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GERAÇÃO DE EMPREGOS

Comércio demite em dezembro, mas Breves tem saldo positivo em 2022

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MARAJÓ

Foto: Divulgação/PMB

Breves não conseguiu repetir o bom desempenho de novembro, quando fechou o mês com um saldo de 89 novas vagas de empregos criadas, e em dezembro perdeu 27 dos postos conquistados. Mesmo assim, o saldo anual foi positivo para o município, que é a maior economia do Arquipélago do Marajó e que fechou 2022 com 142 novos trabalhadores empregados com carteira assinada. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

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No ano, a cidade de Breves 926 admissões contra 784 desligamentos. O saldo são os 142 novos postos criados.

Com isso, o estoque de empregos brevenses (a soma de todas as pessoas com carteira assinada) subiu para 2.874, uma variação de 5,4% em relação a 2022.

A maior parte dos trabalhadores está no setor de serviços, com 1.521 vagas. Depois aparecem o comércio (1.193), a indústria (122), a construção civil (37) e a agropecuária (1).

Dezembro pós natal

Dezembro é o mês de maior movimento para o comércio por causa do Natal e do Réveillon. Os dados do Caged mostram que em Breves, os comerciantes prepararam suas equipes com as contratações temporárias em novembro e em dezembro, após o movimento, realizou as demissões.

No mês, foram 42 contratações contra 69 demissões, o que dá um déficit de 27 vagas. Só o comércio perdeu 23 postos em dezembro. O setor de serviços perdeu 7. As contratações foram feitas pela indústria (2) e construção (1).

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VIII Feira de Ciências do Rio Acutipereira reúne comunidades e destaca projetos de sustentabilidade no Marajó

Publicados

em

Foto: Ray Nonato

A VIII Feira de Ciências do Rio Acutipereira foi encerrada após três dias de debates, reuniões e decisões coletivas na comunidade Santo Ezequiel Moreno, localizada no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PEAEx) Acutipereira, na zona rural de Portel, no Marajó.

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Com o tema “Um olhar sobre os povos das águas e das florestas”, o evento reuniu estudantes, professores, comunidades ribeirinhas, representantes do poder público, universidades, cooperativas e instituições parceiras para apresentar projetos científicos voltados à realidade amazônica, à sustentabilidade e à valorização dos conhecimentos tradicionais.

O encerramento contou tradicionalmente com a construção coletiva e aprovação da Carta da VIII edição, entrega de certificados aos participantes e anúncio da comunidade que receberá a próxima edição da feira.

Um dos destaques desta edição foi a participação expressiva das comunidades. Segundo a organização, o evento registrou público recorde, com grande movimentação de embarcações que chegaram à comunidade Santo Ezequiel Moreno para acompanhar as atividades.

O PEAEx Acutipereira é formado por 23 comunidades, entre católicas e evangélicas, e fica próximo ao território quilombola de São Tomé de Tauçu. Ao todo, nove escolas localizadas dentro do PEAEx participaram da feira, além de instituições de outras regiões, como a EMEF Irmã Estefânia Monteiro, do Rio Anapu, e a EMEF Drª Dalva Patriarca, do Rio Camarapí.

Escolas premiadas

Os projetos apresentados pelos estudantes tiveram como foco soluções sustentáveis de baixo custo, preservação ambiental, inovação tecnológica e valorização da cultura e dos conhecimentos tradicionais das comunidades ribeirinhas.

O primeiro lugar ficou com a EMEF Deus Está Comigo, com o projeto “Sementes crioulas, raízes culturais e expressões artísticas”.

O segundo lugar foi conquistado pela EMEF Santo Ezequiel Moreno, com o projeto “Casa Ribeirinha do Futuro”.

O terceiro lugar ficou com a EMEF Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que apresentou o projeto “Água barrenta: conhecer para cuidar”.

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Já o quarto lugar foi para a Cooperativa Mirim Santo Ezequiel Moreno, com o projeto “Saneamento sustentável: tecnologia social na várzea”.

Projeto aborda dificuldades enfrentadas por estudantes ribeirinhos

Entre os projetos apresentados, esteve o “Águape — Da invasão à inovação”, desenvolvido pela EMEF Irmã Estefânia Monteiro, localizada na Vila Santo Amaro, no Rio Anapu.

A escola está a cerca de 10 horas de viagem da sede de Portel e precisou percorrer o trajeto até a comunidade Santo Ezequiel Moreno para participar da feira.

