COMPETIÇÃO
Torneio Leiteiro de Búfalas une tradição, capacitação e fortalecimento da cadeia produtiva no Marajó
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O XVI Torneio Leiteiro de Búfalas Estadual e o V Torneio Leiteiro de Búfalas de Cachoeira do Arari, iniciados nesta terça-feira (30), reúnem tradição, qualificação profissional e fortalecimento da cadeia produtiva da bubalinocultura na Região de Integração do Marajó. A programação segue até sexta-feira (3) e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap).
Além da disputa entre 16 propriedades rurais, os torneios proporcionam formação prática a 25 estudantes de instituições públicas e privadas dos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia, que atuam como fiscais responsáveis pelo acompanhamento das pesagens e ordenhas dos animais.
Experiência no campo
Entre as propriedades participantes está a Fazenda Paraíso, localizada na Vila de Retiro Grande, em Cachoeira do Arari. A propriedade disputa a competição com búfalas como “Paraná”, uma das veteranas do torneio, e conta com o trabalho dos vaqueiros Ailson Lima, Kleber Cardoso e Luciel Bragança, responsáveis pelos cuidados diários com os animais.
Além de garantir o sustento das famílias, o trabalho fortalece uma atividade tradicional da região. Para os vaqueiros, o torneio também movimenta a economia local. “Não tenha dúvida de que esse torneio movimenta toda a cidade e, principalmente, a economia daqui. A gente não só trabalha com as búfalas que participam, como também torce por elas”, afirmou Ailson Lima.
Luciel Bragança destaca a expectativa de acompanhar a competição pela primeira vez. “Desde pequeno trabalho com búfalas. Estou aqui na fazenda há quase um ano e será a primeira vez que vou acompanhar o torneio daqui. Estou na torcida pelas nossas competidoras”, disse.
Formação de novos profissionais
O torneio também se consolidou como um importante espaço de aprendizado para futuros profissionais da área. Muitos estudantes que participaram de edições anteriores hoje atuam como médicos-veterinários e retornam ao evento para orientar novas turmas.
É o caso da professora da Universidade da Amazônia (Unama) e médica-veterinária Juliana Vasconcelos, que participou da competição ainda como acadêmica. “Foi no torneio que conheci de perto a bubalinocultura do Marajó. Essa experiência abriu muitas portas na minha carreira. Depois de formada, passei a trabalhar com alguns produtores que conheci durante o evento, especialmente na área de produção animal”, relatou.
A médica-veterinária da Sedap, Anelise Ramos, destaca que a formação dos estudantes é uma das principais contribuições da programação. “Trabalhamos com animais de alta produtividade leiteira e é fundamental compartilhar esse conhecimento com os acadêmicos, que serão os futuros profissionais da área. Apresentamos biotecnologias reprodutivas, como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e a fertilização in vitro, contribuindo para a formação de mão de obra especializada e para o fortalecimento da bubalinocultura no Pará”, explicou.
Desenvolvimento da atividade
Um dos pioneiros nas competições leiteiras do Marajó, Ronaldo Cardoso ressalta que o torneio impulsionou a atividade bubalina na região e fortaleceu produtores de diferentes portes. “Com o apoio da comunidade, da Associação Paraense dos Criadores de Búfalos e da Sedap, esse evento cresceu muito ao longo dos anos. Aqui é uma importante bacia leiteira, e o torneio fez diferença principalmente para os pequenos produtores, incentivando o melhoramento genético e o desenvolvimento da atividade”, afirmou.
Os torneios seguem até a próxima sexta-feira (3). A programação é organizada pela Associação Paraense dos Criadores de Búfalos e pela Fazenda Paraíso, com coordenação técnica da Associação Rural da Pecuária do Pará (ARPP).
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Pesquisadora da UFPA lança livro com memórias e histórias de mulheres quilombolas do Marajó
Já está disponível o livro “Marajó: mulheres, memórias, quilombos” que reúne histórias, memórias e vivências de mulheres quilombolas do Marajó, contribuindo para a valorização de suas trajetórias e para o fortalecimento da memória coletiva dessas comunidades. A publicação é resultado do projeto de pesquisa Mulheres a(es)quecidas: (re)contando histórias de mulheres quilombolas, vinculado à Faculdade de Letras (Fale) do Campus Breves da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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De autoria da docente da Fale Sandra Maria Job, a obra é composta por narrativas de mulheres de quatro comunidades quilombolas no Marajó: Gurupá Mirim, Jocojó, Povoação e Maria Ribeira. As protagonistas são senhoras que relatam as experiências vividas no seu território.
A ideia de fazer um livro surgiu a partir da quantidade significativa de dados e descobertas gerados ao longo da pesquisa desenvolvida por Sandra Maria, que iniciou em 2016. Segundo a pesquisadora, a publicação é um meio de visibilizar e ampliar a voz das mulheres do quilombo, permitindo que elas sejam protagonistas das próprias histórias.
“Quando chegava nas comunidades e explicava que queria falar só com mulheres e sobre elas, elas estranharam. Estão acostumadas a receber pesquisadores/as, inclusive estrangeiros, contudo, nunca pararam para falar com elas, sobre elas. No geral, a mulher, em especial a mulher preta e indígena, tem sido silenciada. Então, oportunizar a essas mulheres esse momento para escutá-las e reverberar essas vozes é muito importante”, explica a autora.
Dividido em cinco capítulos, o livro aborda a história dos territórios e o processo de luta em defesa de seus direitos. Com relatos em primeira pessoa, a obra reúne narrativas sobre relacionamentos, luta, sobrevivência pós-república e resistência em torno do Marajó. Para as(os) interessadas(os), a obra está disponível em formato físico e pode ser adquirida por meio do contato [email protected]
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