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NOVA MATRIZ

Na COP 29, Estado discute transição energética que afeta o Marajó

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Foto: Igor Nascimento / Ascom Semas

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 29), na cidade de Baku, Azerbaijão, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) participou do painel “Matriz de Impacto Climático nos Licenciamentos Ambientais para a Transição Energética”, o qual debateu sobre o fortalecimento da convergência entre políticas públicas e práticas empresariais de sustentabilidade nos processos de licenciamento ambiental como forma de diminuir impactos climáticos. A meta é garantir uma transição energética justa e eficiente, especialmente diante do aumento dos eventos climáticos extremos, capaz de melhorar o fornecimento de energia para o Marajó, propiciando a instalação segura de indústrias.

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O painel focou na proposta da “Matriz de Impacto Climático” apresentada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa). O objetivo é integrar de forma sistemática a análise dos impactos das mudanças climáticas nos licenciamentos ambientais, transformando essa questão em uma variável central na avaliação de projetos. Segundo a proposta, essa matriz permitiria que empreendimentos de infraestrutura e energia, particularmente na Amazônia Legal, minimizassem suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e aumentassem sua resiliência diante dos impactos climáticos.

“A mitigação dos impactos ambientais causados pelas emissões de gases de efeito estufa deve ser feita na forma da lei por meio das NDCs. Já é papel e dever do licenciamento mitigar impactos, o que o debate traz de novo é a métrica de carbono. Mas como quantificar o impacto para definir a obrigação associada no contexto de um único empreendimento? Temos diversos instrumentos de gestão ambiental importantes sem qualquer destaque no debate climático, como o zoneamento ambiental. O licenciamento não pode ser visto como instrumento de solução de todos os males. Precisamos de planejamento multissetorial de infraestrutura conjugado com política efetiva de ordenamento territorial e cobrar efetividade de outros instrumentos absolutamente necessários”, destacou Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas.

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A instrumentalização dos estados foi destaque e reforçada como essencial para que a matriz possa contribuir efetivamente com as metas de redução de emissões do Brasil, conforme sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Para o Brasil, essas metas incluem uma redução de 59% a 67% nas emissões de GEE até 2035 e a neutralidade de carbono até 2050.

O secretário citou o plano de descarbonização do setor de transmissão de energia implementado pelo governo do Pará em conjunto com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Equatorial Energia, concessionária de energia do Pará. O plano prevê a descarbonização de 276 mil toneladas de CO2 com a interligação de sistemas isolados de energia e a consequente desmobilização de 14 termelétricas a óleo diesel hoje em funcionamento em regiões remotas do Pará.

“As termelétricas a diesel implantadas em regiões remotas são poluentes, porém cumprem o papel muitas vezes de interesse social. Com o plano, iremos integrar regiões remotas ao sistema integrado nacional (SIN), levando energia para quem precisa e destravando potencialidades de expansão de bioeconomias locais, como a agroindústria do açaí no Marajó. Outra importante iniciativa é a mudança de matriz energética em curso no complexo industrial de Barcarena, com potencial de descarbonização de mais de 1 milhão de toneladas de carbono. Ambos os casos envolvem ação prioritária do licenciamento ambiental estadual”.

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O painel abordou ainda a importância de alinhar as políticas de ESG (ambiental, social e governança) das empresas com os programas sociais e ambientais apresentados durante os processos de licenciamento. A discussão também abordou os desafios da integração de diferentes políticas estruturantes nos estados da Amazônia Legal, incluindo obstáculos financeiros, técnicos, normativos e de ordenamento.

A agenda ESG tem se tornado cada vez mais relevante, promovendo a criação de diretorias de sustentabilidade dentro das empresas. Essas unidades buscam implementar programas que demonstrem comprometimento com práticas sociais e ambientais responsáveis, alinhadas aos princípios de boa governança e relações comunitárias.

No âmbito da Política Estadual de Acordos de Pesca, o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado em agosto passado pela Semas com a empresa Hidrovias do Brasil (HBSA), é um modelo desta prática. O acordo apoia a política de pesca sustentável implementada pelo Programa Regulariza Pará, beneficiando cerca de 15 mil famílias ribeirinhas. Entre as ações previstas, estão a concessão de lanchas para monitoramento das regras de ordenamento pesqueiro e a instalação de sinalizações nas áreas abrangidas pelos acordos de pesca.

