DIREITOS VIOLADOS
Trabalhador rural é resgatado após 8 anos em condições análogas à escravidão no Pará
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Um trabalhador rural de 65 anos de idade foi libertado após passar quase oito anos sendo escravizado em uma propriedade rural do Pará. A propriedade alvo da vistoria fica na Estação Ecológica Terra do Meio, uma unidade de conservação federal situada no território geográfico do município de Altamira, no sudoeste do estado.
O homem foi encontrado no dia 14/07 pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que constatou condições severamente degradantes de sobrevivência. O resgate envolveu esforços coordenados do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP), da Auditoria Fiscal do Trabalho, da Polícia Federal (PF) e também da Defensoria Pública da União (DPU).
Local de extremo isolamento e difícil acesso
A localidade é caracterizada pelo extremo isolamento e difícil acesso na floresta amazônica. Em razão dessas barreiras geográficas, as equipes precisaram mobilizar um helicóptero da Polícia Federal para pousar na propriedade e viabilizar a retirada rápida do idoso. No local, os integrantes da força-tarefa mapearam que a vítima trabalhava e habitava a fazenda desde o ano de 2018. Ao longo desse período, o homem permaneceu completamente isolado do convívio social externo, imerso em extrema vulnerabilidade e com violações contínuas de direitos humanos básicos. O idoso enfrentava a escassez de água potável e sofria com problemas graves de nutrição pela ausência de mantimentos adequados.
Vulnerabilidade e violação de direitos
A habitação fornecida ao trabalhador consistia em um barraco de madeira improvisado e frágil. De acordo com os relatórios produzidos pelos fiscais do trabalho, o piso do alojamento era formado majoritariamente por chão batido, com raras partes feitas de cimento. O imóvel exibia frestas largas nas paredes que deixavam o idoso exposto ao ataque iminente de cobras e outros animais peçonhentos da mata. O espaço interno era simultaneamente compartilhado com criações de porcos e gado da própria fazenda, animais que transitavam de forma livre e sem restrições sanitárias onde o idoso tentava repousar e cozinhar.
Acordo e indenização
Após a constatação técnica dos elementos de trabalho análogo à escravidão, os órgãos federais autuaram o responsável pela propriedade rural. A atuação institucional resultou na assinatura imediata de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o empregador.
O acordo formal assegurou a destinação de uma verba indenizatória totalizando o montante de R$ 120 mil reais. Essa quantia financeira engloba a quitação integral das verbas rescisórias devidas pelos anos de serviço prestados e uma compensação financeira correspondente à reparação por danos morais individuais causados à dignidade humana da vítima. O idoso foi encaminhado para programas públicos de assistência social e acolhimento.
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Modelo denuncia assédio sexual em Limoeiro do Ajuru, no Marajó; polícia autua suspeitos
Uma modelo paraense usou as redes sociais para denunciar um caso de assédio sexual em Limoeiro do Ajuru, no Marajó. Mesmo acompanhada do marido, a vítima foi importunada por dois homens em via pública.
A Polícia Civil do Pará informou nesta segunda-feira (20) que autuou dois suspeitos: um por importunação sexual e outro, por injúria.
Segundo a modelo e influenciadora Pamela Caroline, de 31 anos, o assédio foi na rua, enquanto ela caminhava acompanhada e de mãos dadas com o marido para participar de um desfile em um evento realizado no sábado (18) na cidade (veja trecho do relato no vídeo acima).
“Lamentável que em 2026, nem acompanhada do marido, estamos segura”, escreveu a modelo após registrar boletim de ocorrência.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela relatou que um homem se aproximou fazendo gestos obscenos e tentou agarrá-la em via pública. No entanto, o marido conseguiu impedir a aproximação.
“Quando meu marido viu que ele ia me agarrar, ele me abraçou para me defender”, contou. Depois, outro homem, que seria filho do primeiro suspeito, teria tentado agredir o casal.
Uma guarnição da Polícia Militar passava pelo local e conduziu a vítima e os dois homens denunciados para a Delegacia de Limoeiro do Ajuru “para os procedimentos pertinentes. Um deles foi autuado por importunação sexual e o outro por injúria”, informou a Polícia Civil.
A vítima reclamou ainda do atendimento inicial prestado pela polícia e relatou ter sido hostilizada na cidade após a denúncia (veja depoimento completo no vídeo mais abaixo).
A polícia informou que enquanto esteve na delegacia, a “integridade física da vítima foi preservada durante todo momento na presença da equipe policial”.
Ainda segundo a Polícia Civil, “foi realizado o devido acolhimento à vítima nas dependências da unidade policial, bem como prestado todo o apoio necessário a ela e ao seu esposo”.
Pamela também é Rainha de bateria da escola de samba Deixa Falar, em Belém, que publicou nota de repúdio “a qualquer tipo de assédio, violência, intimidação ou desrespeito contras às mulheres” e prestando apoio e solidariedade à modelo.
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