — geralmente mais leves, frescos e com menor teor alcoólico — e o perfil gastronômico brasileiro.
Segundo o gerente de marketing do Deutsches Weininstitut, Michael Schemmel, a feira paulista se tornou estratégica para a expansão internacional do setor.
“A ProWine São Paulo representa uma vitrine importante para os produtores alemães. O mercado de vinhos depende de relacionamento, experiência e conexão direta entre produtores, importadores e compradores”, afirma.
França e Itália aumentam pressão sobre vinhos sul-americanos
Para Felipe Galtaroça, países como Argentina devem enfrentar aumento da concorrência, especialmente nos segmentos premium.
“No nicho de vinhos de maior valor agregado, regiões tradicionais como Bordeaux, Borgonha e Piemonte devem ampliar sua presença de maneira mais agressiva”, avalia.
Segundo ele, o acordo também surge como oportunidade para importadores e distribuidores recuperarem margens pressionadas pela inflação e pela volatilidade cambial dos últimos anos.
Setor argentino adota postura cautelosa
Entre os produtores sul-americanos, o cenário é analisado com cautela. A CEO da Wines of Argentina, Magdalena Pesce, afirma que o principal desafio está na competitividade estrutural e não na qualidade dos vinhos europeus.
“A entrada gradual de vinhos europeus com tarifas reduzidas pode pressionar os segmentos de entrada caso a Argentina não avance em questões ligadas à carga tributária e aos custos logísticos”, afirma.
Ao mesmo tempo, ela avalia que o acordo cria oportunidades relevantes para modernização do setor argentino, principalmente no acesso a insumos e tecnologias importadas.
“A redução das barreiras tarifárias para barris, rolhas e tecnologias de vinificação pode elevar eficiência e qualidade das vinícolas locais, fortalecendo sua competitividade”, destaca.
Pesce também acredita que a presença crescente de vinhos europeus tende a acelerar agendas ligadas à sustentabilidade, rastreabilidade e transparência no setor vitivinícola sul-americano.
Importadoras apostam em nichos premium e identidade regional
Empresas importadoras também enxergam oportunidades na nova configuração do mercado.
Para Georges Karakaxis, sócio-administrador da Monte Dictis, especializada em vinhos e produtos gregos, o acordo abre espaço para ampliar o acesso a rótulos diferenciados no Brasil.
“Nossa estratégia passa por ampliar a presença de vinhos do Mediterrâneo Oriental e fortalecer o trabalho de curadoria, relacionamento e educação do consumidor”, afirma.
Segundo ele, vinhos gregos competem menos por preço e mais por identidade, terroir e exclusividade.
Karakaxis destaca que variedades como Assyrtiko, Xinomavro e Agiorgitiko representam nichos de alto valor agregado, que podem ganhar espaço com a redução de custos de importação.
ProWine São Paulo reforça protagonismo global do setor
Nesse novo cenário de maior integração comercial e disputa por mercado, a ProWine São Paulo amplia sua relevância internacional.
A edição de 2026 deve reunir mais de 1.800 produtores de diversos países, consolidando o evento como a maior feira de vinhos e destilados das Américas e uma das principais do mundo no segmento.
Segundo a diretora da feira, Malu Sevieri, o evento se tornou uma plataforma estratégica para empresas interessadas em expandir operações na América do Sul.
“A ProWine São Paulo é hoje a principal plataforma para quem deseja entrar, crescer ou consolidar presença no mercado sul-americano”, afirma.
A feira será realizada entre os dias 6 e 8 de outubro de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. As inscrições para visitantes profissionais já estão abertas gratuitamente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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