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ECONOMIA

Produção industrial: Pará teve maior crescimento em março com alta de 4,5%”

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O Pará voltou a ocupar posição de destaque no cenário econômico nacional após registrar uma das maiores altas da produção industrial brasileira em março de 2026. O estado avançou 4,5% na comparação com fevereiro, ficando atrás apenas do Mato Grosso entre os maiores crescimentos do país e consolidando um movimento que vem chamando atenção não apenas pelo desempenho da indústria, mas também pelos reflexos sociais e econômicos que começam a aparecer de forma mais ampla na vida da população paraense.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Segundo o levantamento, a produção industrial cresceu em 11 dos 15 locais pesquisados no mês. As maiores altas foram registradas no Pará (4,5%), Mato Grosso (3,6%), Goiás (3,6%) e Espírito Santo (3,5%). Também apresentaram crescimento Amazonas (2,5%), Rio de Janeiro (2,5%), Região Nordeste (1,7%), Paraná (1,2%), Rio Grande do Sul (1%), Bahia (1%) e Santa Catarina (0,8%).

O analista da pesquisa, Bernardo Almeida, destacou o peso do resultado paraense no cenário nacional, quando o Brasil apresentou alta em 11 dos 15 locais pesquisados. “Temos a indústria do Pará, que se destaca com o principal resultado positivo em termos absolutos, com crescimento de 4,5%”, destacou os estados com melhor desempenho em março.

O desempenho reforça a relevância do setor mineral e extrativo na economia estadual, especialmente em um cenário de retomada da atividade industrial em diversas regiões do país. O Pará concentra algumas das principais operações de mineração, metalurgia e transformação mineral do Brasil, segmentos que seguem sustentando boa parte da atividade econômica local.

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Enquanto o Pará avançou, algumas regiões apresentaram retração em março. Pernambuco registrou a queda mais intensa entre os locais pesquisados pelo IBGE, seguido por Minas Gerais, Ceará e São Paulo. Na comparação com março de 2025, a produção industrial nacional cresceu 4,3%, com avanço em 15 dos 18 locais analisados pelo instituto. O resultado evidencia uma expansão disseminada da atividade industrial brasileira, embora em ritmos diferentes entre os estados.

Mudanças no perfil econômico e social do Pará

Mas os números recentes do Pará indicam que o crescimento industrial deixou de ser apenas um indicador isolado da economia mineral. O avanço da produção começa a se conectar a mudanças mais amplas no perfil econômico e social do estado.

Dados da PNAD Contínua — Rendimento de Todas as Fontes 2025, também divulgados pelo IBGE, mostram que o Pará alcançou o maior rendimento médio da série histórica iniciada em 2012, ao mesmo tempo em que apresentou melhora nos indicadores de distribuição de renda e redução da desigualdade social.

Entre 2019 e 2025, o rendimento médio real proveniente de todas as fontes cresceu 19,2% no estado — mais que o dobro da média nacional no mesmo período, de 8,6%. Apenas entre 2024 e 2025, o rendimento médio dos paraenses passou de R$ 2.299 para R$ 2.347, mantendo a trajetória de crescimento.

Mais significativo ainda foi o aumento do número de pessoas com algum tipo de rendimento. Em 2019, pouco mais da metade da população paraense possuía renda proveniente de trabalho, aposentadoria, programas sociais ou outras fontes. Em 2025, esse percentual chegou a 61,1% da população, o equivalente a cerca de 5,3 milhões de pessoas com algum tipo de rendimento no estado.

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Na prática, isso significa mais dinheiro circulando nas cidades, principalmente no interior e na Região Metropolitana de Belém. O reflexo aparece diretamente no comércio, na construção civil, no setor de serviços, na abertura de pequenos negócios e até no aumento da oferta de crédito.

Indústria tem papel importante nessa engrenagem

Quando a atividade industrial cresce, ela movimenta uma cadeia ampla da economia. Há aumento da contratação de mão de obra direta e indireta, maior demanda por transporte, logística, alimentação, manutenção, comércio e serviços especializados. O efeito vai além dos grandes pólos minerais e alcança municípios menores, que passam a registrar maior circulação de recursos, novos investimentos e aumento da arrecadação.

O Pará vive hoje uma combinação pouco comum em sua trajetória econômica recente: crescimento industrial, aumento da renda e redução da desigualdade acontecendo ao mesmo tempo.

Esse movimento também vem acompanhado de grandes obras de infraestrutura e logística, como expansão de corredores rodoviários, investimentos portuários, melhoria da mobilidade urbana e projetos ligados à preparação de Belém para a COP30. O resultado é um estado que começa a ampliar sua dinâmica econômica e distribuir renda de maneira mais abrangente.

Ainda há desafios estruturais importantes, sobretudo nas áreas de saneamento, informalidade e desenvolvimento regional equilibrado. Mas os indicadores recentes mostram uma mudança relevante de paradigma.

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Suspenso duas vezes, concurso de cartórios do Pará já acumula 11 processos no CNJ

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O CNJ suspendeu na semana passada, pela segunda vez em menos de um mês, a aplicação das provas do concurso para cartórios do Tribunal de Justiça do Pará. O Conselho Nacional de Justiça já acumula 11 procedimentos administrativos sobre o certame, com questionamentos que vão de acessibilidade e cotas raciais à transparência da banca e anulação de questões.

A série de reclamações levou o conselheiro Rodrigo Badaró a afirmar, em decisão recente, que há um “quadro objetivo de instabilidade procedimental” no concurso. A primeira suspensão ocorreu no mês passado, quando o CNJ afastou a cláusula de barreira aplicada a candidatos PcD e determinou a convocação deles para a prova escrita e prática, levando ao cancelamento da etapa discursiva marcada para 26 de abril.

Depois vieram novos questionamentos referentes à compatibilidade do cronograma com o ENAC, pedidos de adaptação para candidatos com TEA e gestante de alto risco, revisão de questões anuladas, falta de transparência sobre os examinadores e supostas inconsistências na lista de serventias ofertadas.

Remarcado para 17 de maio, o concurso foi novamente suspenso na quinta-feira passada. Na decisão, Badaró afirma que os questionamentos deixaram de ser disputas isoladas e passaram a indicar possível desorganização sistêmica do certame, com impacto sobre publicidade, isonomia e segurança jurídica. O voto aponta ainda que as 20 anulações de questões da prova objetiva podem indicar, “no limite”, uma “patologia administrativa”.

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O CNJ também analisa a tese de que serventias já extintas por lei estadual teriam permanecido indevidamente na lista de vacâncias do concurso. Segundo a argumentação levada ao órgão, isso teria inflado artificialmente o número de delegações ofertadas e afetado a distribuição proporcional das vagas reservadas a candidatos negros.

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