INICIATIVA
Capacitação oferecida pelo HRPM ajuda mãe a salvar recém-nascida durante episódio de engasgo
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O que começou como uma capacitação voltada à promoção da saúde e da segurança infantil transformou-se, dias depois, em um reencontro marcado pela gratidão. Uma usuária do Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), situado em Breves, retornou à unidade para compartilhar uma história que emocionou colaboradores e profissionais: graças ao treinamento de primeiros socorros recebido durante uma ação educativa do hospital, ela conseguiu salvar o próprio bebê de um episódio de engasgo.
Ao perceber que a filha havia se engasgado, a mãe lembrou imediatamente das orientações recebidas durante a capacitação promovida pela equipe multiprofissional do HRPM, realizada em cumprimento à Lei Lucas, que incentiva a disseminação de conhecimentos sobre primeiros socorros para prevenção de acidentes e preservação da vida.
A autônoma Lays Ramos Mendes, de 32 anos, mãe da pequena Luana Aline Mendes Costa, de apenas 19 dias, fez questão de retornar ao Regional do Marajó para agradecer às profissionais que conduziram o treinamento de primeiros socorros durante sua internação. Segundo ela, o conhecimento adquirido foi determinante para agir com rapidez e segurança quando a recém-nascida sofreu um episódio de engasgo em casa.
“Gostaria de agradecer à equipe do hospital pelo treinamento de primeiros socorros dado durante a internação, que foi essencial para socorrer minha filha. Se eu não tivesse tido esse treinamento, talvez não tivesse conseguido socorrê-la, pois fiz exatamente conforme elas ensinaram”, finalizou.
Para a gerente assistencial do HRPM, a enfermeira Hegla Guimarães, o retorno da usuária demonstra o verdadeiro legado da Lei Lucas: transformar conhecimento em uma oportunidade de salvar vidas. Ela explica que a Lei Lucas (Nº 13.722/18) nasceu de uma tragédia que poderia ter sido evitada, transformando a dor em um movimento nacional de proteção às nossas crianças. Mais do que uma exigência legal, saber como agir em situações de emergência é um ato de amor e cidadania.
“É por isso que o treinamento da manobra de desengasgo aqui no HRPM é tão vital. Quando capacitamos os familiares, estamos entregando uma ferramenta poderosa: o poder de salvar uma vida, em casos de asfixia, cada segundo conta e o desespero não pode vencer o preparo”, enfatizou a gestora.
O HRPM é parte da rede estadual de saúde. A unidade oferece atendimento de média e alta complexidade, sendo referência para a população do Marajó ao descentralizar serviços especializados.
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Título de Patrimônio Cultural consolida importância histórica e econômica do queijo do Marajó
Patrimônio Cultural de Natureza Material e detentor da primeira Indicação Geográfica (IG) do Pará, o queijo do Marajó se destaca pela autenticidade e ancestralidade. O reconhecimento à importância cultural do produto foi concedido pelo Governo do Pará em abril deste ano, e publicado há dois meses no Diário Oficial do Estado, abrindo perspectivas de melhorias aos produtores e empreendedores do Marajó.
No município de Soure, empreendedores ressaltam a satisfação com o título de patrimônio cultural e a esperança de dias melhores aos que têm na produção de queijo sua fonte de renda. Na praça central do município, o vendedor Walter Pedro, que trabalha há 24 anos na barraca que ele denominou de “Búfalo de Óculos”, vende o queijo do tipo manteiga, produzido na Vila de Retiro Grande, município de Cachoeira do Arari.
Para ele, o queijo representa a oportunidade de sustento da família. Com dois filhos, Walter garante que tem clientes fiéis, não só do município de Soure como da capital, Belém, e ainda de outros estados.
O vendedor acredita que a concessão do título vai melhorar a geração de renda para ele e outros comerciantes de queijo. “Eu achei muito bom isso. A divulgação dessa conquista pela imprensa, em vários veículos, só traz mais e mais melhorias para nós”, ressalta Walter Pedro.

