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MEIO AMBIENTE

Pará registra 67% de redução nos alertas de desmatamento; Portel ajuda com queda de 170,96 km²

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MARAJÓ

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O Estado do Pará registrou 67% de redução nos alertas de desmatamento no mês de abril de 2024, m comparação com o mesmo período do ano passado. Portel, no Arquipélago do Marajó, ajuda com a queda de 170,96 km² – o equivalente a uma área maior que o Suriname, menor país da América do Sul, com 163, 8 km².

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) são do Deter, o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real.

Em abril deste ano, o Pará registrou 28 km² de área recoberta por alertas de desmatamento, o que representa uma redução de 67% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados 86 km². Em área, essa redução foi de 58 km².

O valor registrado em abril deste ano é o menor em toda a série histórica (2019-2024). No ano de 2019, foram 38 km². A área atual também é 90% menor que o registrado em 2022, quando a área recoberta por alertas de desmatamento foi de 291 km².

“Chegamos a mais uma redução significativa nos alertas de desmatamento no Pará. 67% de redução reflete o nosso compromisso, no Governo do Pará, na Semas, com a preservação ambiental e a adoção de medidas eficazes para combater práticas ilegais que ameaçam nossas florestas e ecossistemas. Continuaremos trabalhando incansavelmente para manter essa tendência positiva e proteger nosso patrimônio natural”, destacou o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Mauro O’ de Almeida.

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Maior redução da Amazônia Legal

No Brasil, o Estado do Pará foi o estado que mais contribuiu com a redução do desmatamento na Amazônia Legal no período de agosto de 2023 a abril de 2024. A redução total foi de 3.291 km² e o Estado contribuiu com 33% da redução (1.074 km²). A segunda maior contribuição foi do Estado do Amazonas, com 23% (754 km²), seguido do estado do Mato Grosso com 22% (716 km²).

Em toda a Amazônia Legal, a área recoberta por alertas no mês de abril foi de 174 km², representando uma redução de 47% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados 329 km². Em área, a redução é de 155 km².

O Pará entregou a segunda maior contribuição para esta redução, com 37% dos 155 km², ou 58 km² de área. O Amazonas contribuiu com 41% (64 km²).

No acumulado, que vai de agosto de 2023 a abril de 2024, a área recoberta por alertas de desmatamento no Pará é de 1.072 km². Este número é 50% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior quando a área foi de 2.145 km². A queda equivale a 1.074 km².

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Decreto de Emergência Ambiental

Considerando os 15 municípios do Decreto Estadual Nº 2.887, 07/02/2023 que “Declara Estado de Emergência Ambiental” em Altamira, Anapu, São Félix do Xingu, Pacajá, Novo Progresso, Itaituba, Portel, Senador José Porfírio, Novo Repartimento, Uruará, Rurópolis, Placas, Trairão, Jacareacanga e Medicilândia, no mês de abril deste ano, a área recoberta por alertas de desmatamento é de 12,63 km². Em 2023 a área foi de 56 km², uma redução de 77%. Em área absoluta a redução equivale a 43,19 km².

No período de agosto de 2023 a abril de 2024, a área recoberta por alertas de desmatamento é de 506,92 km², enquanto que no mesmo período do ano anterior a área foi de 1.529 km². A redução é de 67%, o equivalente a 1.021,70 km2.

Houve redução em todos os municípios, especialmente em Portel, Altamira e São Félix do Xingu, com diminuição em área de 170,96; 153,08 e 146,27 km², respectivamente.

No ano passado, o Estado do Pará registrou área desmatada de 2.145 km², com participação de 71% destes municípios. Em 2024, a área estadual é de 1.072 km² e a participação deles é de 47%.

Com informações da Agência Pará.

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VIII Feira de Ciências do Rio Acutipereira reúne comunidades e destaca projetos de sustentabilidade no Marajó

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Foto: Ray Nonato

A VIII Feira de Ciências do Rio Acutipereira foi encerrada após três dias de debates, reuniões e decisões coletivas na comunidade Santo Ezequiel Moreno, localizada no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PEAEx) Acutipereira, na zona rural de Portel, no Marajó.

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Com o tema “Um olhar sobre os povos das águas e das florestas”, o evento reuniu estudantes, professores, comunidades ribeirinhas, representantes do poder público, universidades, cooperativas e instituições parceiras para apresentar projetos científicos voltados à realidade amazônica, à sustentabilidade e à valorização dos conhecimentos tradicionais.

O encerramento contou tradicionalmente com a construção coletiva e aprovação da Carta da VIII edição, entrega de certificados aos participantes e anúncio da comunidade que receberá a próxima edição da feira.

Um dos destaques desta edição foi a participação expressiva das comunidades. Segundo a organização, o evento registrou público recorde, com grande movimentação de embarcações que chegaram à comunidade Santo Ezequiel Moreno para acompanhar as atividades.

O PEAEx Acutipereira é formado por 23 comunidades, entre católicas e evangélicas, e fica próximo ao território quilombola de São Tomé de Tauçu. Ao todo, nove escolas localizadas dentro do PEAEx participaram da feira, além de instituições de outras regiões, como a EMEF Irmã Estefânia Monteiro, do Rio Anapu, e a EMEF Drª Dalva Patriarca, do Rio Camarapí.

Escolas premiadas

Os projetos apresentados pelos estudantes tiveram como foco soluções sustentáveis de baixo custo, preservação ambiental, inovação tecnológica e valorização da cultura e dos conhecimentos tradicionais das comunidades ribeirinhas.