O projeto foi desenvolvido por uma equipe de professores e profissionais da escola e apresentado por nove estudantes. A iniciativa aborda uma problemática enfrentada pelas comunidades ribeirinhas, especialmente pelos alunos que, em determinados períodos, ficam impossibilitados de frequentar as aulas devido às dificuldades de deslocamento e ao fenômeno conhecido na região como “barranco”.

Sementes crioulas

A EMEF Deus Está Comigo, representante de uma comunidade quilombola, conquistou o primeiro lugar com um projeto voltado à preservação das sementes crioulas e dos conhecimentos tradicionais.

O professor Joandro Nogueira destacou que a premiação representa o resultado de um trabalho coletivo desenvolvido pela escola e pela comunidade.

“Essa conquista representa muito mais que um prêmio. Representa o reconhecimento de uma construção coletiva. Foi um trabalho feito a muitas mãos — professores, alunos e, principalmente, a nossa comunidade. É a prova de que a escola quilombola tem ciência, tem saber e tem muito a ensinar.”

Segundo o professor, a ideia de trabalhar com as sementes crioulas surgiu a partir da percepção de que variedades tradicionalmente cultivadas pelas famílias estavam sendo substituídas por sementes adquiridas comercialmente.

“A gente percebeu que as sementes crioulas estavam ficando esquecidas, sendo substituídas por sementes compradas. E essas sementes que nossos avós guardam há gerações são a nossa verdadeira riqueza. São resistentes, adaptadas ao nosso território e carregam a nossa história. A ideia foi fazer os alunos olharem para a própria roça com olhar de pesquisador.”

Participação do poder público e instituições parceiras

O prefeito de Portel, Paulo Ferreira, destacou a importância da feira e afirmou que a iniciativa representa um espaço de inovação e valorização das comunidades.

Durante a visita aos estandes, o prefeito conheceu projetos apresentados pelos estudantes, entre eles uma iniciativa relacionada à produção de alimentos a partir de recursos encontrados na própria região.

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“É uma satisfação poder visitar os estandes. Aqui, no espaço da escola Estefânia Monteiro, do Anapu, temos novidades e inovação tecnológica. Tem muita inovação maravilhosa para conhecer. Estamos no mês em que comemoramos a Independência do Brasil, e a independência também precisa partir de todas essas tecnologias que precisamos para a nossa comunidade. É isso que eu sempre defendo”, afirmou.

O secretário municipal de Educação de Portel, Elias Saraiva, também ressaltou o trabalho desenvolvido pelas escolas e a importância da participação dos estudantes na feira de ciências realizada na sede do município.

“Isso aqui reflete todo o empenho que o governo municipal vem fazendo na área da educação, seja na cidade, seja no campo, com várias inovações tecnológicas. É importante ressaltar que os trabalhos apresentados aqui irão participar da nossa Feira de Ciências lá na cidade. Temos trabalhos de extrema relevância apresentados aqui e que já passaram pela nossa feira. É o governo municipal valorizando a ciência e investindo em educação”, declarou.

O diretor da comunidade Santo Ezequiel Moreno, Teófilo Lacerda, agradeceu a participação das escolas, comunidades e instituições parceiras.

“A gente quer agradecer a participação de todos, principalmente das escolas que estão participando, do poder público municipal e dos parceiros que vieram de Brasília, de Belém e de outras regiões do Marajó. Temos universidades, prefeito, vereadores, Sebrae, Sustenta Inova, Embrapa e UFRA. São parceiros que estão hoje aqui na comunidade, assim como outras escolas do Anapu e do Camarapí”, afirmou.

Além das escolas, estiveram presentes representantes de cooperativas dos municípios de Portel, Bagre e Gurupá.

Debates e atividades

A programação também contou com debates sobre agroecologia, cooperativismo e preservação ambiental, além de atividades relacionadas à troca de sementes tradicionais.

O Ministério Público do Pará participou com ações voltadas à prestação de contas, infraestrutura e direitos das comunidades da região. A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) também contribuiu com suporte pedagógico e logístico.

A feira contou ainda com o apoio da Prefeitura de Portel, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria de Esporte, Cultura, Lazer e Turismo, além da Embrapa, Sebrae e UFRA.

A VIII Feira de Ciências do Rio Acutipereira encerrou mais uma edição reunindo ciência, educação, cultura e conhecimentos tradicionais produzidos pelas comunidades das águas e das florestas do Marajó.

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