POLITÍCA NACIONAL
Debate na CCT aponta caminhos para o fortalecer o Programa Espacial Brasileiro
POLITÍCA NACIONAL
Mais do que um projeto tecnológico, o Programa Espacial Brasileiro (PEB) é visto como vetor estratégico para o desenvolvimento econômico, científico e social do país. A avaliação predominou entre os participantes da audiência pública realizada nesta quarta-feira (11) na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), por iniciativa dos senadores Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Flávio Arns (PSB-PR), para discutir o futuro do setor.
Autor do requerimento (REQ 8/2025 – CCT), Pontes — ex-ministro da Ciência e Tecnologia e primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço — abriu o debate com ênfase na importância da consolidação do programa com foco em resultados para o país.
— Um país do tamanho do Brasil não pode prescindir de um programa espacial forte. Não se trata de luxo, mas de necessidade: da agricultura à defesa, são inúmeros os setores que dependem de satélites e tecnologias espaciais. O programa não parou em 2003, após o acidente em Alcântara. Ao contrário, seguimos em frente por respeito àqueles que deram a vida por ele — frisou.
O senador criticou a cultura de cortes orçamentários nas áreas de ciência e tecnologia, além de apontar a falta de prioridade política como um entrave ao progresso.
— Todo mundo diz apoiar a ciência, mas na prática os recursos vão para outras áreas, muitas vezes com menor impacto. Investimos cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento, enquanto países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) gastam em média 2,7%, e outros, como Israel e Coreia do Sul, superam os 5%. Precisamos mudar esse cenário — sentenciou.

Investimentos
Para o diretor substituto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Adenilson Roberto da Silva, o Brasil já tem estrutura robusta e expertise reconhecida internacionalmente, mas enfrenta dificuldades para manter uma “cadência de projetos”, fundamental para o amadurecimento da indústria e dos institutos.
— A interrupção ou atraso nos cronogramas impacta toda a cadeia. Um satélite leva até 30 meses para ser finalizado, então perder um ano de orçamento significa atrasar três. Além disso, o setor sofre com o déficit de pessoal qualificado, que leva décadas para ser formado — alertou.
Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon reforçou a visão estratégica do setor. Para ele, programas espaciais são instrumentos de soberania, inovação e benefícios sociais.
— Monitoramento de desmatamento, gestão de recursos hídricos, mitigação de desastres naturais, redução de desigualdades regionais: tudo isso depende de dados que vêm do espaço. Já operamos satélites nacionais, temos domínio de boa parte da cadeia e agora precisamos dar o próximo passo — defendeu.
Chamon também comemorou avanços recentes, como a criação da Lei Geral do Espaço e o investimento de cerca de R$ 600 milhões em projetos com a indústria nacional.
— A entrada de empresas é essencial. O mercado espacial global já movimenta US$ 600 bilhões [aproximadamente R$ 3,33 trilhões]. O Brasil tem capacidade técnica, mas precisa consolidar esse ecossistema e gerar oportunidades — concluiu.
Representante da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), William Rospendowski também destacou o novo cenário de financiamento, impulsionado pelo descontingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Ele citou iniciativas como o desenvolvimento de veículos lançadores e satélites de observação da Terra.
— Estamos diante de uma conjuntura única. É fundamental garantir previsibilidade para projetos de médio e longo prazo, além de fortalecer a articulação entre os atores do sistema de inovação — disse.
Por fim, o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de C&T do Setor Aeroespacial (SindCT), Acioli Antônio de Olivo, relembrou a trajetória histórica do programa e a importância dos servidores públicos na consolidação da capacidade técnico-científica nacional.
— A transformação de cidades como São José dos Campos mostra o impacto que ciência e tecnologia podem ter no território. Temos um legado que precisa ser respeitado e ampliado, inclusive com novas cooperações internacionais e investimentos em inteligência artificial — apontou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
Plenário analisa acordo de cooperação espacial assinado por Brasil e Venezuela; acompanhe
A Câmara dos Deputados iniciou a Ordem do Dia e analisa agora o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 51/11, que contém o acordo de cooperação em ciência e tecnologia espacial assinado por Brasil e Venezuela em 2008.
Mais informações a seguir
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Wilson Silveira
Fonte: Câmara dos Deputados
-
PARÁ6 dias atrásGoverno apresenta projeto sobre equidade étnico-racial e de gênero no serviço público
-
POLITÍCA NACIONAL6 dias atrásCâmara aprova projeto que reformula o seguro rural
-
MARAJÓ7 dias atrásPará avança em acordo com Petrobras para qualificar 30 mil trabalhadores para cadeia do petróleo e gás
-
ESPORTES5 dias atrásCom show de Flaco López e Arias, Palmeiras goleia Junior Barranquilla na Libertadores
-
HOME5 dias atrásHomem acusado de tentativa de homicídio é preso pela Polícia Civil no Marajó
-
HOME5 dias atrásCelular furtado vira presente e duas mulheres acabam presas no Marajó
-
HOME6 dias atrásAção integrada fiscaliza batedeiras de açaí em Ponta de Pedras e reforça medidas de prevenção à doença de Chagas
-
HOME6 dias atrásCNMP e Childhood Brasil lançam Barco Infância Protegida para proteger crianças contra a violência sexual no Marajó