O primeiro lugar ficou com a EMEF Deus Está Comigo, com o projeto “Sementes crioulas, raízes culturais e expressões artísticas”.

O segundo lugar foi conquistado pela EMEF Santo Ezequiel Moreno, com o projeto “Casa Ribeirinha do Futuro”.

O terceiro lugar ficou com a EMEF Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que apresentou o projeto “Água barrenta: conhecer para cuidar”.

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Já o quarto lugar foi para a Cooperativa Mirim Santo Ezequiel Moreno, com o projeto “Saneamento sustentável: tecnologia social na várzea”.

Projeto aborda dificuldades enfrentadas por estudantes ribeirinhos

Entre os projetos apresentados, esteve o “Águape — Da invasão à inovação”, desenvolvido pela EMEF Irmã Estefânia Monteiro, localizada na Vila Santo Amaro, no Rio Anapu.

A escola está a cerca de 10 horas de viagem da sede de Portel e precisou percorrer o trajeto até a comunidade Santo Ezequiel Moreno para participar da feira.

O projeto foi desenvolvido por uma equipe de professores e profissionais da escola e apresentado por nove estudantes. A iniciativa aborda uma problemática enfrentada pelas comunidades ribeirinhas, especialmente pelos alunos que, em determinados períodos, ficam impossibilitados de frequentar as aulas devido às dificuldades de deslocamento e ao fenômeno conhecido na região como “barranco”.

Sementes crioulas

A EMEF Deus Está Comigo, representante de uma comunidade quilombola, conquistou o primeiro lugar com um projeto voltado à preservação das sementes crioulas e dos conhecimentos tradicionais.

O professor Joandro Nogueira destacou que a premiação representa o resultado de um trabalho coletivo desenvolvido pela escola e pela comunidade.

“Essa conquista representa muito mais que um prêmio. Representa o reconhecimento de uma construção coletiva. Foi um trabalho feito a muitas mãos — professores, alunos e, principalmente, a nossa comunidade. É a prova de que a escola quilombola tem ciência, tem saber e tem muito a ensinar.”

Segundo o professor, a ideia de trabalhar com as sementes crioulas surgiu a partir da percepção de que variedades tradicionalmente cultivadas pelas famílias estavam sendo substituídas por sementes adquiridas comercialmente.

“A gente percebeu que as sementes crioulas estavam ficando esquecidas, sendo substituídas por sementes compradas. E essas sementes que nossos avós guardam há gerações são a nossa verdadeira riqueza. São resistentes, adaptadas ao nosso território e carregam a nossa história. A ideia foi fazer os alunos olharem para a própria roça com olhar de pesquisador.”

Participação do poder público e instituições parceiras

O prefeito de Portel, Paulo Ferreira, destacou a importância da feira e afirmou que a iniciativa representa um espaço de inovação e valorização das comunidades.

Durante a visita aos estandes, o prefeito conheceu projetos apresentados pelos estudantes, entre eles uma iniciativa relacionada à produção de alimentos a partir de recursos encontrados na própria região.

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“É uma satisfação poder visitar os estandes. Aqui, no espaço da escola Estefânia Monteiro, do Anapu, temos novidades e inovação tecnológica. Tem muita inovação maravilhosa para conhecer. Estamos no mês em que comemoramos a Independência do Brasil, e a independência também precisa partir de todas essas tecnologias que precisamos para a nossa comunidade. É isso que eu sempre defendo”, afirmou.

O secretário municipal de Educação de Portel, Elias Saraiva, também ressaltou o trabalho desenvolvido pelas escolas e a importância da participação dos estudantes na feira de ciências realizada na sede do município.

“Isso aqui reflete todo o empenho que o governo municipal vem fazendo na área da educação, seja na cidade, seja no campo, com várias inovações tecnológicas. É importante ressaltar que os trabalhos apresentados aqui irão participar da nossa Feira de Ciências lá na cidade. Temos trabalhos de extrema relevância apresentados aqui e que já passaram pela nossa feira. É o governo municipal valorizando a ciência e investindo em educação”, declarou.

O diretor da comunidade Santo Ezequiel Moreno, Teófilo Lacerda, agradeceu a participação das escolas, comunidades e instituições parceiras.

“A gente quer agradecer a participação de todos, principalmente das escolas que estão participando, do poder público municipal e dos parceiros que vieram de Brasília, de Belém e de outras regiões do Marajó. Temos universidades, prefeito, vereadores, Sebrae, Sustenta Inova, Embrapa e UFRA. São parceiros que estão hoje aqui na comunidade, assim como outras escolas do Anapu e do Camarapí”, afirmou.

Além das escolas, estiveram presentes representantes de cooperativas dos municípios de Portel, Bagre e Gurupá.

Debates e atividades

A programação também contou com debates sobre agroecologia, cooperativismo e preservação ambiental, além de atividades relacionadas à troca de sementes tradicionais.

O Ministério Público do Pará participou com ações voltadas à prestação de contas, infraestrutura e direitos das comunidades da região. A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) também contribuiu com suporte pedagógico e logístico.

A feira contou ainda com o apoio da Prefeitura de Portel, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria de Esporte, Cultura, Lazer e Turismo, além da Embrapa, Sebrae e UFRA.

A VIII Feira de Ciências do Rio Acutipereira encerrou mais uma edição reunindo ciência, educação, cultura e conhecimentos tradicionais produzidos pelas comunidades das águas e das florestas do Marajó.

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