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Semana do Clima: ‘Guardiãs da Floresta’ propõe colocar mulheres do Marajó no centro do debate climático
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Será lançado, nesta sexta-feira (03/07), o projeto Guardiãs da Floresta, uma iniciativa do Instituto Ajuri, ancorado pelo Instituto Sincronicidade para a Interação Social (Ispis); em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa, que integra a programação da Semana do Clima da Amazônia, propõe colocar no centro do debate climático mulheres amazônicas de 15 comunidades do arquipélago do Marajó, um grupo que sempre esteve na linha de frente da manutenção da floresta, mas que nem sempre teve seu lugar reconhecido. A programação acontecerá das 8h30 às 11h30, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia (Armazéns 5 e 6), Belém – PA. O acesso é gratuito, bastando resgatar o ingresso AQUI.
Com o gênero no centro das estratégias, o projeto se baseia em três pilares: valorização das trabalhadoras da sociobioeconomia, promoção da saúde integral da mulher e direitos e cidadania. Assim, o projeto visa construir uma rede de mulheres ribeirinhas extrativistas, capacitadas para atuar como lideranças em suas comunidades. Até 2029, serão desenvolvidas ações que passam pelo diagnóstico territorial; pela criação de uma plataforma de conteúdos; pela capacitação técnica para sistemas agroflorestais, incluindo aquisição de equipamentos para beneficiamento de produtos (como açaí, palmito, castanha e farinha); além de educação financeira, formalização do trabalho, acesso a microcrédito e a mercados. O projeto também conta com iniciativas de enfrentamento à violência e atendimentos de saúde feminina, incluindo apoio psicossocial.
Respeito às tradições e combate à invisibilidade
A idealizadora e coordenadora técnica do Guardiãs, Marianna Protázio, do Instituto Ajuri, explica que o projeto terá duração de três anos, durante os quais deverá cumprir os objetivos de promover segurança e qualidade de vida a uma população feminina especialmente vulnerável e, ao mesmo tempo, essencial para a cadeia produtiva do território, por meio do acesso à infraestrutura e aos direitos básicos. “Valorizando a história e respeitando as tradições, as integrantes do Guardiãs da Floresta atuarão como multiplicadoras de saberes para uma transição justa e sustentável. Elas serão referências, inspirando novas gerações, aliando formação comunitária com perspectiva de gênero à valorização da floresta em pé”.
A coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação, Marlúcia Martins, complementa a fala, lembrando que a invisibilidade é um processo recorrente quando se trata de comunidades tradicionais no manejo dos seus ecossistemas:“As pessoas pensam muito na contribuição dos povos, da floresta, apenas no sentido da exploração dos produtos, e isso não é verdade. Essas comunidades manejam seus sistemas para garantir, inclusive, essas produções. E isso, às vezes, não é valorizado nem comercialmente, nem socialmente. E esse projeto pode ajudar a demonstrar esse valor do trabalho das mulheres, no sentido não só dos recursos manejados, mas da conservação da floresta como um todo. E, por isso, o termo ‘guardiãs’ é adequado, porque, historicamente, elas têm mantido a floresta. Essa tradição de vida na floresta deve ser valorizada e devidamente visibilizada”.
Soma de esforços e de expertises
A coordenadora de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi (Cocex/MPEG), Sue Costa, explicou que a instituição acolheu com entusiasmo a parceria com o Guardiãs da Floresta, identificando total convergência entre a proposta e as estratégias institucionais de extensão, difusão científica e inclusão social na Amazônia. “Entendemos que o projeto traz uma abordagem integrada fundamental para o enfrentamento dos desafios estruturais do Marajó, atuando em diferentes frentes, como por exemplo, a de governança e da sociobioeconomia. Portanto, o Museu Goeldi soma esforços, oferecendo infraestrutura e confiabilidade institucional para ampliar a qualidade metodológica e a legitimidade técnico-científica das ações”, destacou.
A pesquisadora também ressaltou que a parceria – além da soma de esforços e de expertises – representa uma oportunidade de exercer a extensão em sua forma mais plena, numa região carente de políticas públicas. O Museu Goeldi já tem projetos em comunidades da Floresta Nacional de Caxiuanã e, com essa nova cooperação, deve ampliar o contato da instituição com as comunidades dos dez municípios contemplados. “Dessa forma, o Museu cumpre sua missão de salvaguardar o patrimônio e a identidade cultural regional, integrando a ciência diretamente ao fortalecimento comunitário e à adaptação climática no território marajoara”, completou Sue Costa.
A coordenadora do projeto, Marianna Protázio, reforça que a cooperação técnica com o Museu Goeldi constitui o pilar científico do Guardiãs da Floresta: “Minha expectativa é que essa parceria permita juntar toda a experiência científica e a história do Museu Goeldi na Amazônia com a força das mulheres ribeirinhas do Marajó — que são, de fato, as guardiãs desses saberes. O Museu entra com as tecnologias sociais e ambientais, com a formação, e constrói junto com a gente uma plataforma de saberes que protege os conhecimentos tradicionais, para que tudo isso continue nas mãos das comunidades, valorizado e protegido. No fundo, é a ciência e os saberes ancestrais caminhando lado a lado — e é isso que fortalece a floresta em pé e a autonomia dessas mulheres”.