O painel contou com a presença de diversos especialistas, incluindo Alexandre Gaio (ABRAMPA), Raoni Rajão (Ministério do Meio Ambiente), Nilton Tatto (deputado federal) e Gabriela Savian (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

As NDCs, exigidas pelo Acordo de Paris, devem ser atualizadas a cada cinco anos e refletem as realidades específicas de cada país, para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Para o Brasil, as metas estabelecidas buscam não apenas a mitigação dos impactos climáticos associados ao setor de florestas e combate ao desmatamento, mas também o avanço em áreas como empregabilidade verde, transição energética e transporte sustentável.

Fonte: Governo PA

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Marajó ganha reforço histórico na saúde com novos investimentos e barcos-hospitais integrados ao programa federal

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Foto: Divulgação

Durante agenda em Belém (PA), sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 30), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (12) a integração dos barcos-hospitais Papa Francisco e São João XXIII ao programa Agora Tem Especialistas – Rios de Especialistas. A ação amplia o atendimento especializado fluvial na Amazônia e fortalece o acesso à saúde na região. Além disso, R$ 240 milhões serão investidos para ampliar a rede de média e alta complexidade no Pará.

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“Essa é uma novidade do programa Agora Tem Especialistas. O Ministério da Saúde passa a apoiar barcos-hospitais que até hoje contavam apenas com recursos das secretarias de Saúde do Pará e do Amazonas. Só aqui na COP 30, em uma semana, foram realizados mais de 10 mil atendimentos, entre consultas odontológicas e cirurgias, inclusive procedimentos complexos. Com o apoio do ministério, a meta é garantir funcionamento permanente e ampliar em até 9 mil o número de cirurgias na Amazônia Legal”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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A integração dos barcos-hospitais ao programa garante mais acesso a consultas, exames e cirurgias para populações ribeirinhas e indígenas em áreas isoladas, além de fortalecer a qualificação das equipes multiprofissionais locais e contribuir para a melhoria dos indicadores de saúde e equidade. A expectativa é chegar a 9 mil cirurgias, com foco nas especialidades de urologia e ginecologia.

O Barco Hospital Papa Francisco, em operação desde 2019, atende 17 municípios da Calha Norte do Pará, alcançando mais de um milhão de pessoas. Em seis anos, já realizou 591 mil atendimentos, incluindo consultas médicas e odontológicas, exames, cirurgias e ações de farmácia e enfermagem. O projeto conta com 32 profissionais fixos e o apoio de mais de 7,5 mil voluntários.

O Barco Hospital São João XXIII, do projeto Na Providência de Deus, atua em 19 municípios do Amazonas e beneficia cerca de um milhão de habitantes. Somente em 2025, foram 17 expedições e 128 mil atendimentos, entre cirurgias e internações. A embarcação é referência em cirurgias oftalmológicas e em procedimentos de média complexidade realizados a bordo.

Investimentos priorizam o Marajó

Dos R$ 240 milhões anunciados, parte importante será destinada ao fortalecimento da rede de saúde no arquipélago do Marajó, região com histórico de dificuldades de acesso a serviços médicos. O pacote inclui 20 ambulanchas, sendo 18 destinadas ao Marajó, uma ao Xingu e uma ao Tapajós.

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Essas embarcações vão reforçar o transporte sanitário fluvial, levando atendimento médico e suporte emergencial às comunidades ribeirinhas e insulares, que muitas vezes dependem exclusivamente dos rios para se deslocar.

Entre os serviços contemplados também estão 3 UPAs (Belém, Breves e São Félix do Xingu), 3 CAPS (Belém, Bom Jesus do Tocantins e Santa Bárbara do Pará), além de 45 novos leitos, sendo 23 de UTI no Hospital Barros Barreto, e o fortalecimento do Serviço de Atendimento Domiciliar.

Legados para a região

As iniciativas fazem parte dos legados permanentes do Ministério da Saúde para o Pará, que busca garantir melhorias estruturais e reduzir o tempo de espera por atendimento. Desde 2023, o estado recebeu R$ 4,7 bilhões em investimentos federais, dos quais R$ 1,6 bilhão foram destinados a Belém, fortalecendo a atenção primária e especializada, a vigilância e a realização de cirurgias.

Entre os avanços estão a construção de novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a ampliação de leitos e a contratação de 554 agentes comunitários de saúde, ampliando a presença do SUS nos territórios.

Coordenação durante a COP 30

Durante a agenda, o ministro Padilha também visitou o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), responsável por coordenar as ações de saúde durante a COP 30. A estrutura reúne profissionais das três esferas do SUS e utiliza tecnologia de monitoramento em tempo real, inspirada em grandes eventos como o Círio de Nazaré, Olimpíadas e Copa do Mundo.

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