‘Alma do negócio’ – Do outro lado da rua, onde está instalada a Queijaria da Fazenda Portal, a expectativa com a concessão do título pelo Estado é grande. O empresário Edilson Portal, que também é produtor rural e tem uma queijaria em Cachoeira do Arari, só espera benefícios
Para quem considera que o “reconhecimento é a alma do negócio”, Edilson informa que o queijo é o principal derivado da bubalinocultura – um símbolo do Arquipélago do Marajó. “Muitas famílias se sustentam com o queijo. A importância desse reconhecimento é que vem de muito trabalho dos produtores e das secretarias que nos dão apoio. O queijo fomenta a economia da região”, garante.
Atualmente, o empreendedor mantém 22 funcionários trabalhando diretamente com o queijo nas suas propriedades, incluindo quem atua diretamente na fabricação do produto e aqueles que trabalham em outras etapas do processo, como vaqueiros, que tiram o leite, e cuidadores. “Isso agrega muito valor e gera mais empregos na atividade”, destaca Edilson Portal.
Entre os trabalhadores da queijaria está Carlos Manuel. Segundo ele, “através da fabricação do queijo eu sustento a minha família. Faz 10 anos que trabalho nessa profissão. Nesta queijaria estou há quatro anos, e esse trabalho é muito importante para mim”.

Genuinamente paraense – Carlos Augusto Gouvêa (conhecido como Tonga), tem no queijo do Marajó uma referência não só econômica, como afetiva. Ele lembra que, nos anos 1970, quando era aluno da então Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (atual Universidade Federal Rural da Amazônia – Ufra), em Belém, conseguiu manter seus estudos com o queijo que sua mãe enviava direto de Soure – onde nasceu – para a capital, a fim de contribuir para seu sustento e manutenção dos estudos.
“Eu vendia esse queijo, que sempre foi único, de sabor inigualável, para ajudar nos meus estudos. Meus colegas me ajudavam nessa venda. Tínhamos vários pontos onde vendíamos, e um deles era Icoaraci (distrito de Belém), que era o maior mercado consumidor”, informa Carlos Gouvêa, que espera conseguir bons resultados com o reconhecimento ao queijo do Marajó.

Proprietário da Fazenda Mironga, ele tem como principal atividade a criação de búfalos, mas também produz o queijo de sabor inconfundível, feito com leite de búfala. Para Carlos Gouvêa, o reconhecimento consolida a importância histórica e econômica do produto para a região. “É um reconhecimento espetacular pela história que o queijo tem, pela importância econômica e cultural. O queijo é responsável pela fixação do homem. Ele evita o êxodo rural e proporciona que o Pará possa dizer: eu tenho um produto lácteo genuinamente paraense”, enfatiza.
O produtor lembra ainda que os restaurantes da parte oriental do Marajó têm o hábito de ofertar alimentos característicos da região, como o frito do vaqueiro e o filé de búfalo com queijo do Marajó. “Hoje, nós estamos usando muito o peixe frito com o queijo em cima ou a carne com o queijo em cima. Ele tem essa característica de uma identidade gastronômica nessa parte do Marajó”, explica.
O empresário destaca que nunca soube de alguém que tenha passado mal por ter consumido o queijo do Marajó, considerado por ele um dos mais saudáveis do Brasil. “Temos certeza que é um produto muito nobre. Rico em cálcio e fósforo, gordura interessante, e com isso está abrindo mercado. Antes, chegava muito queijo de fora do Marajó. Hoje, os queijos de Minas Gerais e do resto do Brasil, e do mundo, não têm essa abertura, porque o nosso nativo, a cozinha marajoara, os nossos restaurantes usam o queijo do Marajó”, garante.

Reconhecimento oficial – O reconhecimento do queijo como patrimônio cultural foi sancionado pela governadora Hana Ghassan no último dia 28 de abril, após aprovação do Projeto de Lei nº 544/24 pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), em 31 de março.
Dois dias após a sanção, Hana Ghassan visitou o município de Soure e destacou a importância do reconhecimento a um dos símbolos do Marajó. “Tem coisa que a gente já sabe que é patrimônio há muito tempo. Faz parte das nossa vidas, das nossas mesas. Mas, agora é oficial: o queijo do Marajó é Patrimônio Cultural do Pará”, destacou a governadora.
Em 2021, o queijo do Marajó já havia conquistado a Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). As cidades delimitadas como produtoras oficiais são Chaves, Cachoeira do Arari, Muaná, Ponta de Pedras, Santa Cruz do Arari, Salvaterra e Soure.

Apoio do Estado – A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) participou de todo o processo de obtenção da IG do queijo do Marajó, coordenando o Fórum Técnico Estadual de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas do Estado do Pará, composto por 31 instituições públicas e privadas.
Durante toda esta semana, a Sedap está com a equipe de técnicos da Coordenaria de Produção Animal (Copan) visitando propriedades de produção de leite de búfala e queijarias nos municípios de Soure e Cachoeira do Arari. Os médicos veterinários da Secretaria, Augusto Peralta e Anelise Ramos, conferem o modo de produção e orientam empreendedores para o acompanhamento da produção de queijo.
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