Outras parcerias e abrangência
O projeto Guardiãs da Floresta tem financiamento federal aprovado pelo Fundo Socioambiental Caixa (Edital FSA Autonomia Feminina 2025) e, além da cooperação técnica com o Museu Goeldi, será desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e com a Secretaria do Meio Ambiente do Pará. Foi concebido pelo Instituto Ajuri, idealizador do projeto, e está sendo viabilizado pelo Ispis, uma organização da sociedade civil de interesse público, que viabiliza, incuba e acelera redes, coletivos e projetos de transformação social.
A expectativa é de que a cooperação alcance pessoas que vivem em 15 comunidades de 10 municípios, onde cerca de 12 mil famílias estão assentadas: Soure (Resex Marinha de Soure), Ponta de Pedras (PAE Ilha Santana), Muaná (PAE Ilha Caijuubinha), São Sebastião da Boa Vista (PAE Ilha Deus Proverá e Comunidade Central), Curralinho (PAE Ilha São João I), Oeiras do Pará (Resex Arioca Pruanã), Breves (Resex Mapuá e PAE Ilha dos Macacos), Portel (Paex Deus é Fiel; Paex Joana Peres II – Dorothy Stang e Rio Pacajá), Gurupá (PAE Ilha Grande de Gurupá e PAE Ilha do Gurupaí) e Melgaço (Flona Caxiuanã: comunidades Caxiuanã e Santa Maria/S. Tomé).
A Semana do Clima
O lançamento oficial do projeto Guardiãs da Floresta será na sexta-feira, dia 3 de julho, durante a 2ª Semana do Clima da Amazônia, que é uma iniciativa colaborativa entre os setores público e privado e organismos da sociedade civil, que reúne especialistas da área, dando continuidade aos debates relacionados à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que aconteceu no ano passado, em Belém. Os organizadores definem como “uma coalizão multissetorial que transforma compromissos globais em ação no território”. Além da programação oficial, estão previstos eventos paralelos (autogestionados) que marcam a adesão de instituições e entidades diversas às discussões.
Texto: Andréa Batista, com informações do projeto.
Revisão: Carla Serqueira
SERVIÇO: Lançamento do projeto Guardiãs da Floresta
Data: sexta-feira, 3 de julho de 2026
Horário: 8h30 às 11h30
Local: Parque de Bioeconomia — Belém (PA), Armazéns 5 e 6, Avenida Marechal Hermes, Belém-PA.
Ingresso gratuito aqui: https://www.sympla.com.br/evento/lancamento-guardias-da-floresta/3446271
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Pesquisadora da UFPA lança livro com memórias e histórias de mulheres quilombolas do Marajó
Já está disponível o livro “Marajó: mulheres, memórias, quilombos” que reúne histórias, memórias e vivências de mulheres quilombolas do Marajó, contribuindo para a valorização de suas trajetórias e para o fortalecimento da memória coletiva dessas comunidades. A publicação é resultado do projeto de pesquisa Mulheres a(es)quecidas: (re)contando histórias de mulheres quilombolas, vinculado à Faculdade de Letras (Fale) do Campus Breves da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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De autoria da docente da Fale Sandra Maria Job, a obra é composta por narrativas de mulheres de quatro comunidades quilombolas no Marajó: Gurupá Mirim, Jocojó, Povoação e Maria Ribeira. As protagonistas são senhoras que relatam as experiências vividas no seu território.
A ideia de fazer um livro surgiu a partir da quantidade significativa de dados e descobertas gerados ao longo da pesquisa desenvolvida por Sandra Maria, que iniciou em 2016. Segundo a pesquisadora, a publicação é um meio de visibilizar e ampliar a voz das mulheres do quilombo, permitindo que elas sejam protagonistas das próprias histórias.
“Quando chegava nas comunidades e explicava que queria falar só com mulheres e sobre elas, elas estranharam. Estão acostumadas a receber pesquisadores/as, inclusive estrangeiros, contudo, nunca pararam para falar com elas, sobre elas. No geral, a mulher, em especial a mulher preta e indígena, tem sido silenciada. Então, oportunizar a essas mulheres esse momento para escutá-las e reverberar essas vozes é muito importante”, explica a autora.
Dividido em cinco capítulos, o livro aborda a história dos territórios e o processo de luta em defesa de seus direitos. Com relatos em primeira pessoa, a obra reúne narrativas sobre relacionamentos, luta, sobrevivência pós-república e resistência em torno do Marajó. Para as(os) interessadas(os), a obra está disponível em formato físico e pode ser adquirida por meio do contato [email protected]
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